Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for January, 2006
January 2nd, 2006
Ano novo, vida velha
Dizem que o que fazemos no primeiro dia do ano é aquilo que faremos pelo resto do ano.
Por isso, declaro que 2006 será um ano cheio de suor, chuva, dança, uma leve indigestão devida ao consumo excessivo de lentilhas, calor, cheiro de sidra e muito sono.
No Reveillon, fomos à casa da Lívia e comemos muita comida árabe. Depois, o Beto tomou banho de sidra cereser. Depois, resolvemos sair, debaixo de uma chuva medonha. Por isso, ao invés de irmos à Paulista, fomos ao Atari club, onde dancei muito, suei mais ainda e quase desmaiei devido ao calor. Depois, já no dia 1º, dormi o dia todo. Em suma, um reveillon animado.
E se 2006 for assim, vai ser engraçado, pelo menos.
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Acho que estou quase livre do chefe bolha. Torçam.
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Aproveitando: quem falou que aquela franja no meio da testa é bonita e moderna? no Atari tinha várias meninas com esse modelinho, e todas, sem exceção, ficaram com cara de idiota. Sabe quando você é criança e resolve cortar a própria franja? Mais ou menos assim. Horrendo.
Já o Beto ficou lindo, porque eu fiz um moicano nele. Eu sou praticamente uma cabelereira profissional.
A empresa passou por grandes reformulações. Trocamos o Diretor - Presidente e aí foi como uma avalanche: troca-troca geral até chegar a nós, pobres escravos da labuta.
E eu, finalmente, depois de um ano, me livrei do chefe bolha.
Não é lindo?
Meu novo chefe é um pernambucano muito fino e elegante. Fala com um sotaque do cacete, mas parece ser uma pessoa inteligente e com um pouco de conhecimento do trampo, ao contrário do antigo gerente.
O chefe velho foi pra uma outra área aí. Senta perto de mim, e é uma delícia ignorar as coisas que ele fala, sabendo que agora ele está enchendo o saco de outros. Mais perfeito seria só se ele virasse chefe da Elisa. Mas não se pode ter tudo, certo?
A nova diretora também é ótima, e o fato de ter uma mulher no comando melhora as coisas por aqui. As piadas machistas diminuíram e as de loira se extinguiram, porque a chefa é loirinha, loirinha...
Ah, o doce sabor da vingança....
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Mas eu já sabia que tudo ia mudar, porque no horóscopo chinês que eu li na Nova (ou na Cláudia, ou na Caras, ou em qualquer uma dessas revistas que a gente lê enquanto faz a unha) estava dizendo que 2006 é o ano da virada para os nativos de serpente, e que grandes mudanças estão por vir.
Acho que essas previsões foram escritas há milhares de anos por sábios chineses, e desde então os editores de revistas femininas vão revezando as sagradas palavras:
- Hummmm... este ano esta aqui vai pra serpente, esta pra macaco, esta pro porco.... ano que vem a gente troca.
O importante de horóscopo é prever sempre grandes mudanças, novos amores, crescimento profissional e se possível um bom corte de cabelo. Todas as coisas importantes da vida, afinal.
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Agora só falta meu aumento. Ou ganhar na Mega Sena. Aceito ambas as coisas.
A vontade de escrever foi-se embora junto com algumas outras coisas.
Não estou ainda me sentindo bem o suficiente pra botar as palavras aqui, mas um dia eu explico tudo.
Por hora, posso dizer que estou cansada, de pernas moles, peso nos ombros e coração partido. A sensação é horrível. Uma dor física real, o cansaço de quem correu uma maratona.
A diferença é que quem corre uma maratona deita e dorme o sono dos justos, ao passo que eu tenho tido algumas dificuldades nessa área.
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Aos amigos que ligaram, obrigada. Não sei o que faria sem vocês.
Tá, confesso: não consigo deixar de lado esta porcaria.
Então vamos lá. Vou escrever de uma vez e por favor não me perguntem nada.
O Beto saiu de casa. Está morando com sua mãe por enquanto. Já levou algumas roupas e o computador. Em breve, leva o resto das coisas. Não, não acho que tenha volta.
Pronto.
Agora vou ali no banheiro chorar e já volto.
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Aí as amigas muito sábias me tiraram de casa no fim de semana. Me arrastaram pra praia - mesmo na chuva. E lá fui eu pra Juquehy, desfilar toda a brancura que só 3 anos sem praia podem garantir a um ser humano.
O bom de ter amigas é que não importa o quanto você esteja no fundo do poço sempre tem uma com uma história pior.
O nome da moça é Daniele. Há uns seis meses começou a namorar um rapaz, percebeu que ele era meio estranho e terminou há um mês. 15 dias atrás, recebeu um e-mail supostamente dos pais dele, dizendo que o moço havia se matado e que a culpa era dela.
Ela passou os últimos 15 dias a base de remédios tarja preta e sessões de terapia.
Na quinta, ela recebeu uma mensagem de celular. Do falecido. Apavorada, ligou pra casa dos pais dele, que não sabiam de nada. O cara estava vivo, e vindo pra São Paulo atrás dela. Ocorre que o rapaz sofre de alguns transtornos mentais e já perseguiu uma ex-namorada por 6 meses.
Agora ela pode parar com os remédios, mas vai começar com os seguranças.
Viu como o fundo do poço tem porão?
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Na praia, fomos parar numa festa caiçara. Sabe aquele filme que o Patrick Swayze é o surfista bandido e o Keanu Reeves o policial que se infiltra na gangue e acaba fascinado com a filosofia de vida do surfe? Bem, nele tem uma cena de festa surfista. Era mais ou menos aquilo.
Primeiro pensamos que seríamos hostilizadas, expulsas e que teríamos que fugir correndo sob uma chuva de pedras. Ao chegar, sem conhecer ninguém exceto o japonês maluco* que nos levou lá, dei de cara com dois nativos conversando:
- Pô, acabei de dar um susto nuns haoles.
- Que rolou, peixe?
- Os caras folgados, pô. Queriam estacionar bem aqui na porta, tá ligado? Na minha vaga...
- Que cê fez?
- Botei a cabeça pra fora do carro e dei uns berros...
- É, essa galera de fora é foda.
*Gabi tenta fazer cara de caiçara*
- Menina, que lindo que tá seu cabelo!
- Fiz escova hoje... Festa do Mateus, né, tem que vir bonita...
*Gabi tenta esconder seu cabelo armado e sua roupa de praia*
E assim por diante. No fim, o pessoal era legal. Depois de algumas cervejas, todos ficaram amigos e demos boas risadas.
Na porta da casa tinha um longboard encostado, que de longe era o maior que já vi. Era praticamente um iate. Famílias de havaianos poderiam ali habitar sem se preocupar com o espaço. Também descobri que quando o vento sopra de Sudeste é porque o tempo vai fechar. Se eu soubesse pra que lado fica o Sudeste, isso seria uma informação extremamente útil.
Uma festa de caiçaras, meus amigos, e eu lá, branca, largada, descabelada e sem saber de que lado se usa uma prancha.
Tem coisas que só um japonês maluco* faz por você.
*Kwuahara, japonês maluco, merece um post só pra ele. Trabalha com cinema, sempre tem uma balada pra ir, até nos locais mais exóticos. Conhece todo mundo. Não é nada zen, mas já morou no Japão e adora sashimi. Amigo dos tempos de faculdade, sabe do que um garota precisa para se feliz: uma festa bizarra, cerveja e uma série de piadinhas tirando sarro da outra amiga que deu uns beijos no dentista local:
- E aí, Cy??? Tá com o plano odontológico em dia??
- E aííí, Cy?? Tratou o canal?
- E aííííí, Cy?? Tá anestesiada??