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Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.



Yoomp

Entries for January, 2007

January 4th, 2007

Pregui...

2007 é o ano da preguiça.

Me procurem segunda feira, dia 08, quando meu cérebro deve sair de suas férias coletivas.

Grata.

as 06:00 PM 15 YA REALLY!
January 10th, 2007

Get up, get on up!

Tudo começou com uma inocente pergunta:

- Vamos passar no mercado pra eu comprar tomate?
- Bora.

Chegando ao Pão de Açúcar, estacionei numa vaga bacana e perto da entrada. Mal saí do carro ouvi uns miadinhos. Agudos e beeem altos. Olhei em volta, uns manobristas se amontoavam em volta de um carro.

- Tem gato aí dentro.
- Mas debaixo do carro?
- É.
- Gabi, você não vai....foi.

Enquanto me arrastava na poeira por baixo de um utilitário no estacionamento do Pão de Açúcar da Pompéia, o maledeto gato correu pra baixo de outro carro. E outro.Os manobristas acompanhavam tudo, e os donos dos carros estavam perplexos:

- Mas é o gato dela?
- Não, moço. É um gato de rua.
- Ah.

A pergunta que eles realmente queriam fazer era: "Mas por que ela está deitada no chão, na poeira, sendo aranhada, xingando, arruinando uma camiseta e ficando imunda, pra pegar um gato que nem é o dela?"

Não acho que eles entenderiam, de fato, mesmo se perguntassem e eu respondesse.

Lá pelo terceiro ou quarto carro, meti metade do corpo debaixo de uma Saveiro para localizar o infeliz encolhido em cima do escapamento.

Mas quem disse que a criatura queria sair de lá? Enfiei a mão por dentro das ferragens, levei dezenas de arranhões, mas emergi de lá carregando uma coisinha cinza, rajada, imunda de sujeira.

Uma rápida verificação mostrou que era um menino. Logo veio o nome, por conta dos pulos e reboladas que o gato deu.

And now, ladies and gentlemen, James Brown is in the house.

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Meus gatos reagiram da maneira esperada: Cuca se tornou um monstro de fúria assassina, rosnando, bufando e mostrando os dentes. Bill está começando uma aproximação lenta e observatória. Bea se faz de louca, finge que nem vê o gatinho, mas não dou uma semana pra ela estar lambendo o pequeno, que só faz dormir. Deve estar cansado de suas aventuras sob veículos automotivos.

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Quatro e meia da manhã meu telefone toca: minha mãe se desesperava ao receber uma ligação dizendo que eu estava sequestrada. Quase morre de medo.

Só posso rogar pra que os infelizes recebam exatamente o castigo que seus atos merecem.

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Falando em castigo, vi o vídeo do Saddam. Não acho que matar um assassino melhore alguma coisa. Apenas coloca os executores no mesmo patamar que o criminoso. E de quebra, ainda cria mais um mártir para a causa - e gera mais atos terroristas e dezenas de mortes.

Castigo pior seria obrigar o Saddam a sei lá, limpar latrinas em um poço de petróleo kwuaitiano ou costurar bandeiras americanas até sua morte natural.

Muito mais tocante pra mim foi a morte do pai do soul no dia do Natal. Ele sim mudou a história, tirando o soul do gueto e levando-o para a branquelada, fazendo letras de duplo sentido, usando perucas absurdas, flertando com o rock e produzindo algumas das mais dançantes canções da história.

Espero que ele goste da homenagem no nome do meu novo gatinho.

Dance no céu, Papa, com sua sacola nova em folha.



as 12:47 PM 12 YA REALLY!
January 11th, 2007

Uma coisa do bem

Bom, fui intimada duas vezes a fazer a corrente de 5 besteiras que me irritam. Tentei começar o texto algumas vezes e não consegui. Não passava de uma ou duas coisas que me irritavam. De repente, Nossa Senhora da Escritura Internética me iluminou e eu saquei o problema: eu sou uma pessoa do bem e não consigo me irritar com muitas besteiras.

Então resolvi fazer o contrário e escrever 5 besteiras que me deixam feliz e contente. Agora xinguem e digam que eu não passo de uma infeliz otimista discípula de Ghandi. Quem se importa?

Óia aí a lista.

1. Brincar com Gatinhos (e filhotes não-humanos em geral)
Bebês animais não têm noção do perigo. Eles sobem em coisas muito altas, rolam no chão sem querer, encaram bichos muito maiores que eles mesmos e me fazem rir como uma idiota. Sempre sorrio ao ver um desses e emito sons como "óun". O mesmo efeito que criancinhas têm em determinado tipo de pessoa, os filhotinhos têm em mim. Mimimimi.

2. Andar na Grama
De tempos em tempos preciso andar na grama, abraçar uma árvore, entrar numa cachoeira, mergulhar no mar ou coisa que o valha. Não passo de uma hippie suja, eu sei. Me apedrejem.

3. Tirar Fotos Bacanas
Tirar uma foto dos amigos, dos meus gatos ou da paisagem, sem ensaio e sem montagem, e descobrir que ficou lindona. Adoro fotografar e minha compulsão as vezes se traduz em fotos lindas, engraçadas ou super conceituais. Outras vezes se traduz num borrão estranho, numa careta bizarra ou no pior ângulo possível. Mas os fracassos não me intimidam: continuo fotografando como um turista japonês.

4. Tomar um Café
Quando estou na rua, adoro parar em uma cafeteria qualquer e tomar um expresso. Pode ser um Fran´s Cafe, Cafe do Ponto, um quiosque no shopping ou a lanchonete aqui da esquina. Tomo o café e olho as coisas em volta. Os 5 minutos guardados numa xicrinha são um dos meus maiores prazeres nessa vida.

5. Acordar e Dormir mais Dez Minutinhos
Acordar descansada, dar aquela espreguiçada, virar pro lado e cochilar mais dez minutos. Que delícia. Acordar e ficar na cama lendo também é uma belezinha. Quando eu for milionária, vou instruir a criada a me trazer um suco de laranja e um pão na chapa junto com o jornal do dia e lerei todas as manhãs na cama. Porque mesmo milionária, de manhã só com pão na chapa, entendem?

Pronto. Cinco coisas felizes e eu nem precisei pensar muito. Podia listar mais umas dez ou vinte fácil, fácil. E vou passar a corrente pra frente. Quem eu quero ver fazendo a lista de 5 besteiras felizes?

Amber, porque acho que vai ser engraçado ver essa moça que resmunga falando de coisas mimimi.
Bruno, porque ele sempre reclama que nunca é chamado pras deliciosas correntes da Blogagi.
, porque a gente é parecida demais e eu seria ela se morasse em Minas.
Amanda, porque hoje ela tem muito mais açúcar na vida do que quando comecei a ler o blog dela.
Penin, porque quero ver o meu amigo falando de coisas boas, pra variar.
Franz, porque ele é o cara que melhor finge ser malvado neste mundo - até ele abrir a boca e começar a falar de straight egde, bem entendido.

O quê? Tem mais de cinco pessoas? Jura? Bom, sou loira e não sei contar. E como este blog é meu e eu mudei o tema do meme, posso mudar o número de pessoas o quanto eu quiser. E não percam tempo em reclamar, eu não vou ligar.


as 05:13 PM 20 YA REALLY!
January 16th, 2007

Retrospectiva tardia

2007 vai ser um ano melhor que 2006. Como eu sei disso?

Porque em 2006 deixei pra trás pessoas que não fazem falta. Os amigos de verdade continuam por aqui, mesmo que bissextamente devido às obrigações da vida adulta. Os que ficaram pra trás não eram meus amigos mesmo.

Em 2006 conheci um monte de gente nova e fiz amizades importantes: adotei um irmão mais velho mal humorado, uma bichinha de estimação, umas amigas gordinhas safadas, um neurótico que me ajuda a arrumar o armário, um narigudo que me faz rir nas horas mais impróprias, um stright edge que me motivou a repensar uns conceitos. E teve gente que se manteve ali: uma judia nada kosher, uma chefe de cozinha maluca, uma mãe/jornalista/corinthiana/querida, um tatu bêbado. Esses e mais alguns outros me fizeram feliz e me ajudaram nas horas mais pesadas do ano.

Em 2006 mudei de emprego e dei a cara a bater. Apanhei, bastante, achei que ia me dar mal, que ia morar debaixo da ponte, mas com o apoio financeiro da minha mãe e emocional dos citados acima, passei o fim do ano rumo à 2007.

Em 2006 mudei de apartamento, emagreci, mudei o cabelo. Fiquei loira, arrumando uma desculpa pra burrice intrínseca e assumindo meus três neurônios.

Em 2006 fiquei meio budista, meio vegetariana, meio zen, meio maluca. Chorei horrores, ri pra caraleo, conquistei coisas inimagináveis, coloquei sozinha uma mesa de vidro na cozinha, gritei por ajuda quando precisei carregar caixas pesadas, larguei duas caixas da mudança lacradas num canto da sala. Arrumei livros numa ordem que só eu entendo, perdi os dvds do Tarantino, ganhei os mesmos dvds de volta, fiquei devendo no cartão de crédito, na Renner, no celular e na telefonica, negociei todas as dívidas pra poder pagar com dignidade ou renegociar depois.

Assisti filmes bons, filmes ruins e filmes de cair o queixo, e saí do cinema pensando em como alguem faz um roteiro tão bem sacado ou como alguem investe dinheiro numa porcaria dessas. Me viciei em séries, me desviciei de outras séries, tomei vinhos bons, comi comida boa, comi comida ruim, comi junk food, comi salada, comi tofu. Pintei as unhas do pé de vermelho, comprei um vestido lindo, deixei de comprar um vestido maravilhoso, ganhei um all star de oncinha, adotei uma gata mal criada, aprendi a fazer couscous marroquino.

Estava em duvida sobre 2006. Não sabia se havia sido um ano horribilis ou um ano mirabilis. Pondo tudo na balança, pesa mais o lado do novo, da descoberta e do crescimento. Pollyana? Otimista? Talvez. Mas é isso, acreditar no aprendizado e não no sofrimento. Porque assim é mais bonitinho e eu sou uma pessoa coerente.

2007? Estamos no dia 16 de janeiro, e até agora tudo bem. Mais notícias ao longo do período.

Por que eu demorei tanto pra fazer essa retrospectiva? Porque agora há pouco tava olhando o James Brown no meu colo e pensando em coisas boas que são pequenas o suficiente pra caber numa mão, e lembrando que por mais que o mundo pareça um lugar ruim, não é.

as 03:36 PM 14 YA REALLY!
January 18th, 2007

Do não-reconhecimento da caridade alheia

O cabelo é muito importante na vida de uma mulher. Manter suas melenas em ordem, com um belo caimento, é uma obsessão. E tome produtos que prometem alisar os crespos, definir os cachos, dar volume aos finos ou acabar com os fios quebrados.

É uma indústria que só faz crescer, com produtos novos e revolucionários lançados diariamente.

Cabelereiros também: um salão pipocando atrás do outro. Um corte num salão bacana de São Paulo sai na faixa de 40 reais. Num salão da moda, sai por 70. Num salão estrelado à la Celso Kamura, mais de 150 pilas. Eu pago bem menos, como vocês já sabem.

Aí, no Rio, um cara rouba o cabelo de uma moça no ônibus. Mas eu tenho uma versão pra essa história.

Um cabelereiro estava naquele ônibus. Obviamente quando ele viu aquele cabelo descendo que nem uma samambaia até a cintura da moça, teve um surto. Fio reto, caimento pesado, um corte sem movimento, sem balanço, enfeiando a jovem. Aquele cabelo tradicional, castanho, cacheado, que as vendedoras de shopping que moram na zona Norte do Rio adoram usar.

Quando dois bandidos a ameaçaram com um revólver e pegaram sua carteira e celular, o cabelereiro percebeu sua chance. Intrepidamente levantou-se, foi até lá, e sacando as ferramentas de seu ofício transformou aquele cabelo feio num cabelo moderno, um corte chanel meio desfiado.

Basta ler a descrição: o pseudo-assaltante capilar ajeitou o cabelo dela três vezes. Oras, se fosse um bandido, cortaria de qualquer jeito! Não, era um homem com uma missão: salvar um corte de cabelo horrendo.

E aí a moça vai lá e faz um BO. Ganha um belo corte de cabelo e não fica feliz. Podia aproveitar isso pra superar o trauma do assalto, mas não. Ela não aceita. Preferia o cabelo batendo na bunda quando senta.

Tem mulher que é mal agradecida mesmo.


as 12:33 PM 15 YA REALLY!
January 19th, 2007

Deficiente safadinho

Estava eu saindo de mais uma entrevista de emprego, dessa vez na minha antiga empresa, quando encontro o rapaz que sempre pedia dinheiro no farol ali perto.

Ele não tem as duas pernas e se locomove com a ajuda de um carrinho. Na hora do almoço eu passava por ele e de vez em quando comprava umas balas com ele.

Pois bem, hoje eu o vejo no farol, e ele:

- Opa! Você por aqui!
- É, entrevista...
- Tá voltando pra empresa?
- Tudo indica que sim...
- Puxa, que bom. Bem vinda de volta!
- Obrigada, mas... como é que vc se lembra de mim? Já faz um tempo que saí daqui...
- Ah, nunca esqueço as pernas de alguém. Especialmente se são bonitas e andam de saia.
- Ah, seu safado!!!!

Caí na gargalhada e paguei um café pra ele.

Nota mental: Ficar atenta ao comprimento da saia.


as 05:31 PM 11 YA REALLY!
January 23rd, 2007

Blog de Humor

Aí ontem acordei com uma dor estranha e uma vontade bizarra de fazer xixi. Depois de algumas horas com a persistência desse quadro, fui pro São Camilo.

Um médico simpático apertou minha barriga, meus rins e disse:

- Certeza que é infecção urinária, mas vamos fazer testes mesmo assim.

Fiz xixi no copinho, o que foi muito simples considerando que estava fazendo isso a cada 5 minutos, mais ou menos. Pensei: "Se eu errar o copinho, daqui a pouco eu acerto, questão de tempo."

Lá pela terceira tentativa acertei, entreguei pra enfermeira orgulhos do meu trabalho e aguardei o tempo do resultado. Fiz também um ultrassom, pra ver se tava tudo bem lá dentro.

Com os resultados em mãos, fui atendida por uma média perua, levemente parecida com a Fran Fine, lembram, a babá? Ela tinha um cabelo bem armado, era judia e falava com um tom de voz inesquecível. Bem, a médica era quase isso, com um escarpin de cobra e belas argolas de prata nas orelhas.

- Infecção urinária, querida. Tome este antibiótico, beba muito líquido e não abuse.

Voltei pra casa e segui o conselho. Tomei muito líquido, muito mesmo, e fui dormir cedo.

Hoje acordei fazendo xixi na cama. Muito xixi. Saí correndo pra acabar o serviço no banheiro e trocar os lençóis, mas fiquei orgulhosa de mim mesma.

Porque meu post ia ser sobre infecção urinária. E afinal, isso aqui é um blog de humor, certo macacada?

as 09:06 AM 12 YA REALLY!
January 25th, 2007

Reminiscências de uma velha com cistite

Hoje tava ouvindo rádio no carro e a Brasil 2000 mandou na sequencia Sweet Child of Mine, depois Break on Trough e, fechando a sequencia, Smells Like Teen Spirit.

Assim, em quinze minutos de música eu fui transportada para os cinco anos entre 1989 e 1994, quando eu era uma menina e essas músicas tocavam no rádio sem parar.

A do Guns me lembrou da sexta série, quando eu tinha uma agenda enorme, cheia de bilhetes, ingressos de cinema, papeis de bala, recortes de revistas. Nessa agenda o Alexandre escreveu a letra de Sweet Child Of Mine pra mim, e eu me fiz de louca, porque todo mundo achava que eu gostava do Rodrigo Paes - mas na verdade eu nem ligava pra ele, só gostava dele porque todas as minhas amigas gostavam e ele era o menino mais lindo do Colégio São Bento.

No fundo, eu gostava mesmo era do Alexandre, mas tinha vergonha de falar, porque ele era nerd e não muito popular. Mas eu nem sabia bem o que era gostar ou não gostar, na verdade. Porque eu queria mais era que batesse o sinal pra eu ir pra casa brincar.

Depois a Break on Trough, quando lá pela oitava série eu achei um monte de LPs da minha mãe e do meu pai, e pensei que eles talvez não fossem tão caretas assim, se ouviam esse tipo de música na juventude. Ouvi o disco do The Doors até quase furar. Fiz uma cópia numa fitinha cassete e enfrentava a longa caminhada até a escola ouvindo a fita cassete no meu enorme walkman Sony, que comia pilhas pequenas como se fossem bombons de cereja.

Os solos de teclado do Ray Manzarek nem me incomodavam, e convenhamos: Jim Morrison era o cara mais lindo e cool do mundo. Quando eu vi as fotos dele já caidão e barrigudo, solenemente ignorei. Jim pra mim seria sempre o cara sem camisa com um colar de contas que posou numa sessão de fotos da Rolling Stone.

Nirvana? Ah, Nirvana. Esse veio um pouco mais tarde, quando eu já estava no Colegial. Era diferente de tudo que tínhamos ouvido até então. Em tempos sem Internet, quando todas as novidades demoravam meses até chegar ao Brasil, Kurt Cobain e companhia usando suas camisas xadrezes e suas roupas surradas caíram como uma bigorna em nossas mentes pouco amaciadas.

Rock até então era a super produção dos shows de heavy metal, com explosões e luzes piscantes, ou os riffs simples do Ira! com suas letras paulistanas até o osso, ou para os mais undergrounds, as coisas estranhas que tocavam no Madame Satã ou no Hangar. Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains. A aparente falta de produção nos clipes, a crueza das guitarras, isso tudo arrebentou os coraçõezinhos rockeiros incipientes. Fui ao show no Morumbi, em 94, e foi épico, histórico, inesquecível.

Mas esse post não é sobre música: é sobre mim. Sobre ouvir três músicas aparentemente desconectadas numa sequencia aleatória num programa de old hits numa rádio rock e sentir de repente um monte de lembranças se sobrepondo.

As aulas no prédio antigo da escola, o metrô, o cheiro da coxinha na cantina, a bicicleta no quintal, o primeiro disco que comprei, a morte do meu pai, as brigas com os professores, as descobertas literárias, a vez que cortei o cabelo e odiei, o primeiro esmalte na unha, enfim; todo tempo de que dispus com tanta tranquilidade, e que no entanto pareceu passar tão velozmente naquela época. Aqueles cinco anos entre os doze e os dezessete, que foram decisivos pra me tornar a pessoa que sou hoje.

Fico grata por ter vivido uma época que me permitiu ter esses anos entre deixar de ser criança, começar a ser adolescente, virar aborrecente de vez. Uns anos confusos entre brincar no recreio e olhar diferente para os garotos e escolher a faculdade, uns anos pra crescer.

Hoje vejo as meninas de doze anos já mocinhas, de saltinho e mini saia, de cabelo arrumado, e lembro dos meus doze anos de joelho ralado e do gosto do chiclete de melancia que eu tinha mania de mastigar o tempo todo.

E como boa velha que sou, não posso deixar de pensar que era mais bacana no meu tempo.

as 02:32 AM 14 YA REALLY!
January 29th, 2007

Green hair, brown hair, purple hair

- Bóla comemorar o aniversário do Theo!
- Outs?
- Ah, não... e esse tal CB?
- Parece bom, vai ter show de uns caras e do Supla.
- Bóla, negrita!

E foi assim que acabamos num galpão enfumaçado na Barra Funda em pleno sábado à noite. O lugar é alternativo pacas, mesmo.

O primeiro show foi uma droga, uma dupla de baixo e bateria vestidos como integrantes do Miami Vice - o original, mangas de blazer enroladas e tudo - e tocando músicas bizarras. Zander adorou, claro. O resto de nós achou uma belezinha:

- Gabi, eles não vão... cantar?
- Acho que não, Rapha!
- Afe.
- Afe.

Mas aí... aí entrou o Papito no palco. À beira dos quarenta, olhos pintados com lápis, cabelos descoloridos, usando uma regata e uma jaqueta de couro, Supla canta, dança, grita. Suou como um porco, xingou a platéia chamando-os de burgueses, tirou a roupa, apresentou seus maiores hits. No meio do show, enfia lá uma versão hardcore de Imagine. Aos berros: "Imagine aaaaaaallll the peooopleeee!"

Um show lindo, minha gente.

Ao final, todos com os pés sujos e felizes da vida, fomos embora meio surdos. Na fila, um amigo dele diz:

- Paga aí pra nós, Supla!
- Ah, vai tomar no cu!

Era o Papito respondendo com classe. Que punk, que hardcore. Na hora que ele ia embora, um imbecil gritou:

- Traidor do movimento!

Traidor nada. Supla é o último - e primeiro - punk de butique do Brasil. Não há o que trair, sabem?

Pus foto no flog e tudo. Que emoção.

***************************************

Aproveitando: adorei conhecer a Rapha, uma daquelas pessoas que você sente que já conhece antes mesmo de conhecer, por conta da Monicake e suas descrições precisas.

Volta assim que puder, tá? Aliás, voltem ambas, venham morar em São Paulo, que tal? A gente faz uma república e chama de Casa das Balzacas. Chulio ia gostar, eu acho.

E a Lilhá ia falsificar o RG pra poder morar com a gente que eu sei.


as 09:28 AM 16 YA REALLY!


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