Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for June, 2006
June 1st, 2006
Este post é sobre café
Sobre o café que eu tomei hoje às três da tarde.
Depois de almoçar em dez minutos, engolir a comida e voltar ao trabalho, consegui resolver todos os problemas.
Umas três da tarde as coisas se acalmaram e eu resolvi fazer uma hora de café: peguei um espresso caprichado e fui sentar no estacionamento de funcionários atrás da loja.
É um terreno arborizado, com uma escada de concreto que corta caminho pela ladeira. Tem grama no chão e vários lugares gostosos de sentar e tomar um espresso no meio da tarde.
Dava pra ouvir uns pássaros cantando e lá longe o burburinho da avenida, meio abafado pela distância e pelas árvores.
Esta é minha época favorita do ano.O céu azul, o sol claro e brilhante, sem muito calor.
Sentada ali, mãos na grama bem cortada, me veio uma melancolia, um desejo de ficar ali naquele solzinho pra sempre, a pele aquecida pelos raios de sol.
Por um segundo, não tinha nenhum problema ali: Não tinha trabalho, chefe, falta de dinheiro, aluguel, telefone, festa, balada, corte de cabelo ruim, amigos querendo atenção, caldo verde, festa à fantasia, ração de gato, coração desabalado.
Naquele momento havíamos apenas eu, meu espresso, a grama debaixo dos pés e o sol batendo no rosto.
Uma delícia de café, aquele.
*************************************************
Outra música ligeiramente temática, desta vez pelo conteúdo mesmo.
"Forever For Her (Is Over For Me)"
I blew it
And if I knew what to do, then I'd do it
But the point that I have, I'll get to it
And forever for her is over for me
Forever, just the word that she said that means never
To be with another together
And with the weight of a feather it tore into me
Then I knew it
All the work that it took to get through it
On the wings of a feather that flew it
Fell onto my shoe it cut up into me
Well, everybody's reaction is changing you
But their love is only a fraction of what I can give to you
So let's do it, just get on a plane and just do it
Like the birds and the bees and get to it
Just get out of town and forever be free
Forever, I wonder we could stay together
It could change if you want for the better
Just turn down my shirt and lay down next to me
I blew it
And if I knew what to do, then I'd do it
But the point that I have, I'll get to it
And forever for her is over for me
Forever, just the word that she said that means never
To be with another together
And with the weight of a feather it tore into me
Well, everybody's reaction is changing you
But their love is only a fraction of what I can give to you
Well, let's do it, let's get on a plane and just do it
Like the birds and the bees and get to it
Just get out of town and forever be free
Forever, I wonder we could stay together
It could change if you want for the better
Just tug at my shirt and lay down next to me
Bota fora de direito Mack: 5000 pessoas enchendo a cara no open bar e dançando funk depois.
Fantasias ótimas, dançarinos contratados no clube das mulheres, brigas à rodo, anões besuntados. Enfim, uma baita festa.
E eu, como sempre, achando que ia ser um ambiente familiar.
E hoje, um sono danado - não fui pra praia e a Cyntia quer me bater.
Atendendo a pedidos, manterei as músicas temáticas. A de hoje deveria ser do Bonde do Rolê, mas minha educação não permite. Então, vai uma indie:
I Bet You Look Good On The Dancefloor - Arctic Monkeys
Stop making the eyes at me,
I'll stop making the eyes at you.
What it is that surprises me is that I don't really want you to
And your shoulders are frozen (as cold as the night)
Oh, but you're an explosion but you're dynamite
Your name isn't Rio, but I don't care for sand
Lighting the fuse might result in a bang with a bang-go
I said I bet that you look good on the dance floor
I don't know if you're looking for romance or what
Don't know what you're looking for
Well I bet that you look good on the dance floor
Dancing to electro-pop like a robot from 1984
from 1984!
I wish you'd stop ignoring me because you're sending me to despair,
Without a sound yeh you're calling me and I don't think it's very fair
That your shoulders are frozen (as cold as the night)
Oh, but you're an explosion (You're dynamite)
Your name isn't Rio but I don't care for sand
Lighting the fuse might result in a bang with a bang-go
Oh, there ain't no love, no Montagues or Capulets
Are just banging tunes and DJ sets and...
Dirty dance floors, and dreams of naughtiness!
A brincadeira é assim: eu coloco uma música, vocês chutam o motivo, ou a pessoa pra quem eu a dedico.
Se alguem acertar, eu conto a historinha por trás da música.
Se ninguem acertar, eu conto também, mas tentem acertar pra dar mais emoção aos posts.
E a primeira é...
I Could Have Lied
Red Hot Chili Peppers
There must be something
In the way I feel
That she don't want me to feel
The stare she bares cut me
I don't care
You see so what if I bleed
I could never change
Just what I feel
My face will never show
What is not real
A mountain never seems to have
The need to speak
A look that shares so many seek
The sweetest feeling
I got from you
The things I said to you were true
I could never change
Just what I feel
My face will never show
What is not real
I could have lied I'm such a fool
My eyes could never never never
Keep their cool
Showed her and I told her how
She struck me but I'm fucked up now
But now she's gone yes she's gone away
A soulful song
That would not stay
You see she hides 'cause she is scared
But I don't care
I won't be spared
I could have lied I'm such a fool
My eyes could never never never
Keep their cool
Showed her and I told her how
She struck me but I'm fucked up now
PS: Eric, nem uma palavra!
********************************
Update:
A pedidos (não que ajude muito) letras traduzidas meia boca aqui.
E a idéia não é conhecer a pessoa, é chutar qualquer merda bizarra, como já fez a Lilian. Mas ela sabe.
Já que só eu gostei da brincadeira, vamos voltar à nossa programação normal.
Numa dessas noites, diálogo bizarro no msn:
- Eu tenho medo de um dia olhar e ver que as pessoas fodas deram no pé, e eu estou sozinha, com meus gatos. E prestes a ter meu cadáver devorado.
- Vamos fazer um pacto então.Prometo sempre levar ração pros seus gatos.
- Pô, obrigada. Foi a coisa mais bonita que alguém já me disse.
- Putz, se isso foi o mais bonito, seria bom que as pessoas falassem coisas bonitas pra você com mais frequencia.
- Bonito porque veio do fundo do seu coraçãozinho nerd.
- Mas é sério.
- Ok, meus gatos comem ração Cyclos. Depois te dou cópia da chave.
- Vou lá no Pet Center Marginal, que é 24 horas.
Isso é amizade, minha gente. O resto é conversa.
************************************
Hoje tive o prazer de entrar as 14 horas no trabalho. Sairia dele às 22, mas isso é outra história.
Aproveitando a manhã de folga, botei logo um tanque de roupa pra lavar. Separei brancas e coloridas, coloquei sabão em pó, amaciante, uma belezinha.
Tomada pelo espírito de Amélia, resolvi aproveitar e arrumar a cama. Ouvindo Madonna , esticava os lençóis quando de repente ouço um barulho estranho. Uma espécie de som aquático. Um som de água pingando, escorrendo, trasbordando.
Corri para a área de serviço. O chão estava coberto por uma camada de água. Água com sabão, claro, para que eu pudesse escorregar nela e cair de bunda no chão molhado da cozinha.
Como a cozinha e a área de serviço são o que um corretor chamaria de "integradas" e um observador mais atento chamaria de "a mesma coisa", a cozinha também estava tomada pela água. Os gatos pisavam nas poças e chacoalhavam as patas. O caos dominava minha casa.
Respirei fundo, desliguei a máquina, reuni todos os três panos de limpeza que tenho em casa e comecei a secar o estrago. Ou teria começado, não fosse o fato do rodo estar estragado e soltar o cabo o tempo todo.
Usando de toda a minha coordenação motora, um tapete velho, duas toalhas, uma vassoura e um rodo gentilmente cedido pelo meu porteiro guatemalteco, consegui dominar a inundação.
Aí pude enfim terminar o processo de lavagem de roupas - depois de desentupir o ralo do tanque, claro, que foi o causador do dilúvio.
Grandes emoções na minha manhã de folga.
*************************************
Por fim, a sorte do dia no Orkut.
Sorte de hoje:
Um grande homem sempre recebe a ajuda de outros grandes homens.
A segunda pior coisa que pode acontecer quando você vai ao karaoke com seus amigos é descobrir que tem alguem na turma que sabe cantar.
Lilian canta maviosamente.
A pior coisa que pode acontecer quando você vai ao karaoke com seus amigos é deixar o microfone na minha mão.
Eu canto pessimamente.
Mas com o coração. Com interpretação. Com uma falta de musicalidade impressionante. Sem ritmo. Mas com muita, muita empolgação.
Torturei meus amigos lindamente, interpretando Roxette, Toni Braxton, Celine Dion... Fiquei sem voz bem a tempo de não conseguir cantar Whitney Houston.
Eu e Daygo fizemos dueto desafinado com Elton John, Julio se realizou cantando Sidney Magal, Silveira mostrou toda sua porção rockstar, Eric declamou Pescador de Ilusões, Alê mandou logo uma Jane Duboc, Lilian cantou o que quis e mais um pouco e Carol estava sem voz - mas cantou Wanessa Camargo.
O que importa é que cantamos até três da manhã, espantamos nossos males e o garçom.
Depois, ao invés de ir ao Fran´s, fomos à Ofner, porque somos finos.
- Somos nerds.
- Ah, nem tanto...
- Eu sou astrônomo.
- Eu tenho um blog.
- Somos nerds.
- Ah, mas eu já tentei surfar...
- Surfe é totalmente off-nerd.
- Tatuagem também.
- Por quê?
- Porque nerd é todo cheio de fobias e tem medo de agulha.
- Ah, eu também faço umas coisas não-nerds...
...
...
...
...
- Tá, eu sou nerd.
Diálogo realizado depois de um café duplo, depois de quatorze horas de trabalho.
De volta à São Paulo, depois de fim de semana perturbado em Ubatuba.
Perturbado, porém delicioso.
Cheguei na quinta à noite, diretamente num forró. Isso mesmo, um forró, com trio com zabumba e tudo mais. Por falta de par adequado, não dancei nada. Onde estão os amigos gays quando a gente precisa deles?
Na hora de dormir, diálogo bizarro.
-...Gabi?
*ronca*
-...Gabi-iii?
- Hãn? Hein?
- Preciso te perguntar uma coisa séria...
- Manda.
- ...você tá vendo uma luz piscando no teto...?
*olha*
- Tô.
- Que bom. Achei que eu tava delirando.
- Delírio seu foi me acordar, maledeto.
Na sexta, liderados pelo sempre animado Xan, fizemos uma leve caminhada. Apenas 50 minutos de subidas e descidas. Graças ao meu preparo físico adquirido em muitas horas de esteira, consegui chegar ao Bonete viva. Aí, pra me acabar de vez, fui dar um nadão.
Dar um nadão é uma atividade que consiste em mirar um ponto no horizonte e sair nadando na direção genérica da África. Depois, você volta pra terra firme. Ou tenta.
Cosnciente do meu cansaço, optei por dar um nadão ao longo da praia.
Caí na areia e dormi duas horas. Acordei sequinha e com fome. Lembrei que tinha que andar toda a volta. Cogitei a hipótese de morar no Bonete pra sempre. Chorei. Levantei e voltei fofocando com a Sabrina.
Chegando na quitanda, percebi que tinha perdido a carteira de motorista, o cartão do banco e 20 reais na caminhada, provavelmente na hora selvagem em que tirei a roupa (ui!) pra atravessar um rio a nado depois que a maré subiu horrores.
- Quer voltar pra procurar, Gabi??
- Valeu, Xan, eu prefiro cancelar tudo. Cansa menos ir ao Poupatempo.
Depois de convencer a dona da quitanda a vender fiado, organizamos uma festa junina, com fogueira, vinho quente, pé de moleque, uma beleza.
- Nossa, que fogueirona...
- De onde o Edy tira toda essa madeira, hein Gabi?
- Acho que ele está demolindo a casa. Aquilo não é um caibro?
- Putz.
Sábado, fui acordada com a notícia de que o Bussunda havia morrido. Fomos pra praia caminhar e exorcizar o mau colesterol. De repente, uma bolinha de borracha passa a milímetros da minha cabeça. Eram uns meninos jogando taco.
- Carai!
- Foi mal, tia!
- Carai!!!! Tia, meu???
- Putz, se fosse comigo acertava bem no meio da testa.
- Por que, Claudia?
- Ah, eu tenho um X na cabeça...
- Ãhn?
- Coisas que voam fatalmente vêm na minha direção.
- Nossa.
Cinco minutos depois, um frisbee desgovernado acerta a cabeça da menina. Juro.
Sensibilizados com a morte do humorista e o ataque dos frisbees assassinos, organizamos um luau, com fogueira, vinho quente, pé de moleque... essencialmente tudo que havia sobrado da festa junina.
- Olha que fogueirona de novo...
- Cara, essa é a viagem mais anti ecológica ever.
- Ah, Gabi...
- Vou ali abraçar uma árvore e já volto.
- Gabi, larga o vinho quente...
- Pô.
Na hora de dormir, de novo:
- ...Gabi?
*ronca*
- ...David?
*ronca também*
- Pô, acorda aí que eu tô vendo umas luzes brilhando no teto!!!
*sorriso mau no escuro*
- Que luz, Kwuahara?
- Ali, ó...
- Tô vendo nada... e você, David?
- Também não...
- Ai, merda, bebi demais.
*risadas maléficas*
- Gente... posso acender a luz?
- Era zoeira, Ku...
- É, a gente também está vendo... é a lâmpada que está ruim...
- Nada, vocês querem me enganar pra deixar a luz apagada e conseguir dormir... Se eu não durmo ninguém dorme!
- Droga.
No domingo, mesmo tendo dormido pouco graças à uma lâmpada com mau contato, acordamos pra ir pra praia. Por conta do frio siberiano, adivivinhem? Acendemos uma fogueira. Chico Mendes ficaria orgulhoso.
Depois, assistimos o jogo meia boca do Brasil, dormimos muito e voltamos pra São Paulo hoje de manhã.
Engraçado: as pessoas mudam muito e não mudam nada, ao mesmo tempo.
Como eu ia ficar sozinha em casa, resolvi responder a um questionário, roubado do As Dez Mais.
Era pra ser uma noite bem deprê e solitária, comendo chocolate sozinha na frente da TV, mas fui salva por amigos preocupados com minha forma física e mental.
Como eu já tinha respondido, então segue.
Se eu fosse...
Uma flor: maria sem-vergonha (heh)
Um brinquedo: boneca
Um mês: Maio
Uma brincadeira: Polícia e ladrão. Brincava até fazer bico.
Uma música: Hoje? The Scientist, do Coldplay (em loop)
Uma nota musical: Sendo desafinada, qualquer uma
Uma cor: Verde musgo
Um filme: Monty Python e o Cálice Sagrado
Um feriado: Páscoa
Uma comida: Chocolate
Uma bebida: Guaraná
Um disco: White Album, Beatles
Uma maquiagem: Gloss
Um dia da semana: sexta feira
Um periférico do PC: eu nem sei o que é isso, minha gente.
Um doce: pavê de chocolate
Um programa de tv: Friends
Um cômodo da casa: Quarto (heh)
Um instrumento musical: Baixo, óbvio.
Um objeto: Um copo.
Uma árvore: Mangueira
Uma fruta: Mexerica
Uma paisagem: Uma praia no frio.
Um bicho: Gato - os meus
Um lugar: Em minha casa.
Uma estação do ano: Outono, fácil.
Uma frase feita: Só o amor constrói
Uma peça de roupa: vestido da Zara!
Um elemento da natureza: Terra
Um objeto motorizado: Meu carro velho, batido, porém pago.
Um aparelho eletrônico: Aparelho de som
Uma pessoa da sua família: Minha mãe, de longe.
Um sentimento: Saudade
Um perfume: O meu. O dele. O nosso. Ui.
Um livro: Apanhador no Campo de Centeio
Uma parte do corpo: Ombros
Uma dúvida: O que vou fazer amanhã?
Uma marca: Tatuagens
Um eletrodoméstico: Batedeira.
Um jogo: Gato Mia (heh)
Um personagem de ficção: Gato de Alice
Uma profissão: Escritora
Um time de futebol: Vai Corinthians!!
Uma pessoa famosa: A Jolie, claro.
Meu fim de semana está sendo tão deprê que nem vale a pena contar.
Por isso, vou contar um diálogo que tive há pouco tempo, durante um jogo do Brasil.
- ... e eu respeito todas as religiões.
- Eu também. Já fui até em casamento wiccan.
- É mesmo, Gabi?
- É.
- Como é que rola?
- Bom, era no Ibirapuera. Eu achei que era pra ser no meio da natureza e tudo mais, mas sei lá porque foi na marquise, aí eu não entendi nada, todo aquele concreto.
- Tava chovendo?
- Nada, o maior sol. Aí pra variar eu cheguei atrasada, por causa do Roberto, claro. E quando nos aproximamos uma mulher de manto veio até nós e falou que tinha que abrir pra gente entrar, e fez uns movimentos com as mãos, tipo uma mímica de abrir porta. Aí ela explicou que tínhamos que andar no sentido horário. Mas você sabe que eu tenho um problema, né?
- Qual?
- Não faço a menor idéia de qual seja o sentido horário e antihorário. Então eu saí andando pra um lado aleatório e tirando muitas fotos. E de repente eu percebi que tinha uma gente atrás de mim, fazendo gestos místicos pra espantar o mal. Ou seja, se o casamento fracassasse seria totalmente culpa minha.
- Vixe.
- O pior veio depois. A cerimônia começou de fato, e tinha um sacerdote e uma sacerdotisa. Ela usava um crescente de prata na testa e ele usava uns galhinhos de metal, acho que pra representar um cervo.
- Ou um veado.
- É, pode ser, acho que os wiccans aceitam o homossexualismo numa boa. Mas eu comecei a ter crises de riso, com os galhinhos. Eu pensava onde diabos um cara compra um mini chifrinho de metal para colocar na testa.
- Deve ter mandado fazer.
- Sim, mas ligou no ourives e falou: Me vê aí um par de chifres? Tem coisa que não se fala, pôxa.
- Vai ver tem um ourives especializado.
- Pouco provável; duvido que a demanda seja muito grande....
- E o crescente de prata?
- Ah, esse tudo bem, era tipo um colar só que a mulher amarrou na testa. Aí veio um lance com uma vassoura, que ia tirar a virgindade de um dos dois...
- De piaçava?
- Era. Mas era o cabo que ia tirar a virgindade, eu acho. Aí de repente a cerimônia acabou e eles estavam casados - e eu sem entender nada. Aí fomos pra festa.
- Pô, teve festa?
- Teve, e eu esperava que fosse uma super festa pagã, com fogueiras, um javali assando no espeto, dançarinas seminuas, guerreiros bebendo hidromel em chifres, manja?
- Manjo.
- Isso é o mínimo que se espera de uma festa pagã. Pô, eu nunca tinha ido numa festa pagã, esperava até o sacrifício de virgens...
- E não teve?
- Virgens?
- Sacrifícios...
- Nada, a festa foi num rodízio de pizzas, super família. Mal tinha chope. Só se a gente sacrificasse o garçom.
- Ele era virgem?
- Eu não perguntei, então não sei; mas ele era um chato e não me levava pizza de alcachofra.
Estou com uma preguiça louca de descrever como foi que fiz meu piercing. Mas vamos lá.
Cheguei no estúdio acompanhada por meu fiel amigo comerciário Eric, que por um milagre de Nossa Senhora do Varejo também estava de folga.
Mostrei as tatuagens pro meu tatuador, que adorou minha cicatrização. Aí eu mencionei que queria fazer o piercing no travo. Ou trago. Ou trasgo. Até agora não entendemos o nome do local. Ele mandou chamar o piercer, e começou uma conversa bem amena pra me distrair:
- Ah, eu tinha um bem aí, mas a jóia enroscou no travesseiro, aí soltou e arrancou e....
*Gabi arregala os olhos*
- ...er...moço, você não está colaborando com ela....
- Nem doeu na hora de colocar... o estranho é ouvir fazendo *tec* quando perfura.
*Gabi treme*
- Moço, você realmente não está colaborando!!
- Ah, desculpa....
Balbuciei algumas palavras, em transe de terror. Mas o fato é que fiz, não doeu nadica de nada e ficou lindo.
Fato também é que o Eric recebeu um telefonema da Lilian bem na hora do furo e teve uma crise de risos com as besteiras que ela falou:
- E aí, ela já furou?
- Vai furar agora.
- A orelha dela vai inchar muito, véi.
- Putz. Também acho.
- Vamos ter que comprar dois ingressos pro cinema, um pra ela e outro pra orelha.
- huahuahuahauhauhua
- huhuahauhauhauahuahua
*desligam*
- Eric, você vai me contar o que ela falou?
- Depois do furo, Gabi.
Foi melhor assim.
O furo em si não doeu, mas foi deveras estranho sentir aquela agulhona passando e aquele barulho de *tec* quando efetivamente rompe a pele. Mas não doeu, juro. Eu nem fiz muita cara feia. Perguntem pro Eric, ele testemunhará.
Depois, fomos ao cinema assitir ao Poseidon. Filme de merda, mas valeu pelas gargalhadas que a blogagi soltou. Começaram no trailer de Superman. Eu, do alto da autoridade nerd que lê todos os boatos de filme do mundo, comento:
- Pô, agora todo mundo vai olhar o pinto do cara, por causa do boato...
- Que boato, véi? Eu já tava olhando e nem sabia de boato nenhum....
Quase caí da cadeira de tanto rir.
Durante o filme, a cada olhar meloso do Richard Dreyfuss pro Kurt Russel ou praquele outro cara, eu dizia:
- Kiss me, you fool...
- ...eu? ...ah, o filme. Droga!
Julio soltava uma piada infame após a outra, como uma metralhadora. Lilian não se continha com as cenas piegas.
Numa das mais bonitas, o jovem casal se despede no que supostamente seria a última vez que se veriam:
- Say you love me.... you never say you love me.... I have to hear it...
- Pô, DR uma hora dessas????
Por sorte, são apenas uma hora e quarenta minutos de filme.
Leonor Macedo cometeu blogcídio. Matou o Subversiva.
O caramba.
Dona Leonor pensa que pode ir embora assim, sem mais nem menos? Pensa que vai nos abandonar dessa maneira?
Nunca.
E que explicação mais sem pé nem cabeça é essa? Tá certo que só o amor constrói, e que vírus de nerds são horríveis, e que a galera que joga uruca só cresce, mas pô, o que é que eu vou ler?
Quem vai me fazer dar risada de situações absurdas, contar as baladas da Ísis, falar do Corinthians, contar as aventuras de Luquinhas, as piadas de Seu Fausto, os resmungos de Dona Rose, fazer posts antológicos sobre as coisas mais simples, como um papelzinho de vidente, um e-mail tosco, um log bizarro?
Preciso confessar uma coisa: meu blog só sobreviveu e tomou a cara que tem hoje por conta de Lelê. Lendo o Subversiva me deu uma vontade louca de botar pra fora tanta coisa que me passava pela cabeça e de ter a coragem de escrever a minha vida, de abrir meu dia-a-dia pra quem quisesse ler.
A culpa ou o mérito de eu escrever desde 2002 é dela, toda dela. E do blog dela.
Órfãos de Subversiva, sejamos subversivos! Todos mandando e-mail, msn, sms, telefonemas, faixas na rua, cestas de café da manhã e caixas de trufas tradicionais para ela.
Leonor, volta pra nós. Nem que seja de vez em quando, só um pouquinho, quando ninguém estiver olhando.