Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for April, 2005
April 4th, 2005
Minha vida Nat Geo
Tudo começou logo depois da Páscoa. Entupida de chocolates, fui à aprazível cidade de Cubatão, visitar algumas lojas de nossa companhia. Em algum momento, fui atacada por um borrachudo monstro super power, que mordeu meu pé em 3 lugares diferentes. Na quarta feira, vim trabalhar e notei que meu pé parecia-se com uma bela broa de milho: redondo e inchado.
Fui ao médico: injeções, anti inflamatórios, anti histamínico e 3 dias de repouso.
Entre quinta e sexta feira, tudo que fiz foi assistir Lei e Ordem - a primeira temporada em DVD, CSI, programas vespertinos da TV aberta, Oprah e outras tranqueiras.
- Cento e quarenta reais. Dá pra fazer por cento e vinte.
- Minha nossa! Está meio caro, né?
- É que essa é uma folhagem muito...
- Exótica? Rara? Em extinção?
- ...muito diferenciada...
- Ah, tá. Fica pra próxima.
Fui a um outro garden que conheço, na Marquês de São Vicente, e comprei uma palmeirinha, uma pimenteira, mudas de manjericão e alecrim, sacos de terra, adubo, xaxim e vaso. Gastei cerca de quarenta reais. Tudo isso para praticar um de meus passatempos favoritos e relaxantes: jardinagem.
Forrei o chão com jornal, pázinha na mão, tudo direitinho. Aí eu fui transplantar a muda de palmeira pro vaso. Comecei a quebrar o torrão de terra com as mãos, até que...
- Aaaaaargh!!!
Uma minhoca bem gorda caiu na minha mão. Os gatos, que estavam xeretando por ali, acharam lindo aquele ser gosmento se contorcendo e se puseram a saltitar, loucos pra abocanhar o verme.
Eu, pé inchado, uma mão empurrando os gatos, a outra segurando a minhoca, uma verdadeira beleza. Consegui atirar a minhoca pra dentro do vaso - espero que ela tenha sobrevivido ao arremesso - e chutei os gatos pra longe com o pé bom.
Naquela noite, o Beto saiu com seu irmão e voltou pra casa às 5 da manhã.
Depois de dar na cabeça dele com o rolo de macarrão, fomos dormir. A Bea, talvez revoltada com os pontapés ou com o fato de não conseguir comer a minhoca, pulou pela janela.
Por sorte, moramos no primeiro andar. Por azar, ela caiu numa parte do prédio que só é acessível com uma chave que não temos. Só o porteiro tem. E o porteiro não fica lá nesse horário.
Roberto, tonto de sono, tentava abrir a porta. Eu lembrei de todos os Cidade Alerta que assiti e resolvi fazer uma uma tereza, ou seja, uma corda de lençóis muito utilizada por presidiários em suas fugas. Com esta corda, o Roberto poderia descer pela janela e, teoricamente, subir depois.
Ele heroicamente desceu, agarrou a gata, enfiou a dita cuja numa fronha e eu a puxei pra cima com a corda de lençóis.
- Agora sobe você, Beto.
- Sei lá.
- Como assim? Sobe!
- Hum... acho que a corda não vai aguentar...
- Então vou descer um banquinho.
E Roberto ficou no banquinho, sentadinho até o porteiro chegar. Depois, sem dormir, ele foi trabalhar.
Moral da história: melhor dormir cedo.
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No sábado, levei a gata de 15 anos da minha mãe ao veterinário. Ela teve que tomar soro e um monte de remédios e eu fiquei segurando a patinha dela.
Tive uma semana totalmente voltada aos animaizinhos - viva a National Geographic.
Meu chefe bolha não foi pro Rio definitivamente, mas estou orando sem parar pra que isso aconteça.
Enquanto não rola, ele fode minha vida: semana que vem terei que ir dar um treinamento em Cubatão, todos os dias. Ir e voltar.
Tentei explicar pra ele que valia mais a pena fazer com que um funcionário de lá viesse pra cá, ao invés de obrigar três pesoas daqui a ir pra lá. O gasto pra empresa vai ser bem maior. Ele disse que eu tenho má vontade em atendê-lo.
Não é lindo?
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Minha mãe tem uma gatinha chamada Penélope. A Pepê tem com 15 anos e está com falência renal. Talvez tenha que ser sacrificada.
Eu e minha mãe estamos muito chateadas.
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Além disso, semana que vem o Beto estará de férias, e eu não. Então não poderemos ir viajar, descansar, desestressar.
Sumi porque, como sempre, estava trabalhando como uma estúpida. E em casa a conexão é discada (até terça feira, quando chega o Giro) e eu não consigo postar nada em conexão discada.
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Se houver algum cubatãoensecubatãoano nativo de Cubatão lendo estas linhas, peço perdão antecipadamente.
Cubatão. Passei a semana pasada indo diariamente pra lá e voltando no fim da tarde. A cidade é quente, suja e cheia de cachorros sarnentos. Os habitantes são quase incapazes de dizer por favor e obrigada. Tem mosquito a dar com pau. O melhor restaurante do bairro serviu arroz com cabelo. E era um baita dum cabelão. Tem um canal fedido atravessando a avenida. Os caras saem na rua com bermudas que deixam aparecer o cofrinho e barrigas enormes de fora.
Em suma, tive uma semana indecente. Graças a Deus pela nova Imigrantes, que apesar de seu pedágio escorchante mantém uma excelente qualidade de pavimentação. E a empresa me paga pelo pedágio, claro.
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Aí, na sexta, eu achei que ia descansar e dormir o sono dos justos.
Primeiro descobri que teria que trabalhar no sábado de manhã. Já fui deitar meio injuriada. O Beto saiu com os amigos. Fiquei mais injuriada.
Por volta de quatro da manhã, acordei ouvindo sons estranhos. Meio adormecida, pensei que os gatos estivessem brigando. Mas eles dormiam tranquilamente nos pés da cama. Acendi a luz.
Foi aí que percebi do que se tratava.
Meu vizinho de cima é gay. E na madrugada de sexta ele levou uma pessoa pra casa e começou a festinha. Gemidos. Gritos. Palavras e expressões que eu, uma moça de família, não consigo nem escrever. E tudo isso gritado a plenos pulmões.
Abri a janela, com a intenção de mandar os rapazes calarem a boca. Meu porteiro, parado no corredor, olhava pra cima com olhar perdido. Eu, de camisola, descabelada, com olheiras, olhei desamparada para ele, e os dois perceberam que não havia o que fazer.
O que poderíamos fazer? Ligar no interfone? "Senhor fulano, a Dona Gabriela do primeiro andar está pedindo pro senhor gemer mais baixo." Não dá.
A barulheira continuou até uma quinze pras cinco. Eu sei a hora com certeza porque um deles gritou "Ai, eu vou gozaaaaaar!" e eu olhei no relógio.
Aí o Beto chegou em casa com o Penin, pra fazer um trabalho no computador e eu relatei o ocorrido. Mas não havia mais nada a se fazer. Eu não dormi de novo e fui trabalhar irritada e com sono.
Voltei pra casa umas 4 da tarde, a tempo de ouvir o vizinho de cima acordando.
Apenas para constar: nada contra o homossexualismo, tudo contra gente que berra às 4 da manhã. Pra mim pouco importa se o cara faz sexo com um homem, uma mulher, uma boneca inflável ou uma melancia. Desde que seja quietinho.
U-hu, cheou o Giro em casa. Não faço a menor idéia de como funcione, mas é mais barato que o Speedy, e já que o Virtua não chega até aqui, fica sendo a melhor opção.
E é rapidinho mesmo.
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Minha amiga Lelê, em carta aberta à sua mãe, contou que praticamente demitiu-se de seu trabalho de número 2, onde ela ganha pouco e trabalha muito.
Façamos votos para que Lelê ou seja efetivada com um salário decente ou seja mandada embora de vez e possa arrumar outro emprego, desta vez com salário decente, ou ainda que ela fique um tempinho sem emprego e consiga descansar um bocadinho. O que for melhor pra ela.
Vamos fazer corrente pra frente, cruzar os dedos e esperar pelo melhor.
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E o novo Papa é da Opus Dei. Alemão com nome que achei que era homônimo de um piloto de F1 mas não era.
Algo me dia que o catolicismo vai retroceder ainda mais no Brasil...
Sabem, meu corpo tem um jeito muito particular de viver. É como se meu cérebro fosse desde sempre programado para acordar ao amanhecer.
Para mim, dormir depois do dia claro é muito, muito difícil.
Não importa se eu for dormir às dez da noite (como faço normalmente) ou às cinco da manhã (como fiz ontem), sempre acordo por volta das 7 da manhã.
E acordo mesmo. Desperto, sento na cama, sem um pingo de sono nos olhos. Não adianta insistir.
Depois do almoço, vem um soninho, por volta das 14 horas. Se eu não cochilar nesse horário, o sono só vem de novo as dez da noite. É desesperador.
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As coisas estão um bocado complicadas no trabalho. Meu chefe, além de ser um bolha, é grosso, mal educado e inseguro de sua própria capacidade profissional.
Resultado: ele maltrata a equipe pra caramba. É fogo, já estou procurando uma outra coisa.
Antes que vocês achem que eu só reclamo, pois pelo menos agora não tem Elisa, eu explico: a vida sem Elisa é realmente mais fácil.
O problema é que eu tenho um stress acumulado de 4 anos trabalhando com ela, férias vencidas desde setembro, aumento salarial que demora, reembolso de despesas que atrasa, enfim, escolha qualquer um destes motivos e você verá que minha situação não é lá muito fantástica.
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Some-se a isso a falta de sono e vocês perceberão que meu humor hoje não é dos melhores.
Seguindo ordens de Dona Rose, vou escrever um texto feliz (agora é de verdade):
Fiz muitas coisas gostosas nesse feriado. Joguei RPG, coisa que não fazia há algum tempo e que é sempre gostoso, pois ajuda a tirar a cabeça dos problemas cotidianos.
Afinal, se sua personagem levou dois tiros e está sendo atacada por aliens em uma estação espacial no meio do gelo, é difícil ficar lembrando que seu chefe é um imbecil.
Na sexta, encontrei uma amiga que não via há tempos e fomos ao Teta Jazz Bar, onde assistimos um show de afro-jazz. A saber: é jazz, só que com um monte de atabaques, tamborim, cuíca, etc. Foi bom; o baixista parecia o Marcelo D2, o baterista parecia meu amigo Thiko, o tecladista parecia a tartaruga da Brahma e o percussionista não parecia com ninguém, mas era meio difícil de ver, pois o negão se mexia tão rápido para tocar os 74 instrumentos de percussão que tinha por lá que ele era praticamente invisível a olho nu.
No sábado, fui comer pizzas na casa de Dona Rose, o que é uma delícia, pois me permite comer uma comida deliciosa, bater papo com a Lelê e brincar com o Lucas, que é o moleque mais fofo do mundo.
Também conheci o namorado da Lelê, que por enquanto está aprovado. Agora preciso colocar ele numa salinha escura e enfumaçada e jogar uma luz forte na cara dele enquanto pergunto "Quais são suas intenções com minha amiga? Pra que time torce? Gosta de brócolis? Lê Paulo Coelho?" e tantas outras perguntas necessárias para conhecer uma pessoa a fundo.
Afinal, Lelê pode ser grandona, mas no fundo é uma mocinha muito delicada e precisa de proteção contra rapazes inescrupulosos que só querem se aproximar dela pra se aproveitar de seus ingressos grátis pra jogos do Corinthians.
No domingo, dormi bastante e comi sorvete.
Hoje de manhã. Bom, deixa hoje de manhã pra lá.
Agora vou pra terapia pra resolver alguns assuntos.
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PS: apaguei o post de hoje de manhã. Quem viu, esqueça. Tem coisas pessoais demais pra falar por aqui.
Tenho alguns médicos de minha confiança. Meu dentista, por exemplo, é Dr Osmar.
Dr Osmar, o dentista, sempre se identifica assim. por exemplo, ele liga no meu celular para remarcar a consulta e deixa um recado mais ou menos assim:
- Aninha, aqui é Doutor Osmar, o Dentista. Vou precisar remarcar sua consulta de sexta pois vou competir no Pinheiros. por favor, me ligue.
Ele tem uns 80 anos, nada todos os dias e vai aos bailes do Pinheiros com sua digníssima esposa. É o melhor dentista que já conheci. Com ele, nada dói, nem mesmo extração de dente ou canal aberto. dr. Osmar é um fofo.
Outro médico que aprecio é Dr. Pêra, meu ginecologista. Ele cuida de mim há anos, minha mãe e tia também são pacientes dele. A melhor coisa que posso dizer a seu respeito é que ele tem as mãos quentinhas e sempre toma o cuidado de esquentar seus instrumentos de tortura trabalho antes de fazer os exames.
Dr. Pêra tem esse nome mesmo, e seu maior defeito é fazer pressão psicológica para que eu engravide logo toda vez que vou lá. Segundo ele, já está na hora.
O terceiro médico é o que mais odeio.
Dr Rodrigo é dermatologista e poderia ser meu irmão mais velho. Branquinho, loiro, mãos gordinhas e nariz arrebitado. Ele parece ser uma boa pessoa, mas não é.
Eu tenho uma tendência a ter verrugas. Isso, verrugas, tal e qual a bruxa da história. Então eu sempre vou ao dermatologista.
Toda vez que eu vou lá, ele insiste em dizer que tirar uma verruga "não vai doer nada." Nele não deve doer nada mesmo. Em mim, em compensação, dói um monte.
- Sabe, Gabriela, da última vez doeu um pouquinho porque eu usei nitrogênio líquido.
- Ahn?
- É, a gente congela a verruga e ela cai. Desta vez, eu vou dilacerar a pele morta e depois usar um ácido, e não vai doer nada.
Ácido. Dilacerar a pele morta. Não sei como fui acreditar nele.
- Aproveitando, você não quer fazer uns cremes antiidade? Estou notando um aprofundamento de algumas linhas de expressão...
- Mas...
- Apenas um creme leve, para retardar os efeitos do envelhecimento... e um creme de limpeza, um adstringente... como sua pele está muito ressecada vou recomendar também esta máscara aqui...
Ou seja, dr. Rodrigo me faz sentir dor, depois me chama de velha, depois me põe pra fora do consultório sorrindo.
Eu odeio dr Rodrigo.
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Esta semana fui até São Mateus e só me perdi um pouquinho. Esse lugar fica muito longe. Primeiro Marginal Tietê inteirinha. Depois, Av Aricanduva inteirinha. E começam a aparecer ônibus de cores estranhas, como vermelho vivo e amarelo.
Saí de lá bem antes do pôr do sol. Não ganho o suficiente pra pagar o resgate.