Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for February, 2007
February 1st, 2007
A minha quebrada, mano.
No meu bairro tem uma doceria daquelas bem tradicionais. Nada de invencionices de calda flambada de frutas vermelhas do bosque: Na Quituteira só existem bolos de chocolate, nozes com ameixa, limão, brigadeiro. O quindim é indecente de bom. A balconista é uma senhora já bem de idade, que me deixa com água na boca ao descrever os bolos mais fresquinhos.
No meu bairro tem uma papelaria cheia de prateleiras que escondem canetas, cadernetas, bloquinhos, lápis, clips coloridos, cadernos de caligrafia. É a mais barata da região, o dono é um senhor gordinho e bigodudo que se atrapalha atrás do balcão e faz as mocinhas que lá trabalham revirar os olhos e suspirar, porque elas são rápidas e ele demora para conseguir pegar uma caixinha de grafite 0.5; mas ele é tão bonzinho e simpático que os clientes nem se incomodam.
No meu bairro tem uma loja cujo dono é japonês. Ali ele tira fotos para documentos, faz cópias, revela filmes, e como o tempo não pára, passou agora a fazer revelação digital. É um barato o japonês velhinho digitando com dois dedos e baixando as imagens, mandando imprimir. Ele toma o maior cuidado com as impressões como se fossem as fotos de filmes antigos, quando ele as revelava em câmaras escuras com luzes vermelhas.
No meu bairro tem uma locadora com atendendes meio malucos, que parecem saídos de um filme do Kevin Smith. Já familiarizados com meus gostos estranhos em matéria de cinema, um deles anuncia alegremente sempre que chega um filme novo sobre zumbis, a outra me indica excelentes filmes de mulherzinha, enquanto o terceiro faz alguma piada sobre a Julia Roberts. Mas quando chegam clientes menos íntimos, eles se disfarçam de profissionais e indicam filmes cabeça, blockbusters horrendos e até mesmo pegam o "Xerec" na prateleira sem cair na gargalhada.
No meu bairro tem uma pizzaria que entrega até as duas da manhã, e o atendente já sabe que não como carne, e nem preciso mais pedir pra tirar o bacon da pizza de champigon. Ele já anota o pedido junto com meu guaraná diet, e o safado sabe que se me oferecer duas vezes a torta holandesa eu sou bem capaz de aceitar. E sempre conta uma piada ou faz uma gracinha com a gorjeta do entregador.
No meu bairro tem uma perfumaria apertada, com prateleiras cheias de shampoos, cremes, loções, esmaltes, esfoliantes, hidratantes, defrizantes, tintas, óleos, coisas perfumadas às pencas para tratar o corpo, o cabelo, as unhas. Apesar do pouco espaço, sempre acho tudo que preciso lá, desde o shampoo mais comum até o papel especial pra fazer as luzes no cabelo. E umas mocinhas cheias de dicas para cabelos cacheados como os delas.
No meu bairro tem um salão que só faz unha, depilação e massagem chamado Camomila. Tem uma manicure com um monte de piercings, a outra com cabelos louros platinados nas raízes e negros nas pontas, uma recepcionista meio mal humorada que só me serve café com adoçante depois que eu peço pelo amor de deus, e a moça do caixa que me olha feio porque eu sempre esqueço que lá não aceita Redeshop, só Visa, e eu saio correndo pra sacar o dinheiro no caixa e volto toda descabelada pra pagar.
No meu bairro tem uma loja de sapatos onde encontro sapatos de bico redondo como meus pés pedem. Tem uma outra que vende all stars. Tem loja de roupas, uma ponta de estoque de vestidos, um banco onde a segurança libera a porta para que eu entre, um pet shop baratíssimo, um veterinário caipira, uma sorveteria por quilo, um restaurante japonês, um boteco barato e outro caro.
Eu sei que o ano escolar recomeçou. Como eu descubro isso, assim, instintivamente? Não é o trânsito. Nem as reportagens do SPTV sobre o custo do material escolar - que é a mesma desde 1978, trocando só os infográficos pra atualizar os valores das canetinhas hidrográficas.
O que realmente me mostra que o ano letivo está iniciando-se é a bandinha do Sagrado Coração de Jesus. Vejam, eu moro bem ao lado deste católicíssimo colégio. E duas vezes por semana a animada bandinha se reúne pra tentar tocar músicas fanfarra style e animar a torcida do jogo de futebol.
Ano passado eles tentaram tocar When The Saint Go Marching In, além do Hino Nacional e de Jesus Cristo, do Rei Roberto.
Esse ano, aparentemente, estão fazendo uma versão indie de Babalu cantada pela Ângela Maria.
Ou então Mamãe Eu Quero, não sei bem. Quando uma tuba, dois tambores, diversas cornetas genéricas e um sax contralto se digladiam embaixo da minha janela, é difícil reconhecer a canção.
E eu agradeço aos céus por morar no décimo segundo andar.
Sabe quando você está solteira, na maior seca? Aí um dia você arruma um namorado meia boca, mais ou menos legal, mais ou menos bacana, mais ou menos bonito. Aí você começa a namorar, apresenta pros amigos, tudo vai indo bem, você tá contentinha e felizinha...
Aí o Brad Pitt te liga pra convidar pra um jantarzinho íntimo, com ou sem a Angelina, a gosto do freguês. Você, moça séria, diz não.
De repente liga o Clive Owen chamando pra um cruzeiro pelas Bahamas. Você, moça de família, agradece e nega.
Mas não consegue deixar de pensar: "Pô, um mês atrás eu aqui tomando banhos frios pra me acalmar e agora metade de Hollywood me liga? E se o Ewan McGregor ligar?"
Pois é, arrumei um emprego legalzinho.
Meu celular tocou hoje duas vezes, com duas propostas de emprego bacanudas.
Não posso mais deixar comentários no Blogsome. Aparece uma mensagem dizendo que meu IP está numa lista negra de spams automatizados.
Quando conecto, um site de "hot brazilian girls" abre automaticamente.
Meu msn cai sem parar.
O scan do McAfee não acha nada, nem o Ad-Aware encontra nada.
Se eu não estivesse ocupada trabalhando como uma idiota, ficaria tensa, imaginando a possibilidade de vírus.
Sorte que eu sou uma pessoa empregada, não?
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Mais alguém vai trabalhar no carnaval?
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Tô com gastrite. Meu sapato aperta. Acabou o chocolate. Tô com sono. Unha encravada. Esmalte descascou dois dias depois de fazer a unha na manicure. Digitei um post e ele sumiu. Celular não funciona direito. Mãe reclama que eu não tenho tempo pra ela. Gato miando. Dinheiro acabou. Gata com verminose. Calças precisando fazer barra. Amigos viajando no carnaval. Casa bagunçada. Dor no joelho.
Quanto ao texto abaixo, preciso dizer que de vez em quando até mesmo os comerciários têm o direito de serem felizes.
Ganhei 4 caixas de bis num sorteiozinho.
Consegui folga. Namorado conseguiu folga.
Vamos para a praia com metade da Blogagi.
Ah, que beleza.
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No supermercado em que trabalho, os funcionários devem colocar um selinho nos produtos que trazem pra dentro da loja, como balas, biscoitos e... absorventes.
Isso significa, basicamente, que o responsável pela portaria sabe tudo sobre os períodos menstruais das mulheres da loja.
Estou pensando em fazer uma tabelinha e pedir que ele anote os dias em que a mulherada entra com absorvente. Assim poderei evitar atritos como o de hoje, no chá de bebê de uma feliz e gravidíssima colaboradora:
- EU é que ia dar o macacãozinho, tava na lista...
- Era EU, caramba! Meu nome tava lá!
- Olha aqui, sou eu, Walquíria!
- Bah, eu é que sou a Valquíria!
- Er... meninas.... vocês duas se chamam Valquíria e...
*gritos simultâneos*
- O meu é com W!
- O meu é com V!
- Peralá que eu vou ver como é que está na lista....er... isso aqui é um V ou um W?
- Parece um Y.....
- Tem alguma Yalquíria na loja?
*silêncio*
Imagine 6 blogueiros numa casa, junto com mais um casal não-blogueiro.
Imagine uma casa de frente para o mar.
Imagine rodadas e mais rodadas de mau-mau, pôquer, copas, truco.
Imagine porções pantagruélicas de lula, polvo, peixe, camarão.
Imagine caminhadas no centro histórico de cidades muito quentes na hora do almoço.
Imagine um monte de porcaritos e eu chegando com uma mega caixa de frutas.
Imagine passeios na praia, mergulhos noturnos, cochilos na sombra, castelos de areia, cerveja à tarde, café forte, conversas longas, umas sérias e outras completamente imbecis.
Imagine que além de tudo isso eu ainda ganhei um chinelo de presente, ouvi declarações de amor, comi um quilo de pêssegos, goiabas e ameixas, dormi como uma pedra e descansei muito.
É o melhor filme do ano. Sorry, Clint, foi mal, Martin, mas eu discordo da Academia: LMS é o filme que me fez sair do cinema dançando Superfreak, do Ricky James.
Pra quem não sabe, é a genial música da qual o MC Hammer chupinhou o riffzinho de "U Can't Touch This", aquele "pã-nãnãnã"
Enfim, com um roteiro diferentão, retrata a história de uma família tão disfuncional quanto a sua, que tenta levar uma garotinha pra participar de um concurso de beleza a um Estado de distância.
Se eles conseguem? Se ela ganha o concurso? Ah, não vou botar spoiler aqui não. Mexam suas bundas e vão até o cinema mais próximo*. AGORA.
O filme vale a pena, cada segundo dele. Há algum tempo eu não ria de verdade no cinema, de dar gargalhadas. Com um humor inteligente, diga-se de passagem, e não com piadas envolvendo cu de cachorro, por exemplo.
De maneira sensível e nada piegas, minha querida Toni Collete interpreta a mãe, Greg Kinnear o Pai, Alan Arkin o avô cheirador(papel que lhe valeu o Oscar), e dois estreantes interpretam a menina lindinha e seu irmão, um adolescente fã de Nietzsche que fez um voto de silêncio e não diz uma palavra há meses.
A surpresa fica por conta do papel do irmão suicida: Steve Carell, sem fazer caretas e sem dar vexames, dá vida a um personagem divertidíssimo.
A cena do bilhete "Please don´t kill yourself tonight" é impagável. Fio minha primeira gargalhada escancarada, logo nos dez primeiros minutos de filme.
E não parei por aí. Não mesmo.
*se você mora em Lajeado, vai ter que mexer a bunda um pouco mais que os outros, ok?
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Coisas estranhas vêm de três em três: hoje vi uma árvore caída em cima de um carro na Pompéia. No meio da avenida.
Fiquei imaginando como deve ter sido esse acidente. Imaginei a Parati preta subindo a avenida e de repente uma enorme árvore caindo sobre ela. Já vi no UOL que o motorista está ferido, mas parece que passa bem.
E o susto? E o medo? Esse homem deve estar deitadinho numa cama no São Camilo olhando pro teto e reavaliando toda sua vida; talvez se perguntando porque Deus ou algum poder superior de sua escolha tenha lhe dado uma segunda chance.
E talvez ele mude um monte de coisas na sua vida, passe a ir à Igraja, ou mude de Igraja. Talvez ele nunca mais dirija, talvez ele pegue o carro pra ir embora pra sua casa. Pode ser que ele tenha percebido que ainda é apaixonado por sua esposa, ou então tenha finalmente decidido pedir o divórcio.
Não sei. O fato é que segundas chances são raras o suficiente para se refletir sobre elas.
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A terceira coisa estranha do dia foi ir de metrô até o ponto final, na Vila Madalena. Nunca havia parado pra pensar em como o metrô voltava do ponto final. Imaginava vagamente que deveria haver um pátio de manobras ou coisa similar, onde os trens seriam virados.
Hoje descobri que não é assim: o trem vai até o fim, troca de trilhos e volta exatamente em direção ao lado oposto. Muito mais simples do que eu poderia conceber.
A parte legal é que o motorista/maquinista/condutor sai da ponta "da frente" do trem e um outro entra na ponta "de trás" do trem para seguir viagem na direção oposta.
Na minha mentezinha deturpada, já supus que poderia ser o mesmo condutor: ele correria de uma extremidade do trem à outra, em poucos segundos, e continuaria sua viagem.
Os metroviários seriam profissionais completos: atentos aos trilhos, com conhecimentos de informática para operar o trem e com fôlego de atleta.
100 metros rasos de condutores, ISSO sim seria divertido.