Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for August, 2006
August 1st, 2006
2 da Manhã
Chegando em casa, direto do trabalho.
Andei uns 10 quilômetros hoje, dentro da loja, subindo, descendo, correndo, uma beleza. Fuin a Kalunga buscar material de escritório, fui no Assai buscar umas coisa que faltaram, fui na farmácia comprar Neosaldina por conta de uma dor de cabeça monstro. Olha, eu só não fui pra puta que pariu porque lá deve estar mais sossegado que no trampo.
Tô podríssima e o ritmo só deve diminuir amanhã ou quarta feira. Ou em Setembro, não sei ainda.
Quanto ao fim da história, não consegui falar com a Cyntia hoje, de tão corrido que estava.
E este é o post mais diarinho do ano, miguxos. Um mimo, minha gente, um mimo.
**********************************
A formatura da Lilian foi ótema.
Começou com seis homens de terno em casa, terminou com parte da blogagi trocando um pneu no meio da Marginal Pinheiros, num frio que deus mandava.
Queria contar tudo, mas estou cansada demais pra lembrar. Juro que não foi cachaça.
Um deles com certeza é com o Jimmy, do Planeta Diário.
Porque no filme, quando o Superman se fode, ninguém lembra de perguntar onde está o Clark. Isso de ser esquecido é muito normal entre nerds perdedores que têm blogs.
A única pessoa que sentiu a falta do Clark foi Jimmy.
Eles cortaram essa cena na edição final, mas é certeza que foi assim:
fade in Jimmy está sentado na cadeira em frente ao computador. Uma lata de Coca/Pepsi (confirmar patrocinador) ao lado do teclado. Ele clica com o mouse uma, duas vezes.
voice over
- Geez, o Clark tá sumido. Faz dois dias que ele não posta no nosso blog, não deixa um scrap... será que ele está bem?
fade out
E uma das piores frases de todos os tempos em um filme é:
- Eu tinha esquecido como você era quentinho...
Mas assitam Superman. Confesso que ao assisitir a abertura e os créditos finais com a música original do John Williams e as mesmas letras, iguaizinhas aos fimes com o Cristopher Reeve, eu dei uma choradinha.
De levinho, e disfarçando, pra blogagi não rir da minha cara, mas pôxa, gente, é o Superhomem.
Quando eu era criança, ele simbolizava a verdade, a justiça e o American Way. E as misses eram lindas e meio gordotas, as vezes, mas não tinham todas a mesma cara, sorriso e cabelos. E o Indiana Jones usava um chapéu e eu queria me casar com ele. E o Silvio Santos já tinha cabelo acaju. E o Faustão era contestador e engraçado de verdade. E o Menudo era lindo. E a Xuxa pegava o Pelé. E eu brincava de queimada na rua.
Eu não me preocupava com nada. Ao contrário dos dias atuais.
Ok, eu posto, nem que seja para fazer parar o flood do Eric nos comentários.
O fim de semana foi bastante... animado.
Me digam, depois de dormir pouco, trabalhar desde as seis e meia da manhã de sábado, ir ao jogo do Corinthians, comer um lanche e uma vitamina mista no Charme da Paulista, o que uma pessoa deve fazer?
Dormir. Ir à D-Edge, óbvio.
Isso só é possível com o uso de drogas psicotrópicas sintéticas sendo uma comerciária insana que dorme em média quatro horas por noite.
Eu nem ia sair, juro.
Mas o Paulinho usou chantagem emocional e lembrou-me que dia 18 ele vai embora pra morar muito longe. Aí eu fui.
Muita gente esquisita com cabelos exóticos eu achando meu cabelo normal, shorts modelo balonê. Tinha um casal de punks, um pessoal com roupa de quem saiu de casamento, um barman com dezenas de piercings e um gay que a-do-rou minha tatuagem das costas.
Aliás, meu gaydar saiu até de foco, porque ali dentro era muito difícil saber quem era o quê. No banheiro misto, uma beleza, todos na fila, uma camaradagem bonita...
Valeu como experiência antropológica.
No mais, muito trabalho, inclusive no domingo.
Cansada e de saco cheio, tudo que queria era dormir agorinha, mas nem vai dar: trouxe um monte de trabalho pra casa.
Amiga não identificada diz:
menina, eu preciso te contar o q eu fiz ontem a noite
Amiga não identificada diz:
eu pensei q tinha bebido e não feito besteira, estava tão orgulhosa
Amiga não identificada diz:
eu cheguei em casa breaca, meia noite
Gabi diz:
Ceerto. Normal, até agora.
Amiga não identificada diz:
entro no msn e meu ex tava on line
ele tbm acho q tava meio bebinho
e ele falou: quero te ver
eu: sóseforagora
marcamos de ir a um motel
só que eu tomei banho, coloquei o pijama e dormi
hahahahahhahahahahahahaha
Gabi diz:
huhuahuahauhauhauhauahuha
caraleo!!!
posso postar isso dizendo que é de uma amiga desconhecida?
Amiga não identificada diz:
pode hahahahahahahahahah
Amiga não identificada diz:
e ele me ligou 7 vezes depois
Gabi diz:
coitado
o cara tá no Disco Verde até agora
Amiga não identificada diz:
não ele ia passar aqui
acho q ele veio até aqui
Gabi diz:
ele estava na porta do prédio te esperando cheio de amor pra dar e te ligando furiosamente
Amiga não identificada diz:
sei lá, nem quero falar com ele q ele vai me mandar tomar no cu.
e eu vou falar: sóseforagora denovo
huahauhauhauhauahuahuahuaauhauhuauhau
Gabi diz:
porra, vou postar isso agora.
aliás, vou postar este log, mudando o nome e retirando algumas partes
Amiga não identificada diz:
nossa, eu não posso beber
Amiga não identificada diz:
poderia ser pior né, Gabi
eu podia ter dado em cima do outro.
mas eu to me saindo muuito bem
Gabi diz:
podia ser pior ainda: poderia ter dado em cima do irmão dele.
vc tá se saindo muito bem mesmo.
tô orgulhosa.
Amiga não identificada diz:
sério, depois daquela vez meio q ..... meio q nada, eu ainda gosto dele
mas parei de dar em cima
Gabi diz:
É isso aí, finja ser blasé
um dia vc consgue desencanar de vez... até lá, deixa ele.
Amiga não identificada diz:
mas será q não é mais legal pensar q um dia pode dar certo?
Gabi diz:
eu sei lá... eu nem sou muito boa de conselho sobre amor platônico por amigo...
eu fui apaixonada pelo Paulinho na facul, e ele era veado...
Amiga não identificada diz:
mas será q não é mais legal pensar q um dia ele pode ser veado?
Algumas luas atrás, eu, Lilian e Carol fomos viajar para Caraguá, em busca de sol, cerveja, rapazes e axé.
Tá, axé não.
O fato é que éramos três mulheres solteiras em busca de uns dias de descanso.
- Vamos pra balada!
- Vamos!
- Lilhá, onde é a cena indie de Caraguá?
- Hum. Suponho que seja onde nós estivermos, Gabi.
- Pô.
Calçamos nossos all stars e fomos à sinuca. Um local aprazível, um oásis que tocava rock´n´roll no meio de muito axé, pagode e funk. Instaladas em nossa mesinha na parte de fora, observávamos os jovens lá embaixo a tomar cerveja e dançar ritmos horrendos à beira da praia.
Avaliando os rapazes presentes percebemos rapidamente que dali não sairia nada que prestasse. Então iniciamos a segunda melhor coisa que se faz numa sinuca: jogar sinuca.
Jogamos algumas partidas, comemos muito amendoim, tomamos cervejas e coca light. Já prestes a ir embora, eu olhei para o outro lado do salão e vi.
O homem da minha vida se aproximava. Magrelo, meio estranho, usando uma camisa do Jack Daniel´s, ele segurava um taco de sinuca nas mãos e tinha tatuagens nos braços. Notei que ele cantarolava junto com a música de fundo. Apurei os ouvidos: era Ramones.
Meu coração bateu mais forte. Acreditei que ali, naquela sinuca infecta, eu havia encontrado meu príncipe encantado. Ouvi uma música da Carly Simon dentro da minha cabeça. Uma luz se acendeu. Um globo de espelhos mental desceu do teto. Eu olhei pra ele, sorri, e...
Ele virou de lado.
E eu vi uma coisa inaceitável.
Eu não tenho preconceito de cor, religião, opção sexual... Acredito que de fato todas as pessoas são iguais neste mundo de meu deus. Tenho certeza que todos os seres humanos são irmãos e devem viver em harmonia.
Quando se trata do sexo oposto, não faço questão de aparência, dinheiro, classe social. Peço apenas um cérebro medianamente funcional, um certo bom humor e apreço pelos mesmos livros e discos que eu.
Tenho apenas uma restrição. Uma só. Coisa mínima, simples, evitável.
Quando o rapaz com as tatuagens virou de lado, eu a vi: uma pochete. De couro preta.
A música subitamente parou. A luz dourada se apagou, o globo de espelhos se recolheu pra dentro de um alçapão.
Suspirei e voltei a atenção para meu copo.
Homem de pochete.
E foi assim que eu perdi o que potencialmente seria o homem da minha vida. Por causa de uma pochete de couro preta usada displicentemente numa sinuca em Caraguá.
Cá estava eu, calmamente assistindo um episódio de CSI no qual uma noiva morta é devorada por gatos, quando toca o telefone.
- Alô!
- Gabi?
- É.
- Tamos indo no Clube das Mulheres?
- hUaHuaHUHAUhaUhauhaUhaUhauahuhaUhaUaHUa
- Sério! Estamos aqui na Henrique Schaumann...
- HAhUAhuAHuHAUHAuAHuHAuhAuHUAhUahuhuAhuA
- Vamos lá?
- Eu tô cansada bagaraleo.
- Pô!
- Vejam quanto é, dependendo eu topo...
Esperei alguns momentos.
- Gabi!
- Opa!
- Uma merda, o show já começou...
- Putz...
- E custa 25 pilas pra entrar..
- Ahhh
- E precisa reservar mesa...
- Pôxa...
- E aí?
- Pô, véi, quinta que vem certeza, né?
- Certeza!
- huaUHAUhAUhUhauAHuAUAHuHuAH
- aHaHuAHUAHUHAUHAuaHauHauHua
Continuo cansada bagaraleo e de fato vou indo dormir cedo porque meus olhos estão se fechando sobre o teclado, mas tem coisas que valem só pela idéia.
Certas amigas conseguem te convidar pra ir ao Clube das Mulheres, as 22 horas de uma quinta feira - e quase te fazer topar.
You´re special, ladies. Love ya.
*chora de emoção*
Quando você chora assistindo The L Word percebe que sua vida chegou a um ponto onde o melhor é pegar um ônibus até a Vila Mandioquinha e se ofercer como cobradora de lotação.
Quando você tem DRs bizarras pelo msn falando do ex com amigos em comum, percebe que sua vida chegou a um ponto onde é melhor bloquear todos os seus contatos e nunca mais ligar o computador.
Quando você toma 60 gotas de Neosaldina e a dor de cabeça não passa, você percebe que sua vida chegou num ponto onde é melhor se voltar para o crack, que custa bem mais barato e ainda dá um barato legalzinho.
Quando você dá graças a deus por apenas conseguir se manter de pé, percebe que sua vida chegou num ponto onde o melhor é ir morar em São Sebastião e vender artesanato na praia.
Quando você nota que ainda é segunda feira e você terá uma semana horrenda pela frente, percebe que sua vida chegou num ponto onde o melhor é ir ao salão e fazer as unhas dos pés para não perder o referencial.
Quando você olha para um chocolate e não sente desejo quase sexual pelo mesmo, percebe que sua vida chegou num ponto onde a sua alimentação vai muito, muito mal.
Quando você é incapaz de lembrar quando foi a última vez que dormiu mais de seis horas, percebe que a vida chegou a um ponto onde ter crises de choro no banheiro do trabalho é uma válvula de escape completamente adequada.
Minha gente, este é pior inferno astral dos últimos anos.
Hoje eu acordei bem cedo depois de dormir gostoso durante 12 horas seguidas. Fiz uma caminhada na praia e assisti o nascer do sol.
Voltei para minha casa de frente pro mar e meu assistente/personal stylist gay me informou que meu desjejum já estava pronto e que a Zara tinha mandado amostras da nova coleção pra eu provar, e eram todas tamanho P e me serviam.
Comi meu iogurte com cereal e bebi o suco de graviola. Comi um croissant de chocolate com zero calorias. Coloquei meu vestido verde e minha sandália de salto - não que eu precisasse, uma vez que meço 1,65m - e fui para meu trabalho.
Como voluntária do Médicos sem Fronteiras, levo alegria e saúde a todo o mundo, uma vez que sou mega milionária e trabalho apenas por lazer. Então hoje eu trabalhei um pouquinho com as criancinhas da Africa.
Depois fui pra Livraria Cultura e comprei milhares de cds, dvds e livros diversos.
Dei uma passadinha na Fauchon e comprei uns lançamentos da Lindt.
O Cannavaro me ligou pela quinta vez essa semana, mas eu expliquei novamente que ele é um homem casado e devia ser feliz ao lado da Daniella, apesar do louco magnetismo animal que rola sempre que nos cruzamos em Milão.
Fiz minha aula de pilates, emagreci cinco quilos na mesma. Depois fui à sessão de autógrafos do meu livro, um best seller de vendas em 45 idiomas sobre como ser uma pessoa glamourosa.
Encontrei todos os meus amiguinhos para o almoço, que ofereci num restaurantezinho charmoso às margens do Sena. Eles tomaram vinho de boa qualidade e comeram pratos deliciosos da mais moderna nouvelle cuisine.
Fui ao lançamento do meu perfume e mandei expulsar a Paris de lá a pontapés, porque era um evento de classe. A baranga insistia em tentar tirar fotos comigo.
Cheguei em casa um pouco estressada, e então meu massagista Denzel fez um shiatsu relaxante e uma reflexologia nos meus pés. Ele usou óleos essencias de camélias e magnólias, porque eu adoro esses cheirinhos e ele se importa muito comigo e se lembra de tudo que eu falo.
Aí meu esposo Clive chegou com um ramalhete de margaridas que ele mesmo colheu nos campos. Ele me contou que aprendeu a tocar baixo e fez um solo romântico para mim. Depois ele me abraçou e disse que tudo ia ficar bem.
No fim, tomamos um banho relaxante em nossa jacuzzi com vista para o pôr do sol.
*sobem os créditos*
Roubei a idéia daLilhá, mas o dela era tudo verdade. Por isso está mais bem escrito.
Ontem foi a despedida do meu querido Paulinho. Ele vai morar em London City e seu vôo é amanhã. Choradeira à parte, ele contou uma história a respeito de sua avó que merece ser compartilhada.
Era uma vez duas velhinhas: Dona Inês e Dona Milita. Elas eram muito velhinhas, muito ricas, muito loucas e muito irmãs. E elas brigam desde 1936, mais ou menos, que foi quando Dona Milita, a mais nova, aprendeu a falar.
Um belo dia, elas resolveram reformar a casa onde estavam morando. E quando elas reformam, é uma reforma digna desse nome: dezenas de pedreiros, carpinteiros, encanadores, marceneiros e eletricistas circulando pela casa.
No meio da sala, Dona Inês desanda a gritar, entre todos estes profissionais da casa e construção:
- Milita, você pegou a minha calcinha?
- Inês, o que é que eu ia fazer com a sua calcinha?
- Eu não sei. Você vive pegando as minhas coisas.
- Eu nunca pego suas coisas!
- Pega sempre, lembra-se de quando você usou meu vestido para ir à festa da Carminha?
- Isso foi em 63, Inês! E eu pedi licença.
- DEPOIS que já tinha usado o vestido e derramado cuba libre nele!
- Imagine! Isso é mentira!
- Você sempre pega as minhas coisas, Milita!
- Eu não peguei sua calcinha, Inês!
- Lógico que foi você! Eu peguei do varal, limpinha, e pendurei ali na porta do quarto e agora sumiu!
- Mas para quê você foi pendurar a calcinha na porta do quarto, Inês?
- Eu ia usar, Milita, se você não tivesse pego!
- Imagine que eu peguei! Olha aqui a minha calcinha, esta é muito minha, eu comprei no Shopping!
*mostra a calcinha*
E a conversa seguiu assim, dura, com dedos em riste de ambas as partes.
Calcinhas foram mostradas, insinuações sobre roubo de acompanhantes para o baile de debutante da Estela foram feitas, acusações de sumiço de broches de brilhantes foram trocadas e surgiram até mesmo reprimendas sobre como foi mal gasto o dinheiro da herança do Tio Emílio: Dona Inês comprou um abajur, que foi a única coisa que dava para comprar com as sessenta pilas que o velho solteirão deixou.
Dona Milita deixou claro que preferia uma nova panela de pressão.
Paulinho e sua irmão assistiam àquilo calmamente, pois até então era mais um sábado normal. Até que dois homens passam carregando uma porta.
- Paulinho, o que é auilo pendurado na maçaneta da porta...?
- Flavia, acho que é a calcinha da vovó.
- Ô moço! Dá uma licencinha, xô pegá um negócio aí...
- Vó. Achei sua calcinha. Tava pendurada na porta mesmo.
- Rá! Viu como eu não tinha pego nada?
- Quieta, Milita. Obrigada, minha filhinha.
Dona Milita e Dona Inês merecem viver para sempre depois dessa.
- Gabi, não vai atualizar o blog?
- Tô tentando, mas não consigo.
- Que merda
- Concordo.
*som de pratos*
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Acabou a meia entrada pro show do Franz Ferdinand, acabou ingresso pro jogo do Timão, a inauguração da minha loja foi adiada, eu cancelei a manicure, não sei o que vou fazer hoje à noite, não tem mais leite em casa, meu ciático dói, tá fazendo frio, meus gatos destruíram minha planta.
Minha vida está em suspenso até segunda ordem, tá?
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Sério: o que vocês mais odeiam na vida?
Pra mim, é a espera.
Como boa ansiosa que sou, odeio esperar que as coisas aconteçam. Odeio quando é preciso adiar as coisas. Se eu pudesse, tomaria o mundo em minhas mãos pra resolver tudo.
Meu trabalho basicamente consiste em solucionar problemas. O dia todo, eu resolvo coisas com funcionários, clientes, fornecedores... Então quando acontece alguma coisa que eu não consigo resolver, eu fico louca.
Ontem não pude resolver o problema maior. Eu só consegui minimizar. Um paliativo, vamos dizer. E ah, como eu fico puta quando tenho que arrumar mal feito. Sabe, quando alguém faz um serviço mal feito e você tem que arrumar depois?
Tô estressada, minha gente.
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Filme cabeça um caraleo, eu quero é ver Miami Vice.
Sempre que eu acho que vou conseguir descansar um bocadinho aocntece alguma coisa, é incrível. Mas deixa minha noite não-dormida de sábado pra lá.
Quando acontecem essas coisas chatas, eu gosto de contar história velha. Então vamos lá.
Muitos anos atrás, eu trabalhava num hotel próximo da Av Paulista. Todos os dias de manhã eu pegava o Ana Rosa, e todos os dias de tarde voltava com o Barra Funda. De manhã, o ônibus ia muito cheio, só esvaziava no primeiro ponto da Paulista. Eu acabava sempre indo bem na frente até lá, bem ao lado do motorista.
A primeira coisa que notei foi a unha do dedo mindinho do motorista. Superado esse trauma, notei também que os motoristas de ônibus dirigem muito perto uns dos outros. O cara tinha a mania de parar bem perto do ônibus da frente. Coisa de uns 30 centímetros de distância, mais ou menos.
Dava um medo danado aqueles malucos acelerando na descida da Cardoso de Almeida e parando em cima do ônibus da frente.
Mas o que me dava mais medo que tudo era o sertanejo Daniel.
Uma bela manhã, eu ia quase dormindo. Quem anda de ônibus bem cedo dorme de pé sem maiores problemas. É uma dádiva divina, essa habilidade. Você está lá, de pé, mas seus sentidos estão meio dormentes. É tipo uma hibernação rápida e vertical.
Enfim, lá estava eu, quase dormindo. Numa freada mais brusca, abri os olhos para intimidar o motorista com meu olhar de ódio mortal, técnica que falha com dez entre dez motoristas. Entretanto, ao olhar para frente, vi se aproximar não uma traseira comum de ônibus.
Era uma traseira com foto. Uma foto grande. Uma foto assustadora do Daniel de cuecas, sorrindo.
Meus olhos lacrimejaram tentando compreender o conjunto da obra. O que era aquilo? Anúncio de quê? Deitado de lado,com uma perna dobrada e seu peito cabeludo de fora, Daniel sorria.
Meu primeiro pensamento foi que a cabeça dele tinha um formato estranho. Era quadrada. Cogitei que pudesse ser o corte de cabelo. Mas não: era o cabeção mesmo.
E a desproporção, minha gente: o corpo pequenino, as pernas finas... e aquela cabeça enorme, quadrada, parecendo uma lancheira escolar, sorrindo para mim. Fechei os olhos e esperei que fosse embora. Não foi. Tive um pesadelo no qual o Daniel tirava uma maçã e um suco de dentro de sua caixa craniana.
No dia seguinte, subo no ônibus, e na Dr Arnaldo quem estava? A foto, colada na traseira de um Parque Edu Chaves. No outro dia, era um Sacomã. No terceiro, um Paraíso. Até no Jardim Maria Luísa tinha uma foto do sertanejo Daniel vendendo sei lá o que com seu sorriso obsceno.
Pasei a subir no ônibus rapidamente e a achar umlugar onde eu pudesse ir de costas, virada para dentro do ônibus. Mas eu sempre acabava olhando de novo para a foto do Daniel de cuecas.
Comecei a perceber os detalhes: a correntinha dourada no pescoço, a risca do cabelo inexistente, o joanete no pé esquerdo... era como um acidente horrível, que você não quer olhar mas olha assim mesmo.
Curiosidade mórbida.
Aí um dia eu chego no trabalho e resolvo desabafar no vestiário. Uma das presentes era Madeinusa, uma camareira que ganhou esse nome porque a mãe viu escrito num lugar e achou bonito.
- Gente, não aguento mais vir trabalhar olhando a foto do Daniel de cueca.
- Ai... eu gosto...
- Madê, como assim?
- O Daniel é sexy!
- Credo! Mas com aquela cabeça?
- E eu lá sou mulher de perder tempo olhando cabeça?
- Putz.
Moral da história: Nesta vida é tudo uma questão de ponto de vista. Não importa o formato da sua cabeça, mas sim para onde se olha.
Então hoje coisas boas vão acontecer, porque esta é a regra dos aniversários.
Vou ganhar presentes e abraços, vou ver minha família e meus amigos, porque é isto que se faz em aniversários.
Hoje é um bom dia porque eu faço 29 anos, e ainda dá tempo de escrever a lista de coisas que quero fazer antes dos 30. Como dançar tango, comer escargot, patinar no gelo, ir ao Hopi Hari e despencar na Torre Eiffel, ler um livro do Saramago até o fim, ver um jogo e comer um canoli lá no Juventus, conhecer a Europa, comprar um vestido lindo, aprender italiano, arrumar umas pantufas de joaninhas e fazer meus gatos emagrecerem.
Hoje é um bom dia pra pensar em todas essas coisas. E pra começar a fazer algumas delas. E outras mais.
Hoje é um bom dia porque é um novo começo, porque é meu aniversário e eu posso escolher tudo o que vai acontecer.
Eu faço 29 anos, e finalmente estou gostando de fazer aniversário. Levei 29 anos para perceber que este é meu dia. Mais do que os outros 364 do ano.
Hoje é um bom dia para ser eu mesma. Um ótimo dia.
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Update: são nove horas da manhã e um grupo de blogueiros acabou de sair da minha casa.
Obrigada pelos presentes. Café da manhã, DVDs, vale-massagem, muito chocolate.
Lilian, a caixa é linda. Alê, obrigada por sair da cama. Daygo, obrigada pelo abração gostoso. Eric, obrigada por atrasar e me deixar dormir mais uma hora. Julio, obrigada pelas piadas infames logo de manhã. Junior, obrigada por buscar esse povo todo logo de manhã.
Obrigada. Vocês são uns amores, e, de verdade, fazem minha vida mais feliz.
Meu porteiro, entretanto, não deve ter entendido nada.
Desde que eu continue a ganhar presentes, tudo bem.
Não vou ficar indicando ninguém: não tenho envergadura moral pra isso.
Os blogs que leio são na maioria de meus amigos, e nenhum tem conteúdo polêmico e edificante. É blog diarinho, de historinha bem contada, de humor.
Blogs de sitcom, que nem o meu.
Quer ver? Links aí do lado.
Não tenho saco pra blog que pensa, que critica, que agita. Não tenho saco pra polêmica. Mesmo que isso me faça soar como uma desorientada alienada.
Na verdade, eu já estou velha o suficiente pra saber que opinião é que nem bunda: cada um tem a sua e pronto.
Criar polêmica dá ibope, certamente, mas eu não tenho saco nenhum.
Sou corinthiana. Você é são-paulino? Beleza, você é veado, questão de opção. Ou de nascimento, sei lá.
Eu sou pró-liberação do aborto. Você acha que a vida é sagrada no ventre da mulher e está pouco se fodendo para as consequências da criação de mais uma criança indesejada ou para a quantidade de meninas que morre a cada ano com abortos clandestinos? Beleza. Vai rezar.
Gosto de gente inteligente. Você é burro? Ok, vota no Maluf.
Meu blog não é para falar do que eu penso: é pra contar a minha história.
Pra quem gosta, ótimo. Pra quem discorda, hasta la vista.