Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for March, 2006
March 1st, 2006
Pulando o carnaval
O carnaval começou muito bem: desfile da Gaviões e tudo. Por volta das 3 da manhã, pegamos a estrada rumo à Ponta Negra. Viajamos a noite inteira, Elisa (não a do trabalho, uma outra, legal) dando uma de samambaia no banco de trás e dormindo no meio da conversa.
No sábado de manhã, chegamos à Laranjeiras, condomínio chiquetérrimo próximo a Paraty. Depois de passar por um esquema de segurança digno do FBI, paramos o carro e nos dividimos: as pessoas com problemas mentais - Cyntia, Xan e Dani - foram por uma trilha de 4 horas e nós, as pessoas normais - eu, Kuwahara, Elisa e Paula - fomos de barquinho, carregando todas as malas e mais uma prancha. Durante os 25 minutos de navegação, fomos vendo as praias:
- Ó, os amigos de vocês que vieram pela trilha vão passar por aqui... e por aqui... e por aqui...
Vendo a areia causticante e as montanhas íngremes, nos congratulamos por nossa esperteza em não ir de trilha. Chegando à Ponta Negra, uma vila de pescadores bem rústica nos aguardava. Logo de cara encontramos a dona da casa que iria nos hospedar. Com a ajuda de 35 crianças, fomos seguindo a mulher por uma trilha. Essa trilha começava na praia e subia por mais ou menos 7 milhas náuticas até a casa, ou pelo menos assim nos pareceu enquanto subíamos carregando as malas depois de passar a noite em claro. Fomos humilhados pelas crianças que carregavam malas maiores do que elas e saltitavam pelas pedras do riacho sem demonstrar cansaço algum.
Praguejando contra meus 28 anos de sedentarismo, finalmente chegamos à casa. A casa era rústica. Muito rústica. Rupestre. Bucólica. Não tinha luz nem forro no teto. Era do lado de uma cachoeira. A casa era grande e espaçosa, e tinha cama pra todo mundo.
Tudo nessa vida tem dois lados. Casa sem luz: gostoso, luz de velas sempre é agradável. Ou péssimo, na hora de tomar banho. Falta de forro: gostoso, porque de noite a casa fica fresquinha. Ou péssimo, porque facilita a entrada de bichos peçonhentos e a propagação do som. Do lado da cachoeira: gostoso ouvir barulhinho de água e poder tomar banho de cachoeira facinho. Ou péssimo, por conta dos mosquitos que ali habitam. Cama pra todos: ótimo, na hora de dormir. Péssimo, porque a Cy e o Xan estavam na bolha de amor e a casa não tinha forro.
Descemos pra praia, pra relaxar na areia. Depois de muitas horas, o resto do pessoal chegou e nos dedicamos ao ócio e à comilança desenfreada de PF's. À noite, num arroubo de insanidade, decidi descer com o pessoal até a praia, o que foi bom, porque foi a noite mais estrelada que já vi na minha vida. Estrelas cadentes surgiam sem parar e todas as constelações estavam visíveis num céu sem lua. Lindíssimo. Na hora de subir foi um pouco complicado, no escuro, com apenas uma lanterna e sem saber o caminho direito. Mas tudo bem. Caí na cama pra dormir um sono atrasado de 3 dias. Ou assim eu esperava. Na manhã seguinte...
O Xan é um cara legal. Dentista em Ubatuba, bem humorado, cozinha bem, serviu o exército no Amazonas... O tipo de pessoa que você quer ter por perto quando a viagem envolve mato, bichos e facões. Entretanto, ele tem um probleminha. É um problema bem pequenininho. Quase imperceptível... Ele é hiperativo. Acorda assim que o sol clareia. E canta, assobia, conversa... Uma beleza. Por isso, após acordar bem cedo - muito cedo mesmo - fomos todos pra praia pra fazer uma trilha:
- Vamos aproveitar o dia!
- Jura que a trilha é fácil?
- Juramos!
- Dá pra eu ir de chinelo?
- Dá!
- Preciso levar os paramédicos?
- Gabi!!!
- Tá, tá...
A primeira subida era completamente íngreme e aberta, sem árvores. O sol batendo no coco. A segunda subida era longa, lenta e torturante. A terceira... não me lembro da terceira. Uma combinação de calor e desespero me fez ter uma leve crise de hipoglicemia. O Kwa ficou feliz com isso, porque proporcionei alguns minutos para que ele fumasse um cigarro enquanto eu me recuperava. Continuamos. Eu me sentia como aqueles gnus que são deixados pra trás na savana africana, enquanto o grupo de jovens e fortes gnus corre pra se salvar das garras dos guepardos. Eu lá atrás, arfando. E o Xan:
- Agora é!
- A praia???
- Não, outra subida...
...
...
- Agora é!!!
- arf..A.. arf...praaaiaaaa...arf...???
- Não... mas olha que paisagem linda.
- Se eu tivesse forças, juro que te batia.
Eu só via pontos pretos dançando na frente dos olhos. Finalmente, a praia. Muito bonita, mesmo. Quase valeu a caminhada. É que pra valer a caminhada, deveria haver um quiosque na praia com massagistas de plantão, champanhe gelado, incenso e músicas relaxantes. Como não havia, caí no mar e depois caí na areia. Dormimos, nadamos, Xan pegou ondas - sim, porque ele carregava uma prancha o tempo todo. Na próxima encarnação eu juro que aprendo a ter esse pique. Contemplamos a paisagem, comemos Nutry, relaxamos na sombra. Uma delícia.
Na hora de voltar, me concentrei, fiz algumas orações, chorei durante alguns minutos e cogitei até mesmo ficar por ali até algum barco me resgatar. No fim, comecei a andar. A volta realmente foi mais tranquila, as piores subidas estavam na ida. Exceto pela cobra que estava no meio da trilha e foi retirada pela prancha do Xan, e pela queda no barro protagonizada pela Elisa e por mim, e pelo tombo da Cyntia na cachoeira, não houve grandes incidentes. Voltamos pra Ponta, sentamos no quiosque e comemos toneladas de lula e diversos PFs.
À noite, jogávamos cartas à luz de velas, quando resolvi lavar um copo na pia. E vi...
- Aaaahhhh! Uma barata! Duas! Não, três!!! Aaargh!
Era uma invasão. Acendemos milhares de velas e Xan e Kwa, nossos heróis, chinelos em punho, começaram a matar os temíveis insetos. E eu, novamente...
- Que que é aquilo saindo do buraco na parede??? Uma aranha? Um escorpião??? Aaaahhhh!!!
Era uma aranha armadeira, vindo ver o que acontecia. Além disso, milhares de formigas apareceram e fizeram trilhas pela casa. Velas de citronela, cobrinhas de baygon defumando o ambiente. Na porta do quarto da Cy, surge uma derradeira barata. Enquanto Xan lutava na cozinha, Kuwahara, com a dignidade de um samurai, pegou a havaiana da Dani e adentrou o quarto. A porta se fechou atrás dele. Barulho de chineladas. Tropeções. Depois, o silêncio.
- Será que o Kwa tá bem, Gabi?
- Ele deve estar lutando karatê com a barata.
- Vamos ver?
- Vai na frente. Eu entro lá daqui umas duas horas.
De repente, Kwa surge com a havaiana na mão. Aparentemente, a barata havia perdido a luta. Só consegui dormir porque estava mais cansada do que apavorada.
Na segunda feira, meu corpo todo doía. Músculos desconhecidos latejavam. Minha bunda doía. Minhas pernas doíam. Até mesmo meus braços doíam, devido à minha técnica de escalada de quatro apoios (por vezes cinco, porque caí de bunda em vários momentos). Me recusei a fazer qualquer coisa que não fosse sentar na praia e comer lula tomando cerveja. Um dia de ócio, coroado com um monte de pinga com mel, com gengibre e com canela. Todo mundo rindo bastante.
À noite, a partida de Mau-mau mais engraçada do mundo, com a Elisa sem entender as regras e o resto do povo bêbado o suficiente pra esquecê-las. Paula, sabiamente, se retirou para seus aposentos, embora eu não saiba como ela conseguiu dormir com nossos gritos e gargalhadas, e com a Dani cantando Hang Up, da Madonna, em modo repeat do refrão (time goes by, so slowly...)
Na terça, dia de ir embora. Pegamos o barquinho, voltamos pelo condomínio, paramos numa praia muito linda e gostosa chamada Almada, em Ubatuba. Depois de algumas porções de camarão, bolinhos e açaí, seguimos viagem. Estava preparada para o trânsito de uma vida, mas a viagem foi super tranquila e chegamos cedo em São Paulo.
Ao chegar em casa, chorei de emoção ao acender a luz. Tomei um banho quente e demorado, porque ao olhar para meu pé, pensei: "Nossa, como meu pé está bronzeado..." Só que não era bronze. Era sujeira, mesmo. Me esfreguei com a bucha até quase voltar a minha cor original. Da próxima vez, fico suja. Pelo menos as pessoas vão achar que estou queimada. Deitei e dormi o sono dos justos, porque hoje tinha que trabalhar.
Contabilidade da viagem:
Quilos de lula consumidos: 58
Picadas de mosquito: 12, sendo 4 só no pé
Baratas assassinadas: não o suficiente
Vezes que a Dani cantou Time goes by so slowly: 294
Músculos doloridos da caminhada: 32
Músculos doloridos de tanto rir: 18
Sambas ouvidos: 0
Bronzeado obtido: 1/2
No fim das contas, viagem muito boa, muito engraçada e exatamente do jeito que eu estava precisando. Agora é voltar ao trabalho. Só preciso de uns dias de folga pra descansar dos dias de folga.
Se o pessoal mandar as fotos, eu posto aqui. Olha aí uma foto de lá:
Na sexta feira, depois de algumas reuniões super legais que eu nem quero mencionar, fui encontrar umas amigas pra meter o pé na jaca e esquecer do dia. Três pessoas contaram histórias tão bizarras que achei que tinha que dividir com vocês aqui. Vejam:
O cachorro quente com molho no terreiro - por Adriana
Gente, fui com minha sogra num terreiro na baixada Fluminense... uma bocada!! Pavuna era luxo perto dali. Aí eu resolvi entrar de uma vez, falei pro meu marido: "vamos fazer um estudo antropológica, Abelardo!!" e fomos. Uma coisa louca, um batuque. Aí apareceram mil entidades e começou a demorar muito. Aí eu fui falar com a entidade, né, porque eu já estava ali mesmo, que mal ia fazer eu bater um papo com uma entidade? Aí enquanto em ia chegando perto, no meio daquela gentarada, percebi um espaço meio vazio e fui me enfiando por ali. E de repente percebi que tinha chutado alguma coisa, quando olhei era o ebó. Gente, eu chutei o ebó, farofa por todo lado e um povo gritando comigo... aí eu cheguei na entidade e era um orixá meio criança. sei lá, que chupava um pirulito. E o cara foi falando comigo que eu tinha que me mudar, porque minha casa estava cheia de más influências e tal, e eu só pensava "mas eu acabei de pagar a porcaria da apartamento..." e eu tava com uma baita fome, aí eu falei "vamos embora, Abelardo!" mas estávamos morrendo de fome e aí comemos um cachorro quente com molho dentro do terreiro, e ainda por cima tive que pagar dois reais pelo cachorro quente. Sem molho era um e cinquenta, mas já que eu estava num terreiro na baixada fluminense achei que tinha que comer o molho e tudo.
O assassinato do sapo - por Marcelinho
Aí eu cheguei no sítio do meu amigo. O lugar era o máximo, a gente fez uma super rave, um dj maravilhoso vindo direto de Ibiza... Uma loucura, gente! Todo mundo pulando na piscina, muito whisky com energético, coisa de louco mesmo. Aí era de manhã e eu fui dormir, né, porque não tenho mais 25 aninhos. E quando eu cheguei no quarto tinha uma pedra enorme no meio do tapete. Eu achei estranho, né, porque antes não tinha pedra, mas pensei que era uma brincadeira ou sei lá o quê. Aí eu fui pôr pijama, porque eu tava indo dormir sozinho, não tenho mais 25 anos e tá difícil arrumar companhia. Botei o pijama e a pedra tinha saído de cima do tapete e estava perto da porta. Aí que eu vi que não era uma pedra, era um sapo enorme e horroroso e eu de pijama indo dormir sozinho. Eu dei uns gritos mas ninguém me ouviu, porque lá fora o DJ estava tocando uma seleção de electro muito forte e o povo estava se jogando. Aí eu pensei, "puxa, não tenho mais 25 anos, vou resolver este problema de sapo" e fui até a sala e peguei uma lata de Baygon spray. Voltei pro quarto e espirrei Baygon no sapo. Ele não gostou, e saiu pulando pela porta, eu fui atras espirrando baygon no bicho até ele sair da casa. Depois eu fui dormir e fiquei me sentindo super culpado, porque eu na verdade tinha matado o sapo, porque ele ia repelir todos os insetos e nunca mais ia conseguir comer, né? Mas aí eu pensei, "tô cansado, já passei dos 25, o sapo se vira porque eu tenho que dormir" e deitei e dormi.
O Chá de Daime - por Magali
Minha cunhada mora na Itália mas está passando um tempo aqui. Aí ela me falou que tinha conhecido um pessoal super legal lá na Itália e que eles faziam a cerimônia do Daime num lugar na Fradique Coutinho. Aí a gente foi, a pé, porque a gente não dirige, né? Aí erramos o ponto e tivemos que voltar um pedação. Eu nem sabia o que vestir pra ir nesse lugar, afinal o que é a etiqueta do Daime? Aí eu botei uma batinha e uma sapatilha e achei que tava ótima. E a gente subia e descia a Fradique mas o número que ela tinh não existia. Aí a gente viu uma casa toda doidona e falou: "Bom, deve ser essa mesmo" e batemos, mas não era. Um tatuador abriu a porta e falou que sem hora marcada ele não podia fazer tatuagem e a gente fugiu porque eu nem queria uma tatuagem, imagina, o Marco me mata. Paramos pra tomar um café, aí vimos uma lojinha linda e entramos e eu comprei um vestido de algodão todo estampado, meninas, super fresquinho, sabe? Bom, aí continuamos a procurar, de repente minha cunhada percebeu que a letra dela era muito feia e que na verdade estava escrito outro número no papel. O número era lá do outro lado, subimos tudo de novo e quando chegamos a mulher que abriu a porta falou que o ritual já tinha começado. A gente convenceu ela a deixar a gente entrar, e lá dentro um pessoal muito louco cantava e dançava, tinha uma babando num canto e eu achei que devia ter posto outra roupa porque minha batinha era branca e ia ficar imunda se eu me contorcesse no chão. Aí veio o chá, mas era fedido e eu fiquei com medo e ligamos pro Marco e ele foi buscar a gente e a gente comeu pizza na rua Purpurina e nunca mais a gente foi no Daime.
Depois de ouvir essas três histórias, eu já ria tanto que minha barriga doía. Pra completar, começou a tocar uma música da Tati Quebra-Barraco - eu nunca tinha ouvido, para minha felicidade - e geral começou a cantar... O diálogo era impagável: Eu sou o Bola de Fogo, vamos pra Barra, lugar legal... Já é!! E a galera sabia a letra toda e eu não conseguia nem respirar de tanto que eu ria do Marcelinho cantando a parte do Bola de Fogo e a Adri cantando a parte da Tati.
Viram como meus amigos têm tantos problemas quanto eu?
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Depois dessa happy hour peculiar, a Cyntia se aproveitou do meu leve estado de embriaguez e me sequestrou. Fomos pra Juquehy de novo. Chegando lá, depois de uma restauradora noite de sono, fomos despertados pelo hiperativo Xan, que às 7 da manhã já tinha acordado, ido pra padaria, comprado coisas do café da manhã, posto a mesa, ido até a praia, preparado as pranchas com parafina e tomado banho. Eu coloquei os óculos escuros antes de colocar a roupa, pois minha olheiras batiam no queixo. Fazia movimentos lentos deliberados, pois qualquer coisa mais radical, como tentar falar, gerava dor de cabeça.
Um café preto, uma neosaldina e uma coca cola depois, fomos até a praia e tivemos aulas de surf. A Cyntia estava muito mais dedicada que eu, por dois motivos: ela está apaixonada pelo instrutor e não estava de ressaca. Eu acho o instrutor legal e tudo mais, mas nem tô namorando com ele, né? E a essa altura já estava quase vomitando o café da manhã. Depois de algumas tentativas patéticas, incluindo uma na qual meu biquíni foi parar em alto mar e eu tive que ir nadando de bunda de fora pra buscar, consegui ficar em cima da prancha - deitada, óbvio - e pegar uma onda. De tão divertido que achei, resolvi ficar em pé na onda seguinte.
Foi aí que eu desenvolvi uma técnica mística e secreta, que me proporcionou a capacidade de fazer altas manobras: Eu primeiro ajoelhava na prancha, depois tentava ficar de pé, aí eu dava um salto triplo mortal pra trás (ou pro lado, ou pra frente) e caía de cabeça na areia. Um luxo! 2 vexames depois, consegui convencer o Xan a me libertar, deitei na areia e esqueci do mundo. Cyntia e Kwuahara continuaram a sofrer por horas. Ela gostou tanto que planeja até comprar uma prancha só pra ela.
Semana que vem eu não vou pra praia, juro. Tortura nunca mais!!
Recebi num e-mail de uma menina muito chata que trabalhou comigo há mil anos atrás. Ela é chata, mas eu tenho loucura por questionário, então...
Egotrip
5 coisas que eu odeio fazer
- ficar sem dormir
- passar roupa
- pagar aluguel
- falar com a polícia
- ser simpática com gente que odeio
5 coisas que tenho medo
- Barata
- Trânsito
- Escuro
- Altura
- Sapato alto de bico fino
5 coisas que gosto
- chocolate
- nadar
- cochilar à tarde
- Blues
- gatos
5 coisas importantes no meu quarto
- minha cama
- minha janela enorme
- o guarda roupa
- meu travesseiro
- meus gatos
5 fatos quaisquer sobre mim
- falo sozinha
- vejo TV demais
- não como fígado, jiló e bichinhos fofos como coelho e cabrito.
- gosto do cheiro da chuva
- acordo de noite pra tomar água
5 coisas que eu planejo fazer antes de morrer
- aprender a cantar
- mandar o chefe à merda
- ter um caso oculto, tórrido e proibido
- viajar sozinha
- escrever um livro
5 coisas que eu sei fazer
- bordado
- leitura de tarô
- comida
- falar sem parar
- achar coisas perdidas
5 coisas que eu não sei ou não vou fazer
- não sei calar a boca
- não sei cantar
- não vou aprender a dançar axé
- não vou aprender matemática
- não sei cuidar de criança
5 coisas que eu acredito
- o David Coperfield voa de verdade
- Big Brother tem roteiro
- há bondade no mundo
- amizade entre homem e mulher
- chocolate é o néctar dos deuses em forma sólida
As 5 coisas que eu mais falo
- Como assim?
- Ah, meu...
- Caralho!!!!
- Vamos combinar que nem dá?
- Peraeeeeee
5 celebridades por quem tenho um apreço especial
- Angelina Jolie
- Paul Newman
- Jesus Cristo
- Tarantino
- Umberto Eco
5 pessoas que têm que responder isso AGORA
Todos os meus fãs e amigos que lêem esta porcaria. Respondam, estou mandando. AGORA.
E essa sou eu pondo ordem na casa. Nossa, que medinho. Respondam se quiserem, pronto.
Hoje é dia da Mulher. Já recebi vários e-mails me congratulando, falando da maravilha que é ser mulher, a sensibilidade, as lágrimas, a beleza de gerar uma nova vida e por aí vai.
Acho engraçado que no calendário não haja um dia do homem. Não é estranho? A gente poderia mandar e-mails para eles falando sobre a maravilha que é ser homem, sobre a força, a decisão, a beleza de contribuir para a geração de uma nova vida e assim por diante.
Por que será que não há dia do homem? Nem do orgulho branco? Mas há dia da mulher e do orgulho negro... Hum....
Será que é porque, mesmo sendo cerca de 55% da população brasileira, as mulheres ainda são vistas como minoria?
Foda-se a beleza de gerar uma nova vida; vacas fazem isso regularmente e não há um dia da vaca.
Foda-se a nossa sensibilidade; crocodilo também chora.
Maravilha de ser mulher vai ser no dia em que meu salário for igual ao dos meus colegas homens, que eu não seja julgada por fazer o que quero ou dizer o que penso, que quando for promovida as pessoas não achem que é porque dormi como chefe, que quando fizer uma entrevista de emprego o selecionador não pergunte se penso em ter filhos, que eu possa sair na rua sem ter que ouvir cantada idiota de pedreiro.
Mulher tem que aguentar muita coisa mesmo.
Homens e mulheres não são iguais, graças a deus. Nem têm que ser. No meu mundo ideal, mulher pode ser jogadora de futebol e homem pode ser bailarino sem que suas sexualidades sejam questionadas. Mulher pode ser dona de casa, se quiser, ou pode ser uma super executiva.
Não quero saber das escolhas pessoais de cada uma. Só queria que a sociedade parasse de nos enxergar como o sexo frágil, que precisa ser protegido e homenageado, que tem que ter seu dia especial e ser colocada num pedestal, mas que na prática continua a oprimir.
Nada de feliz dia da mulher. Pelo menos não com dia marcado.
Me Chama Que Eu Vou
Sidney Magal
Composição: Sidney Magal
Seu corpo estremece e já não consegue parar
Seu sol se espalha na pele fazendo suar
Seu ritmo é quente bate que bate com emoção
Te abraço, te roço, te esfrego, te sujo então
A fruta é madura e da árvore não vai cair
A roupa lambuza num jeito que é bom repetir
São cinco elementos apunhalando o coração
O fogo, a terra, a água, o ar e a paixão
Hey,eh-ô eh-ô!
Me chama que eu vou!
Te sinto por dentro te levo na palma da mão
Te toco no centro te abro tesão
Brincando, bolindo, ardendo sem medo do prazer
Cara de diabo vontade de ter
É mesmo um luxo é lógico que é sensual
É um doce pecado melhor que o original
São cinco elementos apunhalando o coração
O fogo, a terra, a água, o ar e a paixão
Hey,eh-ô eh-ô!
Me chama que eu vou!
Porque quando eu vou num karaokê é pra chutar o balde.
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Diálogos que vivi hoje:
- Que cara é essa?
- Que cara, Sol?
- Cara de quem sabe alguma coisa que eu não sei.
- Eu sei um monte de coisa que você não sabe.
- Ah, é? O quê?
- Que a gente tá perdida. Vai, pergunta praquele cara onde fica a rodovia Indio Tibiriçá.
- ô moço! Onde mora o índio Tibiriçá???
- Não, é onde fica a RODOVIA Tibiriçá...
- Ah, tá... Não moço, é a rodovia... como? você é parente do índio Tibiriçá? Tá vendo, Gabi, eu sabia que a gente tava perto... Ah, tá... virar na rotatória... sei, seguir por onde? Anchieta? Pô, Gabi, dava pra ir pela Anchieta, hein?
- Pelo menos eu percebi que a gente tá perdida. Pergunta pro índio se tem um posto por aqui.
- Tem posto por aqui, moço? Ah, só no quilômetro 50 da Anchieta? E a gente tá onde mesmo? Ah, faltam 20 quilômetros pra chegar na Anchieta...
- Sol, eu não tenho gasolina.
- Quer que peça pro índio empurrar?
- Não.
Alguns quilômetros depois, o mostrador de gasolina no talo, vejo um posto:
- E aí, páro?
- O índio indicou o outro... vai que esse é amaldiçoado?
- Sol, ele nem era índio...
- Era sim, o índio tibiriçá... pára logo aí pra abastecer senão eu vou ter que empurrar esta josta...
- Tá, tô parando...
- Mas diz logo: o que você sabe que eu não sei?
- Um monte de coisa...
- Você tá tendo um caso, né?
- Mas eu nem sou mais casada !!! Por quê todo mundo acha que eu tô tendo um caso?
- Sua pele está ótima.
- Eu passo cremes!
- Você está morena.
- Solemar, é o sol, Solemar!!!!Eu fui pra praia, porra!
- Nada. Isso é um caso.
- Ai, meu deus.
Já em nosso local de trabalho....
- Então, Edilson, você precisa mudar tal coisa e assim assim...
- Gabi, você vai contar ou não?
- Contar o quê?
- Do seu caso ardente!
- Solemar, eu não estou tendo um caso e ponto final.
- Então me dá o telefone do seu dermatologista. Sua pele está ótima.
Eu adoro trabalhar com essa mulher.
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Diálogos que queria ter vivido hoje:
- Alô!
- Oi, Gabi, é o Brad.
- Oi, Brad.
- Tô ligando pra dizer que estou loucamente apaixonado por você.
- Mas e a Angelina?
- Ela também está apaixonada por você.
- Ah, que bom.
- Tõ mandando o jatinho pra te buscar. A gente vai passar uns tempos na Polinésia Francesa.
- Ok, mas quem vai dar comida pros gatos?
- Pode levar. Eu adoro gatos.
E aí eu acordei no sofá e vim postar isso tudo. Droga.
A prova de Francês, o Deficiente Físico e o Guarda Chuva
Ver o sol nascer é muito bonito. Ver um caminhão de cabras no meio da Marginal não é bonito. Cheirar o caminhão é pior ainda.
Conversar muito e converter pessoas é ótimo. Pensar em comunidades bizarras para o Orkut também. Só preciso de uma imagem...
Chegar pra trabalhar com sono e encher a cara de café não é muito bonito. Match Point é bonito. Filmão. Pouco woodyalleniano, se assim posso dizer. Mas muito bom.
Fiquei devendo uma história ontem:
Colégio de São Bento, circa 1990. Sétima série. Tínhamos aula de francês duas vezes por semana, e eu que sempre tive dom para línguas estrangeiras era a segunda da classe, atrás do Cléber, meu izinho de bairro. A mãe dele era francesa e nos dava aula sempre.
O Cléber era um aluno dois anos mais velho, que tinha parado de estudar várias vezes, porque tinha um problema seriíssimo de saúde nas pernas e de vez em quando se internava para cirurgias e tratamentos. Ele mancava, usava muletas e de tempos em tempos aparecia na escola de cadeira de rodas.
Pouco tempo antes disso, meu pai havia falecido. Então eu e Cleber éramos as grandes vítimas do colégio: a órfã e o aleijado. Éramos respeitados até pelos alunos mais velhos e agressivos, aqueles que intimidam os demais e roubam dinheiro do lanche. Éramos quase intocáveis, e isso nos levou à inevitável amizade e à parceria em diversos crimes, como invadir o jardim do claustro e espantar os pavões, roubar bolas da sala de educação física e pedir refri de graça na cantina.
Nas poucas vezes que éramos pegos - maldito Cleber, não conseguia correr rápido o suficiente! - simplesmente alegávamos que estávamos em grande confusão mental, que ele era aleijado e eu órfã. Aí as pessoas tinham dó e nos deixavam ir com uma advertência verbal.
Um dia, houve uma prova de francês. Eu e Cleber havíamos estudado bastante, com ajuda da mãe dele que além de dar aulas de francês fazia um croissant divino. Motivada mais pelo estômago do que pela língua estrangeira, confesso que não me ative tanto à matéria, mais entretida em mastigar croissants.
A professora entrega a prova. Com os croissants fermentando no estômago, li a primeira questão. Tínhamos que traduzir algumas frases para o português. Ali pela linha 3, estava o seguinte (ou algo parecido, já nem lembro mais):
“Il pluie. J´ai une parapluie”
Eu levanto a mão, indignada:
- Professora! Que história é essa de paraplégico? O Clebão só é meio ruim das pernas! Que preconceito!
- Gabi, não é bem isso que está escrito.
- Lógico que é. Aí, Cleber, olha que absurdo!
- Cala a boca que você tá falando besteira.
A professora me pega pelo braço e me tira da sala. Os colegas se entreolhavam tentando entender o meu processo mental. Coitados. A pobre mulher, calmamente, me explica.
O que estava escrito: “Chove. Eu tenho um guarda chuva.”
O que eu li: “Chove. Eu sou um paraplégico.”
Engano perfeitamente compreensível.
Voltei pra sala de aula completamente vermelha e sentei do lado do Cleber.
- Desculpa, cara. Era guarda chuva.
- Sei lá, eu só uso muleta.
Clebão foi o primeiro cara que me ensinou a lição da tolerância e essa é uma daquelas histórias agridoces que me fazem rir e chorar. Dois anos depois Cleber passou por mais uma cirurgia e dessa vez não voltou. Nem de muletas, nem de guarda chuva. E o colégio ficou sem seu aleijado e sem sua órfã, porque no colegial eu mudei de escola. Mas lá no jardim os pavões passeavam impunemente, sabendo que finalmente teriam paz. Pelo menos até o próximo aleijado ou até a próxima órfã.
Na sexta feira, durante a chuva, fui cortar o cabelo. Fui ao SoHo com a idéia de dar uma cortadinha e tingir, porque estou tentando voltar às minhas raízes louras naturais.
- Oi, Adílson. Queria acertar o corte e dar uma tingida. Olha a raiz, queria deixar tudo dessa cor.
- Hummm... não vai dar.
- Como assim?
- A cor do seu cabelo não existe.
- COMO ASSIM?
- É tipo um louro escuro acinzentado com um fundo dourado...
- Ceeeeeerto....
- Então vamos abrir umas mechas e fazer um corte moderno.
- Er... Não. Valeu. Corta as pontas e boa.
Além de escorregar na porta do trampo e todo mundo rir da minha cara, o japonês cabelereiro se empolgou e cortou bastante meu cabelo. Felizmente, meu cabelo cresce rápido e o estrago vai durar pouco.
Depois de um descanso merecido, fui com Lelê pra balada.
Começamos no Rose Bombom, onde percebemos que tem muita coisa que a gente ainda não fez nessa vida, como sair de espartilho na rua ou usar um colar atravessado no peito. Depois de umas poucas caipirinhas e cervejas e muitas risadas, fomos cooptadas pela Mari pra ir ao amp, onde estava ocorrendo uma festa hardcore.
Eu de salto alto e escova no cabelo, me preocupei um pouco por estar usando uma roupa inadequada ao ambiente. Ao chegar lá, percebi que eu era toda inadequada ao ambiente. Os frequentadores mais velhos haviam nascido pelo menos no meio da década de 80, quando eu já estava no ginásio. Me sentindo a tia velha, fui ao banheiro. Lá, vivi momentos de assédio:
*Gabi entra no banheiro. Uma mulher de shorts preto entra atrás*
- Pois não?
- Você tem pó?
Pensei na minha casa que não era aspirada há algum tempo, e que realmente estava cheia de pó. Depois, olhando bem para a aparência da moça, percebi que não era a esse tipo de pó que ela se referia.
- Não, não tenho.
- Pô, ninguém tem pó nessa balada!! E aqui só tem criança.
- Verdade.
- Mas e aí... você tá a fim?
Considerei as implicações diversas da pergunta. Eu estava a fim de muitas coisas, como fazer xixi, mas analisando bem a situação e o olhar lânguido que a criatura me dirigia, percebi qual seria a melhor resposta.
- Er... não. Valeu.
- Ah... Meu nome é Ísis, viu? Te vejo na pista...
Ísis saiu e eu pude finalmente fazer xixi. Saí correndo do banheiro e pedi pra Lelê me proteger.
Uma balada divertidíssima, no fim, exceto pelos diversos momentos em que me escondi da Ísis.
Nota mental: da próxima vez que disser pra Lelê que quero sair pra dançar até cair, esclarecer bem que não é "beber" até cair, mas sim "dançar". Dançar, Leonor!!!!
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No sábado, depois de mais algumas neosaldinas e muitos litros de água, aspirei a casa antes que a Ísis aparecesse atrás de pó e assisti um filme fofo: Quatro amigas e um jeans viajante, filme de menina total. Apesar do que possa parecer, não é um filme bobo e um melodrama barato sobre quatro meninas de 17 anos. É bom, bonitinho, bem escrito, com boas interpretações. Confesso que derramei umas lagriminhas ao me reconhecer em algumas daquelas situações. Mas é filme de mulher. Mesmo.
Tomei um banho, lavei o cabelo e conforme ele foi secando percebi que o Adilson tinha me deixado com um cabelo moderno, no final. Uma mistura entre Meg Ryan e galinha louca. Parece o corte da Zela Duncan. Maledeto.
Fui pra casa da Cy matar o tempo e contemplar a bolha de amor formada por ela e pelo Xan. É tão fofinho que dá náusea. Depois de algumas horas de risadas com o pessoal, voltei pra casa e dormi. Loser que é loser não sai de sábado, dorme na frente da TV assistindo alguma coisa bem estúpida.
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Pelo menos consegui acordar cedo no domingo e fazer minha caminhada. Fui no parque em frente a MTV e depois de várias voltas andando, arrisquei uma corridinha. Quase morta, cheguei até a barraquinha de água de côco e sentei no banquinho, roubando o lugar de uma cara de dreadlocks e... era o Paulinho Moska. Eu roubei o lugar do Paulinho Moska. Dane-se. Fui pra casa tomar banho.
Domingão, almoço de família. Mas como tudo na minha família, completamente bizarro: minha tia queria nos apresentar sua nova amante lésbica.
Fui buscar a mamãe.
- Mãe, que blusa é essa?
- Comprei ali na lojinha...
- Mas isso aí é um desenho de folha de maconha.
- Aonde? Isso é mandioca!!!
- Maconha, mãe. Não é mandioca.
- Putz. E eu fui na padaria com ela agorinha mesmo...
- Minha mãe, a velha maconheira de Higienópolis.
- Filha!!!!
Durante o almoço, minha mãe decidiu que vai fazer uma tatuagem, depois de ver as novas da minha tia.
- Como assim tatuagem, mãe?
- Sei lá, uma rosa, uma flor..
- Bom, combina, agora que você está fumando maconha...
- Filha!!!!
Eu também vou aumentar uma das minhas tatoos e fazer mais duas. Não sei com que dinheiro, mas vou. Minha mãe quer fazer uma tatuagem no pescoço. A véia tá louca. Mas eu dou o maior apoio.
Quanto à namorada, a moça é simpática e parece ter boas intenções. É libriana e gosta de animais. Tá, tudo bem, pode namorar minha tia.
Na sequência, jogo do Timão no Morumbi. Fomos eu, Cy, Xan e Kwuahara. Cyntia é são-paulina, daquelas bissextas, que só torce uma vez por ano. Ela foi no estádio por pura prova de amor ao Xan, que é corinthiano. Que lindo.
O jogo foi um desperdício de dinheiro. O Corinthians jogou muito mal, abriu as pernas pra bicharada. O único que parecia estar interessado em jogar foi o Nilmar, que além de fazer o "gol de honra" ainda estava em todas as jogadas e finalizações. Pelo visto, vamos perder o Paulista e a Libertadores. Tô até rouca de tanto xingar, mas pelo menos fui pedida em casamento.
Eu lá, na arquibancada, camisa preta do Timão, descabelada, xingando tudo e todos. De repente, o Rycharlison cai e fica lá, rolando e segurando o joelho, na clássica pose "juiz marca a falta por favor". E eu berro:
- Levanta, sua bicha! Que foi, quebrou a unha???
Do meu lado tinha um torcedor com touca e sem dentes. Ele se vira e diz:
- Casa comigo?
- Como assim?
- Pô, mina, você vem no estádio e ainda chama o cara de bicha... Pô, casa comigo.
- Er... não. Valeu.
E eu estava sendo bem mais sincera do que com a Ísis.
Depois de tudo isso, fomos pra casa do Matheus comer uma pizza e o Xan fez lula grelhada pra nós. Não sei se foi a lula ou o jogo, mas essa noite passei mal e fiquei a noite toda no banheiro. Hoje, muita água de novo. Ainda bem que minha mesa é do lado do banheiro.
E aí que agora eu virei uma atleta real. Indo caminhar quase diariamente no parque da sabesp na frente da MTV. Como eu vou num horário ridiculamente matinal, minhas companhias são:
- velhinhas fazendo tai-chi
- velhinhas fazendo dança do ventre
- velhinhos caminhando alegremente
- um velhinho que corre bemmais rápido que eu e nem sua
- um velhinho com uma cicatriz gigante no peito, com certeza fruto de uma cirurgia cardíaca
- o Paulinho Moska. Acho que ele está morando lá no parque.
Por incrível que possa parecer, tomei gosto pela coisa. Faço um alongamentozinho básico, depois começo a caminhar. Na primeira volta, tudo dói: pernas, braços, bunda, barriga. Depois de mais ou menos uns 500 metros, ou duas voltas no parque, a endorfina bate e vai direto pro cérebro.
Aí é uma delícia. Entra no ranking de coisas boas, bem abaixo de chocolate, mas entra.
Próximo passo: conseguir correr umas três voltas sem desmaiar na barraquinha de agua de côco.
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Ontem fui até a Baixada Santista acompanhada de Solemar. Dessa vez, sequestramos também o Roberto, pra tentar contrabalançar o estrogênio do carro. Não que tenha adiantado, apesar de Roberto ser um negão de bigode que é a cara do Eddie Murphy.
Ainda na descida da serra, começamos a nos queixar de nossa vida proletária, de nosso sofrimento para ganhar umas patacas no final do mês. E pensamos como os diretores devem viver bem:
- Gente, salários nababescos!
- Mas de quê adianta? Os caras trabalham tanto que nem dá pra curtir a grana...
- Verdade... esses caras não sabem o que é se divertir, pegar um cinema, fazer uma lipo...
- Como assim, Solemar?
- Ah, sei lá, se eu tivesse grana ia fazer uma lipo, pô!
Aí já na avenida da praia, um chevette com três manos parou do nosso lado e, ignorando o Roberto, começou a mandar beijos. Ou os beijos eram para o Roberto, vai saber.
- Solemar, acho que é com você...
*Sol abre o vidro do carro*
- Volta pro mar, monstro!!!!!
- Solemar!!!!
Depois, já em São Paulo, tentamos fugir do trânsito e cortamos pelo centro. E eu, muito didática:
- Gente, aquela é a estátua do Duque de Caxias. Ela é oca e está cheia de morcegos dentro.
- É o cara do Independência ou morte?
- Não, maleta, esse é o Dom Pedro...
- Então o que esse cara tá gritando em cima de um cavalo com a espada na mão?
- Sei lá!
- Deve ser: "Socorro, minha barriga está cheia de morcegos!"
- É, deve dar cosquinhas.
Amulher mais saudável do mundo, a lésbica, a bêbada e o velhinho tarado
A mulher mais saudável do mundo sou eu!
Ontem fui ao endocrinologista levar o resultado de uns exames. Tá lá, preto no branco: eu sou uma pessoa absolutamente saudável. Roam-se de inveja, pessoas pouco saudáveis:
O fato é que o dotô quer que eu perca exatos 7 quilos, ao longo de três meses. Eu vou dar o melhor de mim!
Mas convenhamos se Deus quisesse mesmo que eu fosse bem magrinha, teria inventado o chocolate e o Mojito?
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Aí ontem saí com a mulherada casada que trabalhava comigo. Fomos assistir o Quasímodo, no Grazie a Dio. Essa banda toca músicas pra dançar loucamente, como Gloria Gaynor, Sidney Magal, Wilson Picket e quetais. E essa era nossa intenção: dançar até cair.
Pegamos uma mesinha meio lateral porque algumas das casadas não dançam e gostam de ficar de lado olhando. Eu e algumas das outras, mais assanhadas, já chegamos tomando Mojito e balançando os quadris.
O público do local se dividia em quatro grupos: um aniversário, uma mulherada na caça (não éramos nós), três pessoas numa mesa de canto e nós.
Depois de algum tempo, o pessoal do aniversário se divertia horrores. Todo mundo dançando, os caras que tinham ido direto do trabalho afrouxando a gravata, um casal finalmente se beijando depois de sei lá quanto tempo de desejo mútuo, uma moça subindo na mesa, enfim, aquela libertação bonita de se ver que só é conseguida com soul music e álcool.
As moças caçadoras ficaram um pouco desapontadas, porque havia cerca de 4 caras heteros disponíveis, sendo que três deles eram os garçons e o quarto vou falar mais abaixo. Mas o álcool faz milagres e não demorou muito para que todas subissem no palco pra dançar ao som de Gretchen. Piripiri piririri!
Enquanto isso, observamos a mesa ao lado:
- Gabi, é a Cassia Eller.
- Bom. Ela morreu, e isso aí é um cara.
- É nada. Tem peito.
- Aonde?? Isso aí é músculo...
Apurando a vista, vi que a pessoa em questão realmente tinha peito e realmente se parecia com a Cássia Eller. A moça (ou não) parecia feliz e dançava sem parar, batendo palmas e pulando.
Na mesma mesa, uma outra moça, esta loura e de óculos, entornava doses de whisky, sem parar. Eu contei 4, em apenas uma sequência de músicas. Ela não parecia feliz, não dançava e estava à beira das lágrimas. Gritou com o garçon algumas vezes e de vez em quando soltava suspiros profundos e olhava para cima, com a mão no queixo. Só pude concluir que se tratava de um caso de tenebrosa dor de cotovelo.
Por fim, junto com esta estranha dupla, havia um senhor de uns 65 anos. Cabelos brancos, óculos, terno, barriga. O kit completo. Muito perfumado, o velhinho gostava de dançar. Pensei com meus botões:
"Perfumado e dançarino, amigo da lésbica e da bêbada, só pode ser o amigo gay delas que veio acompanhar!"
Orgulhosa de minha sagacidade, continuei a saltitar sem derrubar meu Mojito. Ledo engano. Dali a pouco minha amiga sente uma mão na sua cintura:
- Oi! Qual o nome dessa banda?
- Quasímodo!
- Como?
- Quasímodo.
- Puxa, que legal! E o seu nome?
- Sou casada!
- Que belo nome! Eu sou o Carlos e...
Minha amiga conseguiu se desvencilhar do abraço amigo, deixando apenas uns fios de cabelo emaranhados nos dedos do Carlos.
De repente, a banda resolveu fazer um momento bailinho, para estimular a convivência e a confraternização entre os sexos. As mulheres disponíveis começaram a se estapear pra tentar pegar uns dos 3 caras heteros, que a essa altura já estavam bêbados e não conseguiriam jamais dar um passo de dança coerente. Eu ali, na pista, incauta...
- Oi! Eu sou o Carlos! Quer dançar comigo?
Dentro do meu peito um sentimento estranho aflorou. Como meu pai morreu quando eu tinha 12 anos, eu não tive a oportunidade de dançar com ele em minha festa de 15 anos - que nunca existiu. Mas considerei a situação e decidi que era melhor não. Se fosse para eu ter sentimentos edipianos, que fosse com o Sean Connery ou o Paul Newman. Não com o Carlos. Respondi rapidinho:
- Não, obrigada! Eu vou dançar com ele!!!
E puxei um cara que estava ali do lado. E o cara:
- Aiii! Não me puxa, santa, que eu não gosto dessas coisas!
- Pelamordedeus, dança comigo!
- Odeio mulher desesperada...
- Pleeeeeeaseeeeee!
- Mas eu nem gosto de mulher, louca!
- Eu sei, querido meu gaydar tá apitando há horas na sua direção, mas me salva dele!
- Ai, tá bom!
Fazendo um sinalzinho pro amigo que o acompanhava, o rapaz dançou comigo durante toda a Total Eclipse of the Heart - e olha que a música é longa. Ele se chamava Luís e estava ali com um amigo que ele ia tentar pegar até o fim da noite.
- Dá uns Mojitos pra ele.
- Boa idéia.
Múscia terminada, começou a tocar mais Gloria Gaynor. Luís e seu amigo começaram a dançar loucamente, eu e minhas amigas idem. Enquanto isso, Carlos mostrava todo seu suingue se equilibrando na escada com o copo na mão e fazendo passinhos de dança.
No fim da noite, cansadas, fomos todas embora em bando. Carlos continuou lá, dançando feliz e sem deixar cair uma gota de whisky. a bêbada chorava na mesa e a Cassia Eller se agarrava num canto com outra mulher. Ou outro cara. Luis e seu amigo se entenderam bem e foram pro Motel. E eu fui pra casa porque hoje era dia de trabalhar.
Conclusão: quando eu tiver 60 anos, quero ser que nem o Carlos: bêbada, sem noção, tentando pegar meninos com idade pra serem meus netos, tomando whisky na escada sem cair e não tendo hora pra ir embora.
Eu gosto de estar certa. Mas nem sempre. Por vezes, tudo que eu queria era estar errada. Mas já haviam me dito que eu era esperta demais pro meu próprio bem.
Por isso eu digo que odeio estar certa; e odeio ser forte o suficiente pra agüentar as coisas. Odeio ter estrutura. Queria ser bem fraca. Bem frágil; e sofrer até morrer de tuberculose, que nem mocinha romântica de novela das seis.
Ou queria ser louca, daquelas que quebram tudo e jogam as coisas pela janela. Que gritam e arrancam os cabelos. Que dão tapa na cara. Que vão tirar satisfação.
Queria ser bem cínica e esperar sempre o pior das pessoas. Queria ser pragmática e saber que às vezes as coisas acontecem exatamente da maneira que devem acontecer. Queria ser furiosa e perder o controle. Queria ser zen e saber que tudo passa. Queria ser poliana de verdade e achar que tudo vem para o bem. Queria saber onde colocar essa raiva toda.
Não queria ser inteligente e saber as coisas antes de saber de verdade. Não queria ser realista e saber que a vida é assim. Não queria me sentir estranhamente feliz agora. Não queria ir trabalhar daqui a umas poucas horas. Não queria estar no controle da minha vida e conseguir lidar com coisas que me afetam de maneiras que não podia imaginar. Não queria me sentir absolutamente livre. E surpreendentemente leve. Não queria achar alguem pra culpar.
Eu não sei do que sou capaz. Eu me assusto comigo às vezes. E noutras vezes olho no espelho e nem reconheço os olhos que me encaram de volta.
Hoje me pediram perdão. Como é que eu posso perdoar alguém? Cada um é guardião de sua própria consciência e eu não posso interferir nisso. O importante a respeito de karma é só isso: ele volta pra morder sua bunda.
Eu queria fazer um texto coerente. Mas são quase quatro horas da manhã e não vai ser possível.
Eu escrevi um e-mail também, que eu não vou mandar. O diabinho pousado no meu ombro mandou eu postar aqui. Mas eu sou uma moça fina e elegante e não farei isso.
E como eu nem quero ficar batendo aqui na mesma tecla, vou contar pra vocês uma história que aconteceu com a minha tia há muitos anos atrás.
Minha tia era uma jovem recém casada e morava na rua Frei Caneca, o que é uma grande coincidência, uma vez que hoje ela é uma senhora lésbica e frequenta o shopping Frei Caneca. Mas vamos à história.
Ela trabalhava na finada Fiorucci, loja de roupas da moda nos idos de 1985. Um dia, chegando do trabalho meio tarde, mas ainda assim antes do marido, foi lavar roupas na área de serviço. Foi quando ela percebeu um barulho estranho debaixo do tanque. Ao observar melhor, notou que de lá escorria uma estranha baba, um líquido pegajoso, transparente e gosmento.
Ela esticou o pescoço lentamente e viu o brilho de dois olhos que a encaravam fixamente. Um assobio altíssimo partiu do monstro, e minha tia saiu correndo e bateu a porta da área de serviço.
Trêmula, ligou para o zelador:
- Seu Antonio?
- Não, dona Marília. É o filho dele. Meu pai deu uma saída.
- Então sobe aqui por favor... preciso de ajuda pra matar um bicho.
Ela achou melhor não mencionar a baba e os assobios pra evitar pânico. O rapaz toca a campainha, entra, vai até a área de serviço, analisa a situação. Recua.
- Dona Marília, a senhora tem uma arma?
- Er... não.
- E um espeto? A senhora tem um espeto?
- Não.
- Então não posso fazer nada. Tô descendo. Se meu pai chegar eu peço pra ele subir.
Minha tia, desconsolada, assustada, apavorada, sentou-se no banquinho da cozinha com uma faca na mão até o marido chegar.
- Luís, tem um monstro debaixo do tanque!!
Ele foi até a área de serviço, cautelosamente, entender o que exatamente era um monstro. Voltou, foi até o quarto e retornou com uma caixa de sapatos na mão. Com um gesto rápido, capturou o terrível animal. Foi até a janela e abriu a tampa. Um morcego de mais ou menos 7 centímetros, desorientadíssimo, saiu voando meio torto.
Minha tia pôde enfim lavar roupa e seu marido se sentiu muito útil e heróico. O morcego conseguiu voltar para seu lar, casou-se e teve 5 lindos morceguinhos.
Eu adoro finais felizes.
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Descobri porque Isis e Carlos não puderam resistir ao meu charme. Até mesmo Luís, o gay, não pôde resistir ao meu convite para uma dança.
Meu shampoo é afrodisíaco.
Juro.
Ontem fui tomar banho, e ao ler o rótulo do shampoo, lá está, depois de dizer que o produto é ótimo, desenvolvido por especialistas e tal:
"Seu perfume exclusivo apresenta notas quentes e afrodisícas, como sândalo, jasmim e ylang ylang, que ganham um caráter brilhante e efusivo, deixando você sofisticadamente atraente."
Apesar de não conseguir compreender exatamente o que é um cabelo efusivo, o efeito afrodisíaco confere.
Só largo meu cartão de crédito depois de abrirem meus dedos mortos
E aí eu fui almoçar com a minha mãe ontem. No shopping West Plaza. Em dia de jogo no parque Antartica.
Assustada com o enorme número de palmeirenses que vagavam por lá, mamãe propõe:
- Vamos na Renner ver umas blusinhas...
Tradução: vamos comprar desbragadamente e estourar o limite do cartão Renner.
Fomos. Enchemos duas sacolas com milhares de peças de roupa. Para entrar no provador, você deve estar com no máximo 10 peças. Cada uma de nós teve que fazer três viagens. Mesmo.
Eu peguei os tamanhos que estava acostumada a comprar. Experimentei uma saia tamanho M. Ficou grande. "Corte largo", pensei com meus botões. Na seqüência, experimentei uma calça 46. Enorme. Peguei a 44. Grande. Cheguei na 42. Serviu confortavelmente, sem ficar justa nem nada. Ia pegar a 40, mas achei que seria um desplante. A saia, tamanho P.
Só as blusas que continuam grandinhas. Os ombros delicados como os do King Kong não permitem diminuir muito o manequim, sabem?
Feliz com as compras em tamanhos menores, comemorei comendo um suflê de chocolate, com calda de chocolate e sorvete de creme, indecentemento gostoso.
Endorfinas, endorfinas.
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Enquanto isso, no sábado, fui ao Teta Jazz Bar. Logo na entrada, o pequeno físico lamenta:
- A música aqui é boa, mas tem uma coisa ruim...
- Qual?
- O cara ali na porta acha que eu me chamo Jersom. Com jota e eme.
- Acontece.
Depois, horas de Miles Davis, Coltrane e quetais. Uma banda fantástica, com um baterista impressionante. Eu sempre me impressiono com bateristas de jazz. Pura inveja.
O Teta é um lugar ótimo. O Penin tomou Mojitos, eu tomei caipirinhas de saquê e o Gerson tomou conhaque. Porque quem é físico não perde tempo com bebidinhas leves. Comemos pastéis e discutimos variados assuntos, como política, futebol e mulher. Porque eu sou praticamente um cara.
Eles comentaram que minha pele estava ótima. Neguei até o fim. Ou quase.
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Update: a máquina de café do trampo está quebrada.
Aí ontem, quase na hora de ir embora, cansada e estressada, sem café, a Cyntia me manda um e-mail: "Vamos jantar juntas".
Tradução: vamos comer salada de grão de bico e fingir que gostamos.
Fui pra casa dela, comemos saladinha, comemos manga e abacaxi, assistimos séries da Warner estreladas por louras.
Falamos do caso secreto que eu não estou tendo, do relacionamento à distância dela, da mãe dela, da minha mãe, do meu cabelo, do nosso regime, do trabalho, de não ter dinheiro, de ex-maridos filhos da puta, de fazer exercícios, de amigos que vão morar longe, de coisas que fazem bem pra pele, de procurar apartamento, de ter quase 30 anos, de fazer coisas que te deixam feliz, de outras que te deixam triste, de não dormir, de pescar, de ir no cinema, de perder o fôlego, de segurar o ar.
E isso só nos intervalos das séries.
Aí eu fui pra casa e tava tocando no rádio uma música que me fez lembrar que coincidências não existem mesmo:
Groove Armada
My friend
Whenever I'm down
I call on you my friend
A helping hand you lend
In my time of need
Listen..
Whenever I'm down
And all that's going on
Is really going on
Just one of those days
You say the right things
To keep me moving on
To keep me going strong
Whenever I'm down
Apesar dela não ler isso aqui, me senti obrigada a deixar registrado. Porque amigas mesmo eu tenho pouquíssimas, de contar nos dedos de uma mão. E se não fossem por elas, oh my god.
Sabe o que é gostoso delas? Elas não me perguntam como estou. Uma me dá salada, outra me leva no estádio, outra me faz rir que nem idiota com piadas muito retardadas. E eu falo, falo, falo... e elas falam, falam, falam... Não é uma conversa. São dois monólogos simultâneos e surpreendentemente coerentes e complementares, que servem para que ambas as partes tirem um peso danado de seus ombros.
Tá certo que a música aí em cima fala de momentos em que estou triste, mas não é só nessas horas que as amigas se apresentam. Elas surgem também quando eu estou feliz, e me deixam ainda mais feliz. Amiga é como se fosse um chocolate em forma de mulher.
Hoje à noite tem jantar de amigas na casa da Danni. Funciona assim: cada amiga pode levar uma amiga. Aí junta um bandinho de mulheres, todas conhecidas em maior ou menor grau. E a gente janta e fala besteira.
Também tem que levar um prato de doce ou salgado. Umas vão levar salada, tortas salgadas, sopa fria.
Eu, é claro, que sou a italiana que engorda a todas, vou levar uma torta de chocolate bem cheia de calorias.
Ah, e sempre tomamos vinho. Um perigo.
Mas antes vou passar na Renner: a calça vai ter que ser tamanho 40 mesmo.
(obrigada Senhor obrigada obrigada obrigada)
- ... porque o namorado da Cyntia é hiperativo...
- Ele não é meu namorado, Gabi.
- Tá, então o cara que a Cyntia sai direto, do qual ela não pára de falar, que acabou de ligar no celular dela e vocês ouviram o mimimi momomó, que apresentou ela pra mãe e leva ela pra viajar de casalzinho com os amigos, mas que não é o namorado dela, é hiperativo.
- Bom, quando você coloca desse jeito...
2.
- Se enrolar com homem casado é uma merda. Eles nunca deixam a mulher!
- Só o meu, né?
- Ah, Gabi... mas ele é burrinho...
3.
- Ai... ninguém trouxe uma frutinha pra sobremesa?
- Vamos parar com essa hipocrisia. Passa essa torta de chocolate pra cá que eu vou comer mais um pedaço.
- Lidere-nos, Gabi!
4.
- Eu tô nadando todo dia...
- Eu tô fazendo academia...
- Eu tô com uma personal trainer...
- E eu ando no parquinho na frente da MTV, tento correr, desmaio na barraquinha de coco e encontro o Paulinho Moska diariamente.
- Pô, Gabi, porque sempre você faz as coisas mais bizarras?
- É um dom divino.
5.
- Ok, quem não está sendo bem comida aqui e gostaria de fazer um protesto levante a mão!
6.
- Eu vou no estádio amanhã ver o Timão.
- Mas você fica lá, no meio da Gaviões?
- Claro.
- Nossa.... aquele monte de homem suado...
- É, o cheirinho não é dos melhores mesmo.
- Me leva?
- Sua pervertida!!
- Não. Mas eu fui uma das únicas levantando a mão agora há pouco!
- Putz.
7.
- Terminei tudo com o André. Ele me traiu com uma idiota.
- E eu descobri que meu ex-marido tinha outra.
- Eu descobri que o meu ex tem outro.
- Nossa. E eu preocupada com a bolsa de Tóquio...
8.
- O meu namorado é super fiel.
- Mas ele não é dono de agência de DJ e sai toda noite?
- É...
- Não vai em lugares da moda, cheios de mulher?
- Vai...
- E não atende o celular de vez em quando?
- Não...
- Pois é.
*pega o celular liga liga liga*
- Caixa postal.
- Pois é.
- Dá aqui o vinho e a torta.
9.
- Preciso ir no dentista.
- Vai no Xan!
- Cyntia, é em Ubatuba.
- Ah, mas Ubatuba é pertinho e...
*olhares sarcásticos das amigas*
- Tá, Ubatuba é longe pra caraleo. Eu é que tô apaixonada.
- óóóóóóóóuuuuuuuuu.... que fofo....
*corinho das amigas*
10.
- Gabi, vamos pra praia?
- Fazer o quê?
- Eu vou fazer sexo. Você pode tomar aquela caipirinha de tangerina deliciosa do barzinho.
- Putz.
11.
- Vamos ver a eliminação do Big Brother.
- Eu nunca vi. Gabi, faz um resumo.
- Bom, hoje vai sai ou o monge que não toma banho ou o cara que parece um besourinho. O alto ali tá pegando a morena magra e a morena gordinha vai ganhar só porque o povo tem pena.
- De tudo isso eu só ouvi que tem um cara que não toma banho.
12.
- Agora o Gustavo posa na G Magazine.
- Mas Gabi, ele é ex-padre!
- Querida, como a única católica dessa mesa, eu digo: isso é apenas uma tempero a mais.
13.
- Bom, gente, pra fazer essa salada eu usei meio abacaxi e uma cenoura ralada, mas daquelas grandes, sabem?
*Gabi mostra com as mãos o tamanho de uma cenoura bem grande*
*Amiga do outro lado da sala dá um berro*
- Mas por isso que você tá rindo a toa, hein!
- Pelamordedeus, Paula, isso é só uma cenoura!
- Compra um vibrador que é mais higiênico.
- Mas eu só tô falando de salada, sua louca!
- Afe... cada uma com a sua perversão, já dizia Freud...
Bom, eu ia fazer um post bem completinho sobre o jogo de ontem.
Mas agora eu tô pensando em outra coisa e por isso vai só um resuminho básico:
Deixamos o carro longe e fomos andando. Hoje de manhã, percebi que não ia precisar fazer caminhadas, uma vez que minha bunda já estava doendo naturalmente.
Lelê e Mari conhecem vinte mil das trinta e duas mil pessoas que foram ao jogo de ontem. Os doze mil restantes são amigos dos amigos.
Sentamos entre um perneta e um grupo de traficantes recém foragidos de Presidente Bernardes. Isis adoraria o local, porque ali tinha pó pra caramba.
O perneta pulou bastante e quase sentou em cima do meu pé. Eu puxei o pé bem a tempo. Imagina só um perneta sentando em cima do meu pé.
Eu ainda não descobri exatamente que tipo de comida o Franz come. Não é carne, nem frango, nem peixe, nem ovo, nem queijo, nem leite, nem mel. Proteína de soja e arroz integral? Mas nem uma torta de chocolate?
Eu e Lelê vamos ter que ir a todos os jogos do Timão de calcinha vermelha. Funcionou a simpatia involuntária. Agora vamos ter que repetir, para alegria da galera que nos viu subindo os degraus do estádio.
Cuspiram fanta na gente. Ou não era fanta. Eu prefiro pensar que era fanta.
É isso.
Daqui a pouco vou pro aniversário gay da minha tia. Família é sempre uma beleza.
Essa era a questão que me martelava o cérebro em frente ao espelho. Botei uma blusa e achei muito decotada, botei uma camiseta e me senti a Cassia Eller, botei uma regata e me achei uma caminhoneira... no fim coloquei uma blusa neo-romântica toda fofa e pensei que tava bom.
Seguindo o conselho do Julio, não usei meu xampu afrodisíaco. Lavei o cabelo com um outro aí.
Peguei mamãe em casa e fomos pro Farol Madalena. Minha tia ficou super feliz em nos ver e saiu apresentando as amigas.
Como sempre, por lá, um mar de mulher. Mulher de todos os tamanhos, cores, modelos. Mulher sozinha, mulher acompanhada, mulher bêbada... Uma concentração de estrogênio gigantesca na Vila Madalena. Comecei a ter coceira.
Minha blusa foi um sucesso. Mulher, apesar de lésbica, continua sendo mulher.
- Mas que blusa linda!
- De onde é?
- Que cor ótima!
- Nossa, que peit..ops, que blusa linda, não?
Pedimos umas porções de bruschetta - fina ironia, esse nome - e ficamos conversando. Uma amiga da minha tia de eras atrás é apaixonada pela minha mãe desde que a conhece. Trata-se de uma respeitável senhora de seus 60 anos, de cabelos louros naturais, muito simpática, que parece uma professora que tive no pré. Minha mãe se levantou pra ir ao banheiro.
- Eu vou junto!
- Fazer o quê, Tutty?
- Ué, acompanhar sua mãe. Se eu não pego, ninguém pega!
- Isso. Cuida dela.
Oras, minha mãe é viúva e tá encalhada faz um tempo. E a Tutty é legal, ela podia ser meu padrasto. Mas mamãe nem deu bola.
Tive uma longa conversa com três mulheres. Falamos sobre nossos gatos de estimação. Aliás, 95% das mulheres que estavam lá têm vários gatos. Eu sempre tive uma terrível suspeita de que vou morrer velha e sozinha e meus 19 gatos vão comer meu cadáver. Depois de conversar com as moças ontem, percebi que basta combinar com suas amigas donas de gatos: se uma não responder o telefone por mais de dois dias, arrombe a porta antes que comece a feder. Achei ótimo.
Aí eu vi uma moça toda meiga sentadinha lá do outro lado da mesa, me olhando insistentemente.
- Ô, tia, até que aquele sua amiga é bonitinha...
- Você vai de mal a pior.
- Por quê? Ué, ela é bonitinha!
- Pois é. Mas é hetero, minha filha.
- Como assim, tia?
- É uma amiga do trabalho...
- Mas ela tá me olhando!
- É porque ela sabe que vocês também não são gays. Ô, Cris, vem cá conhecer minha sobrinha e minha irmã...
Meu gaydar falhava ali dentro. Também, com tanta mulher, era mesmo pra dar alguma distorção. Comi mais uma bruschetta. Aí começou a tocar um samba e eu comecei a sambar sentada.
Sambar sentada é uma técnica mística desenvolvida por todas as mulheres que gostam de dançar mas não podem por algum motivo, seja namorado ciumento, pai proibitivo ou o fato de estarem no meio de um bar lésbico. Mas a Zezé percebeu.
- Marília, vou dançar com sua sobrinha!
E me puxou. Aí eu saí mostrando o que que a a italiana tem. Sambei, depois dancei forró e até gafieira. Confesso que houve alguns momentos difíceis - afinal, quando duas mulheres estão dançando gafieira, quem conduz? - mas a Zezé era uma pé de valsa, assim como as 5 ou 8 amigas que apareceram depois.
Eu ia escrever aqui uma descrição engraçadinha do meu fim de semana na praia. Tudo bem que teve momentos impagáveis, como certos recados deixados na minha caixa postal, mas ontem à noite vi umas coisas absurdas e resolvi fazer um texto feminista de protesto.
Assisti ao Pânico, na Rede TV, numa sala com 3 mulheres e 4 homens. Em alguns momentos, os rapazes do Pânico são divertidíssimos. A crítica política, com Lula, Enéas e Bob Jeff (falsos) tentando entregar um bolo de aniversário pro Zé Dirceu (verdadeiro); ou a crítica social, com um vídeo satirizando aquelas imagens que mostram assaltos no centro, filmados de cima, no qual um cara vestido de Bozo e usando máscara de bandido "sorrateiramente" dava voadoras em transeuntes inocentes para pegar bolsas obviamente vazias dos figurantes.
Quando eles optam pelo nonsense, pela comédia rasgada, são ótimos. O homem berinjela surpreende pelo absurdo da situação, o rapaz andando pela feira do Pacaembu, falando ao celular, com uma berinjela dentro da cueca. Os feirantes olham, dão risada. Velhinhas se assustam, uma moça quase cai no chão de tanto esticar o pescoço. Num outro momento, eles filmam pessoas saindo de uma sex shop - apagando o rosto delas da imagem - com suas sacolinhas pretas cheias de apetrechos: chicotinho, lingerie, vídeos. Não faz muito sentido, mas diverte e não ofende ninguém. Ou quase ninguém.
Na seqüência, entrou uma disputa: cachorros versus cachorras. Ou seja, Sabrina Sato mais duas moças, estas de biquíni, entrariam em uma competição contra alguns cães pitbull treinados. Os cães escalavam árvores, mergulhavam em piscinas e saltavam obstáculos. A proposta era que as moças deveriam fazer o mesmo.
Assisti durante vários minutos. Os rapazes presentes na sala davam risadas, contemplando aquela humilhação em rede nacional. As moças, colocadas no mesmo nível que os cães, mergulhavam de mãos amarradas para tentar pegar um peso no fundo de uma piscina, usando os dentes.
Por fim, Bola colocou uma lata de ração de cachorro num prato. Venceria a competição quem comesse mais daquela ração. As moças se colocaram de joelhos e uma câmara bem próxima do rosto delas mostrava a expressão de nojo enquanto elas comiam a ração. Uma delas chorava. Meus amigos, homens com faculdade, bem educados, de classe média alta, riam a valer.
Me levantei, muito brava. Saí da sala, informando que não iria assistir àquilo. Deixei-os à vontade para continuar a ver o programa, mas pedi que cada um deles imaginasse ali, de joelhos, suas mães, suas irmãs, suas namoradas. Uma das meninas se levantou comigo, muito irritada.
Fiquei muito chateada ao ver amigos meus se comprazendo com a humilhação das mulheres.
Um deles me respondeu que se elas estavam ali, ganhando dinheiro, era porque queriam.
Não era. Vivemos numa sociedade que obriga a mulher a fazer muitas coisas que não queremos. As duas moças ali certamente imaginavam que aparecer na televisão usando um biquíni mínimo poderia abrir muitas portas para elas. Talvez suas carreiras de modelos pudessem finalmente deslanchar. Ninguém avisou a elas que fazendo isso elas jamais poderão desfilar. Jamais emprestarão seus belos rostos e corpos para fotos de lojas de departamento, marcas de roupas, comerciais de margarina. Serão sempre lembradas como as moças que comeram ração de cachorro.
Voltei para São Paulo, pensando em como isso podia ser exibido na tevê. Em que mensagem este programa está passando aos milhares de adolescentes que o assistem. É isso que queremos, que nossos jovens cresçam achando engraçado duas moças se humilhando em público em troca de um cachê?
Não me sinto à vontade em saber que estas coisas vão ao ar. Me dá um aperto na garganta que isto seja considerado normal.
Lamento pelos rapazes do Pânico, que são muito engraçados em diversos momentos. Lamento mais pelas moças que se submeteram a este constrangimento. Mas lamento muito mais pelo telespectador, refém de uma televisão pobre, burra e vexatória.
Segunda feira é sempre um dia difícil. Cyntia me liga:
- Vamos na Zara comprar roupa pra minha viagem?
- Mas eu não posso! Não tenho dinheiro! Tô cansada! Nem vai dar!
- Só te trago chocolates da Suíça se você for comigo comprar roupa hoje.
- Me pega em casa.
Aí eu falei com o Julio no telefone:
- Vou na Zara com a Cyntia.
- Tem certeza?
- Tenho. Já sei o que vou fazer pra não gastar: vou deixar um dos cartões de crédito em casa!
- VOCÊ PENSOU EM LEVAR OS DOIS???
*silêncio constrangido*
- Desculpa. Me exaltei.
- Tudo bem. Agora entendi como você se sente quando eu falo de cigarro...
Cada um com seus vícios.
Cyntia me pegou e fomos pro Villa Lobos. Saímos do elevador direto pra Zara.
A Zara. Templo máximo do vestir feminino. Roupas lindas, modernas sem serem pretensiosas, com modelagens fantásticas e desenhos incríveis.
A Zara. Metros e metros de araras, cabides, expositores. Milhares de blusas, regatas, camisas, calças, terninhos, saias, boleros, trench coats e vestidos.
Cyntia precisava de um casaco e uma calça, mais algumas blusinhas pra usar por baixo de malhas. Eu não precisava de absolutamente nada, mas é humanamente impossível entrar naquele lugar e não provar algumas peças.
Uma blusa marrom bordada, linda. Uma regata verde com um drapeado na frente. Um bolerinho preto básico.
- Olha que vestido fofo, Gá.
Pendurado inocentemente em uma arara num canto da loja, um vestido verde escuro. Feito de um tecido com caimento pesado, saia com corte evasé, acinturado, decote em V e costas um pouco abertas.
- Ah, meio lambido, Cy...
- Experimenta, a cor vai ficar ótima em você.
- Só tem tamanho P, não vai servir nunca.
- Experimenta logo!
- Tá, tá...
Fui até o provador. Botei o vestido.
*Um holofote se acende. Música de fundo inicia*
Por Deus. O vestido parecia costurado no meu corpo. Meus ombros enormes pareciam delicados. Minha cintura, minúscula. Minha bunda... oras, minha bunda ficou linda!
A cor era um verde escuro que combinou exatamente com meus olhos. Meu pescoço parecia longo e delicado como o de Audrey Hepburn.
- Oh meu Deus.
Pasma, fiquei me olhando no espelho. E foi aí que eu vi refletida a etiqueta de preço, pendendo inocente da costura da manga.
- Caraleo!!!
Cyntia, enfiada dentro do provador, bota a cabeça pra fora:
- Que acontec... puta merda, que vestido lindo!
- E é tamanho P.
- Minha nossa...
- Custa quase quatrocentos reais.
- Mentira.
- Olha aqui!
Estendi o braço balançando a etiqueta ofensiva. Lágrimas afloraram aos meus olhos. Eu nunca mais queria tirar aquele vestido.
Cyntia provava roupas e mais roupas. E eu lá, com o vestido verde escuro.
Nove e meia da noite, Cyntia com uma pilha de roupas prontas pra passar pelo caixa, inclusive um trench coat maravilhoso e uma bermuda social que só pessoas que têm mais de um metro e setenta podem almejar usar sem ficarem ridículas.
E eu ainda com o vestido. Num momento de temeridade, perguntei à vendedora em quantas vezes ela poderia parcelar a compra. Em três vezes, no máximo. Eu cheguei a fazer cálculos mentais: "Se eu parar de gastar o telefone, e não comprar besteira no supermercado, e vender meus tickets alimentação e..."
Mas me lembrei da voz de Mariazinha, minha gerente do Itaú, que havia me ligado na semana anterior e suavemente informado o quão negativa minha conta estava.
Voltei ao provador, tirei o vestido e me despedi dele num momento horrível de separação. Ao me afastar lentamente, olhei para trás para um último adeus.
O desgraçado do vestido já estava nos braços de outra mulher.
Bah, vestidos. São todos iguais. Ainda bem que eu já estava tendo um caso secreto com uma regata verde, um bolero preto e uma blusa marrom.
Ouvi esta frase no primeiro dia de estágio em hotelaria. Ela saiu da boca do chef de cozinha do Hotel Maksoud Plaza, o senhor Andre Serva, um negão antilhano muito bravo e malvado,com um sotaque carregadíssimo.
Mas o terror deve ter transparecido em meus olhos, porque ele se apressou a explicar:
- Boqueta é aquele janele porrr onde se entrrregá os prrrratos pras garçons. Eles colocám o pedido ali, num papelssim, a boquetêre passa prrro pessoal de cozinhe, depois devolve pra os garçons.
Lembrando que isso ocorreu há muitas luas, antes do advento do palm top e dos pedidos eletrônicos.
A boqueteira, no caso eu, tinha que traduzir os garranchos dos garçons e gritar bem alto, mas bem alto mesmo, acima do barulho ensurdecedor de panelas batendo, frituras fritando, assistentes de cozinha recebendo queimaduras de terceiro grau no braço com calda quente de açúcar:
- Filé madeira, ao ponto, batata corada, arroz com brócolis!!
- Salmão dourado, molho alcaparra, purê de mandioquinha!!
E essa foi minha função no começo do estágio: boqueteira. Fiquei umas duas semanas nisso, antes de ser colocada pra trabalhar de verdade, cortando salsinha, refogando cebolas e mexendo uns panelões enormes de boulabaisse.
O problema foi um só: fiquei conhecida na cozinha como uma excelente boqueteira. Porque eu gritava muito alto e conseguia entender todas as letras dos garçons.
Esta fama é boa por alguns motivos: ganha-se o respeito dos colegas cozinheiros, porque não é mole administrar todos os pedidos, na ordem certinha e tudo mais. E é péssima, por motivos óbvios.
Imagina contar pra sua família que você é excelente na boqueta. É o tipo de frase que provoca arrepios em tias mais conservadoras. E vamos combinar que se eu tivesse um namorado naquela época ele não ia gostar nada disso.
Lembrei desta história hoje, depois de conversar com uma colega hoteleira que trabalhou no Transamérica e soltou no meio do expediente:
- Preferia quando eu era boqueteira!
- Eu também! Eu era ótima nisso, menina!!!
- Ninguém enchia o saco, era só dar uns gritos e pronto.
- E eu só tinha que me preocupar com o negão...
Foi aí que vimos que o andar inteiro olhava pra gente, abismado. Os colegas de trabalho nos contemplavam com um olhar de Nelson Rodrigues para as cunhadas. As colegas com uma expressão de inveja. Eu comecei a explicar:
- Em cozinha de hotel tem um lugar chamado boqueta e...
- Deixa quieto, Gabi. De repente assim sai nosso aumento.