Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for May, 2007
May 4th, 2007
Sindrome de Top Model
Não me lembro qual Top Model uma vez disse que não saía da cama por menos de quinze mil doletas. Não lembro se foi a Naomi, a Linda ou a Cindy, mas foi umas dessas do antigo primeiro escalão, coisa de começo dos anos 90, clipe do George Michael e muito delineador e sombra fumê.
Eu queria ganhar dinheiro toda vez que eu levanto. Não importa o quanto eu trabalhe, a merreca no final do mês é sempre a mesma. E as contas não páram de crescer e ficar fortes e espadaúdas.
Se eu pudesse dar um único conselho às gerações futuras, seria: usem filtro solar o cacete não entrem no cheque especial. O cheque especial é mau e faz pessoas do bem se enredarem cada vez mais nas malhas terríveis dos juros. Porque as pessoas do bem que devem as calcinhas no cheque especial têm um grande defeito: elas querem pagar. E comprar Vagisil, mas isso é outra história.
Sim, as pessoas de nome limpo na praça, seres distantes do Serasa, a classe média espremida e judiada, aqueles cujo nome é o único bem que possuem; nós, os brasileiros honestos, trabalhadores e devotos de N. S. D´Aparecida. Nós somos devorados pelos nada bonzinhos ou afetuosos bancos.
Nós ligamos, e com voz firme comunicamos à mocinha do telemarketing: Devo, não nego, pagarei em suaves parcelas. E ela, magnânima, concede um desconto: ao invés de juros de 12% ao mês, lhe é oferecido um parcelamento a perder de vista, com juros muito menores, de apenas 11,5% ao mês. Um negócio da China.
Você, cidadão esforçado e cumpridor de leis, aceita. E se fode.
No fim das contas, a vontade é mandar tudo às favas e fugir da cidade. Montar uma barraquinha de sanduíche natural em Boiçucanga e ser feliz. Aí você, um empreendedor nato, lembra-se que o verão acabou. E no dia seguinte acorda e vai trabalhar de novo, lutando por seus minguados caraminguás no final do mês.
Mas ao voltar pra casa, preso num congestinamento monstro, você não consegue deixar de imaginar que uma barraquinha de sopas em Visconde de Mauá também pode dar um lucro razoável. Além de proporcionar uma bela vista.
Aí você engata a primeira, suspira e mete a mão na buzina por causa de um motoboy que te fechou, no meio da Marginal Pinheiros.
Ê, vida besta. Hoje acordei até mais cedo que o normal. Cadê meus quinze mil dólares?
Só entrei num momento introspectivo e tal. Zero saco pra postar, pra ligar o computador e pra pensar. Gripe, trabalho, falência geral... essas merdas. Nhé.
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Muito trabalho, muitas reuniões. Algumas úteis, outras absolutamente inúteis. E você nota que está numa reunião particularmente inútil quando:
1. Você considera utilizar a garrafa de café morno como base para um coquetel molotov, causar uma explosão no data show e gerar alguma emoção no meio da tarde.
2. Atear fogo ao próprio corpo começa a soar como uma forma perfeitamente razoável de protesto.
3. Inicar uma guerra de comida com os pães borrachudos do coffee break parece uma diversão saudável.
4. Você começa a imaginar que os números nas tabelas têm um significado oculto e relacionado com a Biblía, a Opus Dei e Star Trek.
5. A perspectiva de ir ao banheiro gera uma ansiedade e alegria incontroláveis.
6. Você faz uma espécie de bingo usando as palavras motivação/resultado/diferencial.
7. Você começa a notar a cor do esmalte de todas as colegas do sexo feminino. Disfarçadamente, todas tiram os sapatos por baixo da mesa e comparam as cores.
8. Seus planos mentais para quando chegar em casa, que envolvem lavar a roupa e trocar a areia dos gatos começam a parecer MUITO mais atraentes do que a perspectiva de ficar mais uma hora ali.
9. Você nota que seu sapato tem furinhos nas laterais e que com apenas uma caneta bic comum você pode traçar desenhos abstratos no peito do seu pé.
10. Um desejo assassino toma conta de seu ser e você passa ter certeza que nenhum júri lhe condenaria por espancar o analista financeiro que pela terceira vez tenta explicar por que é perfeitamente justo que você tenha que subir suas vendas em 30%, ao mesmo tempo que o diretor ganha um novo carro da empresa.
O caso é que ontem fomos assistir Homem Aranha 3, finalmente. O filme é bacaninha, efeitos especiais de ponta e tal. Pro meu gosto, tem mimimi demais com a Mary Jane, a Tia May e o vizinho russo. De maneiras diferentes, claro. A Gwen mal aparece e o Venon rouba a cena o tempo todo - e aparece pouco, também. Aliás, o Venon nem é chamado de Venon.
Quando o Peter fica possuído (ui!) pelo simbionte, ele vira emo. É uma gracinha, ele puxa a franjinha e surgem sob seus olhos linhas de lápis de olho. Ele usa roupinhas melhores e mais elegantes em tons de preto e faz diversas dancinhas de dar orgulho a Tony Manero. Por fim, dá um show de sapateado no barzinho onde MJ vai trabalhar. Enfim, o simbionte é a melhor parte do filme.
Além de ser fonte inesgotável de piadas:
- Joãozinho, cadê a lição de casa? - O Simbionte comeu, professora!
Ou então:
- Almeida, 40 minutos de atraso de novo? - Chefe, foi o Simbionte que tava fechando a Marginal!
E ainda:
- Seu desgraçado, quem era aquela vagabunda que você estava beijando?? - Não era eu, benzinho, era o simbionte!
Dá pra brincar disso durante horas, minha gente.
Spoiler aqui em baixo. Pra ler, marque o texto.
Dá raiva o final com o Duende Verde Jr. Redenção ali é mato, lugar comum também. Fora a cena final, quando MJ pára de cantar. Se eu sou a dona do boteco, grito:
- Tá despedida, cacatua desafinada! Em compensação, você aí, com a franjinha! Está contratado! Foi o melhor show de sapateado que já tivemos por aqui desde que Gene Kelly parou de frequentar essa espelunca, em 1963!
Muito bem, fui intimada a fazer um post com sete coisas esquisitas sobre a minha pessoa. Se fosse a fundo nesse assunto, ia ter que escrever um livro. Mas vamos lá.
1. Acordo de bom humor. Acordo cedo, cantando, dando bom dia aos passarinhos. Sorrio muito, converso com os gatos, como uma maçã, e não entendo como pode o resto da humanidade acordar de mau humor e ser malvado comigo enquanto o sol se levanta anunciando um novo dia. Sou assim desde pequena e a idade avançada não faz as coisas mudarem. Correlacionando com este fato, durmo cedo. Por mim, dormiria toda noite antes das nove. Costumo dar lindas cochiladas no sofá. Se não fosse o fato de CSI passar as dez, eu ia dormir bem antes, certeza.
2. Morro de medo de palhaços. É paralisante. Só de pensar naquelas maquiagens brancas, naqueles sapatos gigantes, na flor na lapela... me arrepio toda. Isso vem desde a infância. Chorava em todas as festas com palhaço. Hoje, sou contra o Teatro Mágico, por motivos óbvios. Também tenho medo de índio americano, do tipo que faz rituais xamânicos. Morro de medo de rituais xamânicos, sabem? Mas rituais desse gênero não acontecem por aí todos os dias. Já palhaços... num farol, no shopping e outro dia até mesmo dirigindo um Escort branco na Marginal Pinheiros.
3. Eu choro. Com filmes, livros, novelas, comerciais de margarina, de refrigerante. Choro em casa, no cinema, na rua, no trabalho, no trânsito. Choro quando estou feliz, quando estou triste, quando me emociono, quando fico nervosa, com raiva ou cansada. Eu choro, choro, choro. Eventualmente eu páro e chupo uma mexerica. Aí me sinto melhor.
4. Tenho verdadeira loucura por animais. Gatos em especial, cães em geral, mamíferos de maneira genérica. Acho todos fofos. Se vou a um zoológico, paro em frente a cada jaula, dizendo: "Óun, como a foca/ariranha/cobra dágua/girafa/tartaruga é fofaaaa." Me derreto com filhotes e sou capaz de aguentar mordidas e arranhadas sem dar um pio. Não gosto muito de pássaros, entretanto. Tenho aflição das penas e eles sempre me parecem meio agressivos. Sei lá.
5. Começo a ler livros pela última página. Antes de ler o começo, abro a última folha e leio o último parágrafo. Não costuma fazer sentido, mas eu passo o resto da leitura imaginando o que irá ocorrer para que a última frase seja "Nunca mais vi nenhum deles - a não ser os tiras. Ainda não inventaram uma maneira de dizer adeus aos tiras." (O Longo Adeus, Raymond Chandler)
6. Sou obsessiva com informações. E tenho uma memória bizarra que guarda as coisas mais estranhas. Sei quanto mede uma jarda, um pé e uma milha. Me lembro da letra de canções infantis, tipo Mané Pipoca. Consigo relacionar roupas com o século em que foram usadas. Enfim, coisas inúteis, mas que no entanto servem pra animar conversas em festinhas miadas.
7. Sou MUITO sociável. Sei o nome de cada um dos 162 funcionários da minha loja. Almoço com eles no refeitório e depois jogo dominó. Bato papo na fila do banco. Troco receitas com a faxineira. Converso com o cobrador do ônibus. Com a vendedora da loja do shopping. Com o balconista da farmácia. O que importa é que as pessoas parecem felizes com isso. Ou fingem bem porque têm dó de mim, sei lá.
A minha maldição vai pra Amber, pra Raphaela e pra Amanda. Corrente pra frente com a mulherada.
Cada dia que passa eu me convenço mais que meu apartamento tem um índio enterrado debaixo dele.
Entre armário da cozinha que despenca e vozes que ouço de noite, acredito que o vórtex de todo o mal esteja em meu banheiro.
A pia do mesmo já caiu. A privada, com um vazamento bizarro, deu uma canseira no encanador. O chuveirinho vive soltando. E agora a parede estufou sozinha, revelando um mega vazamento por lá.