Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for June, 2007
June 4th, 2007
Não vou falar disso.
Eu juro que ia fazer um post bonitinho, com historinha e o caraleo. Mas agora eu tô puta, porque parece que não importa o quanto eu planeje minha vida financeira: sempre surge alguma merda que acaba com todas as mil contas que eu fiz.
Como não aguento mais me lamentar por isso aqui (e ninguém dá dinheiro pra me consolar), vou fazer a porra da corrente que o Zander me mandou. Não sei porque ainda não coloquei o blog dele nos links aí do lado e... bom, na verdade eu sei. É porque o filhodaputa fica me mandando correntes.
Bora lá.
07 coisas que tenho que fazer antes de morrer:
Arrumar minhas finanças
Conhecer a Europa (com as finanças em dia)
Comprar meu cantinho e parar com o aluguel
Ter filhos.
Parar de matar minhas plantas pra poder ter filhos mais sossegada.
Voltar a estudar.
Aprender a falar italiano.
07 coisas que mais gosto:
Chocolate.
Pés descalços na grama.
Banho quente num dia de cansaço.
Nadar.
Ler.
Dormir junto.
Gatos (e animais em geral)
07 prazeres fúteis:
Ouvir música no carro
Comer doce depois do almoço
Usar xampu cheiroso
Pintar unhas do pé de vermelho
Dormir mais cinco minutinhos
Ficar no msn de bobeira
Fofocar, fofocar, fofocar.
07 coisas que mais digo:
Puta que pariu.
Ai meu deus.
James Brown/Bill/Bea/Cuca, desce daí!
Oi?
Caralho!
Mas que porra é essa?
Senhor, o corredor de vinhos fica ali à esquerda.
07 coisas que faço bem:
Cozinhar.
Ouvir os outros.
Contar mentiras brancas, do tipo "Adorei a meia que a senhora me deu, titia!"
Massagem.
Lembrar de coisas fúteis.
Falar em público.
Dividir a conta em bares.
07 coisas que não faço:
Mentir por maldade.
Roubar.
Prejudicar os outros.
Maltratar pessoas em posição social inferior.
Maltratar animais.
Desrespeitar o próximo.
Comer bacon.
07 coisas que me encantam:
Gente que sabe desenhar.
Bichos dormindo.
Descobrir como as coisas acontecem e poder explicar o mundo.
Sol de outono, com céu azul e vento frio.
Ouvir o mar numa praia bem vazia, de olhos fechados, deitada de costas e sentindo o sol queimando de leve, num dia não muito quente, no verão.
Algodão doce.
Uma boa história.
07 coisas que odeio
Gente que não sabe escrever, acha que sabe, e usa oito vírgulas numa frase de doze palavras.
Preconceito.
Injustiça.
Ficar com fome.
Dor de cabeça.
Acabar o papel e higiênico e esquecer de comprar.
Quando você planeja toda a sua vida financeira, aí acontece uma estupidez do banco e dá tudo errado, e você se fode por conta de um imbecil que te deu a informação errada e... Ah, merda, eu disse que não ia falar disso.
Manual para Moças de Fino Trato, Capítulo 8: O Ex.
Manter uma relação saudável com seu ex é uma arte. Mesmo que ele tenha tomado a decisão de trocar você, moça fina, mulher moderna, inteligente e independente por uma infeliz descerebrada com a aparência geral de um cachorro pug; ainda assim você deve controlar sua raiva e moderar seu escárnio.
Não vá à porta do trabalho dele dar escândalo ou implorar por um retorno ao lar. Ridicularizá-lo mencionando o tamanho de seu órgão sexual ou o pouco interesse erótico dele também é considerado deveras deselegante, ainda que seja a mais pura verdade.
Estas atitudes denotam apenas uma terrível imaturidade de sua parte.
O comportamento ideal envolve garbo, elegância e finesse. Seja um ser superior. Trate-o com educação.
Quando ele ligar, diga que claro, tem um tempinho para conversar, mas apenas uns dez minutos, pois tem que ir tomar um café com uma amiga lá no Santo Grão. Mencione rapidamente que um amigo em comum irá casar-se e que você foi convidada, mas que não sabe o que vestir. pergunte o que a namorada dele irá usar. Quando ele disser que não foi convidado, deixe escapar um "ops" e diga que tem que desligar, com ar de quem cometeu uma gafe inesperada.
Mostre-se disponível de tempos em tempos. Ligue pra ele, conte sobre seu novo emprego, sobre como sua família vai bem, como sua mãe parece estar muito mais tranquila, e claro, não esqueça de dizer que a mãe dele liga sempre pra bater um papinho.
De vez em quando, faça uma brincadeira com o fato de que ele te traiu: diga com voz alegre que finalmente voltou a poder passar por portas e arcos baixos. E dê uma risada sincera.
Tratando-o com toda essa gentileza, ele certamente irá continuar a prestar os serviços tão necessários à uma moça moderna, serviços estes que ele prestou ao longo de seis anos: arrumar seu computador. De preferência numa sexta à noite, deixando claro que seu novo namorado irá chegar em breve e que quem sabe vocês poderiam até pedir uma pizza e um guaraná.
Por óbvio que como mulher superior você conta pro seu atual namorado que o ex está lá, arrumando seu computador. E ainda diz ao ex que você e o atual não têm segredos, que é uma relação super sincera e que ele não tem ciúmes do ex porque sabe que todo e qualquer sentimento que você tinha por ele já acabou faz tempo. Diga isso preferencialmente depois que ele discretamente não atender uma ligação no celular e fizer cara de culpado.
Aproveite para perguntar na sequência se a namorada dele continua usando água oxigenada e chapinha em excesso. Mas faça isso com ar de preocupação: diga que leu na Marie Claire que isso faz um mal danado às células cerebrais - deixando claro no sub-texto que mesmo umas poucas dessas fariam falta à moçoila descolorida.
Mostre seu novo Playstation 2 e conte como você continua adorando jogos eletrônicos, futebol, cerveja no boteco e conversas cheias de piadas sujas. E como você outro dia encontrou com os amigos dele no boteco pra tomar cerveja e fazer as supra mencionadas piadas. Diga que a conversa foi tão boa que vocês nem mesmo ouviram o celular de um deles tocando e que foi por isso que o ex não foi chamado.
E quando ele tiver terminado todo o serviço informático, instalado arquivos, configurado sua internet, limpado todo o lixo eletrônico de seu HD, arrumado sua pasta de downloads e retirado aquele vírus spyware do capeta, dê-lhe um abraço, um tapa na barriga, e diga sorrindo:
- Porra, como você engordou! O quê, uns dez quilos??
Com um apertão simpático nos pneus dele, conduza-o à porta e dê um tchauzinho feliz quando ele entrar no elevador.
Isso substituirá meses de terapia, minha amiga.
No próximo capítulo do Manual para Moças de Fino Trato: A Tampa da Privada Levantada. Como lidar de maneira eficiente com este dilema da vida à dois.
Treze horas de trabalho. Almoço ruim. Cansaço. Clientes mal humorados. Correria. Broncas em funcionários. Exausta, comprei um pote de sorvete e fui pra casa quase dormindo nos faróis fechados. Foi um daqueles dias nos quais você se sente mastigada e cuspida por um monstro destruidor de Tóquio.
Celular toca onze e meia da noite.
- Oi!
- Oi!
- Tá saindo?
- Tô.
- Foi corrido hoje?
- Muito.
- Eu também.
- Que merda.
- É.
- E meu presente de dia dos namorados?
- Xi, acho que nem deu certo, parece que acabou meia entrada...
*bi bi*
- Isso foi uma buzina?
- Foi.
*bi bi*
- É um fusquinha??
- Não, é uma lotação.
- É um fusquinha, eu sei que é!
- Nem.
- Eu vou ganhar um fusquinha de dia dos namorados! Yey!
- Não vai!
- Tralala-lá, um fusquinha!
- Pára de falar que é um fusquinha, Gabi.
- Não páro! Fusquinha!
- Pára, chata.
- E o post mimimi?
- Não vou fazer.
- Vai me mandar um e-mail?
- Não.
- Um scrap?
- Nope.
- Nem um sms? Você nem paga!
- Nem. Dê-se por feliz por estar falando comigo agora.
- Tá, então faço eu.
Aí o ônibus dele chegou e ele resmungou algo sobre excesso de barulho e desligamos. Ele acha que vai ganhar meias. Eu tenho certeza que vou ganhar um fusquinha. É mais ou menos assim que funcionam as coisas aqui, sabem?
Eis que hoje, perto da hora do almoço, consigo fugir do trabalho para ir à depilação. Liguei no salão e descobri que minha fiel profissional anti-pêlo, Glorinha, está de férias. Com as pernas parecendo as de uma ursa loira, a situação beirava o desespero. Marquei com outra moça e fui lá, feliz, fazer o que definiu tão bem a Dona Nair, faxineira lá da loja:
- Gabi, você demora?
- Não, Dona Nair, vou só no salão...
- Vai fazer as unhas?
- Não, uma depilação...
- Opa, vai dar um tapa na bonita!
- Então, né...
*insira uma risada safada aqui*
Cheguei ao local e rapidamente fui atendida pela Cida, uma mulher de uns 40 e muitos anos, negra e com os cabelos bem curtinhos. Simpatizei com ela de cara. Ainda bem. Não gosto de mostrar a bonita pra gente que não simpatizo. Acho que pega mal, sabem?
Não sei se alguns dentre os que lêem este post já tiveram a oportunidade de fazer uma depilação de virilha. Para resumir trata-se de coisa mui constrangedora. Dar um tapa na bonita consiste em ter cêra quente aplicada a partes delicadas de sua anatomia, e posteriormente puxada sem dó. Toda depiladora é um pouco sádica. Deve ser pré-requisito do cargo.
Como é próprio do ser humano, quando colocado em posição suficientemente constrangedora, a gente começa a falar qualquer bobagem. Sei lá, qualquer coisa, só pra depiladora não ter que dizer nada sobre a sua...er... bonita. Lembrei de algo que li numa revista Nova e soltei:
- Essa depilação tá na moda, né?
- Ah, agora a mulherada tira quase tudo, menina!
- Acho que é por causa das famosas, nas revistas, né?
- Ah, deve ser. Porque antigamente elas não tiravam era nada...
- É verdade, a Claudia Ohana...
- E a Vera Fischer, menina?!
- É mesmo, a Vera...
- Ela foi no instituto que eu trabalhava antes, nos Jardins.
- Jura?!
- Pois é. A cunhada dela era minha cliente e me indicou, isso foi lá em 90 e pouco... faz uns quinze anos.
- Mas e aí?
- Aí eu tava grávida da minha quarta filha...
- Pera, você tem quatro filhos??
- Tenho seis, menina.
- Nossa senhora. Mas fala da Vera.
- Ah, então. Ela veio, com a cunhada. E menina, nem te falo... uma selva!
- Hihihihihihihihihihihihihihihi
- Sério, era uma mata atlântica!
- Hehehehehehehehehehehe
- Eu queria era pegar a caneca toda de cêra e derramar ali de uma vez!
- HUAHUAHSUASHUHSIUHSDFBKSFGASUDYFGSFVKASJ
- Pára de rir que vai ficar torto. Pode virar, aliás.
- Ai.
*puxa*
- E como xingava, a mulher. Me chamou de vaca pra baixo.
- Credo!
- Mas também, com aquele tufo!!!
- Compreensível. Ai!
- E pra piorar era colorido.
- Quê?
- Colorido, pintado de azul. Era moda, na época.
- HUAHSULJKZXCHZMCBALSJDLTFIAUSYTFGIKGFSKCNBVZS
- Pronto, olhaí, vai ficar tudo torto. Fica quietinha.
- Sim senhora.
*puxa*
- Ai.
No fim, com a bonita em dia e as pernas lisinhas, saí do salão muito bem humorada pra trabalhar à tarde. Mesmo sendo pão dura, deixei uma gorjetinha pra Cida. Ela merece, só por ter enfrentado cara-a-cara o tufo de Vera Fischer.
Depois de uma semana de loucura no trabalho, causada por um secretário que interditou a merda toda porque não tem mais o que fazer pequeno percalço com a prefeitura, finalmente minha vida vai voltar ao normal e eu trabalharei apenas as minhas doze horas diárias tradicionais.
Agora com licença que eu vou ali tomar DOIS Dorflex e dormir um bocado. Umas sete horas seguidas pelo menos! Ou seja, três a mais do que tenho dormido ultimamente.
E agora eu descobri uns emoticons super mega master divertidos, então não vou nunca mais escrever um texto decente e apenas utilizarei estes desenhinhos para me comunicar com o mundo.
E esse aqui é super legal porque é tipo uma cebola toscamente desenhada que de repente incha e fica com uma cabeça desproporcional como a do Julio.
Por fim, um de amor, porque essa semana eu mal falei com o namorado e estou com saudades.
Aí eu combinei que hoje ia entrar mais tarde no trabalho, pra ficar até as 22 horas.
Aí ontem a noite eu me empolguei, fiz janta e tudo. Eric chegou super tarde e jantamos meia noite, uma deliciosa tainha com hortelã e cardamomo.
Aí eu fui dormir mais de duas da manhã, feliz e contente porque hoje poderia dormir até mais tarde.
Aí meus gatos me acordaram sete e meia da manhã. Levantei meio zumbi e fui dar comida pra eles.
Aí eu fui dormir de novo.
Aí a escola aqui em frente começou a tocar músicas sertanejas. Bem alto. Mas bem alto mesmo. Aparentemente, hoje é o dia da festa junina do colégio. E o pessoal gosta de música alta. Muito alta.
Aí eu peguei minha bazuca e explodi tudo lembrei que sou uma pessoa do bem e apenas resmunguei um bocado.
James Brown muitas vezes se comporta como seu homônimo, o pai do Soul. Ele corre pela casa como se estivesse possuído, escala as cortinas, pula em cima dos outros gatos, ataca meu pé por cima das cobertas, derruba qualquer objeto colocado sobre a mesa e sobe em lugares jamais imaginados.
Talvez devido á influência de ter o nome do Sex Machine, ele ainda não foi castrado. Os outros todos já passaram pela mesa do veterinário, onde tiveram seus testículos ou seus ovários extirpados, com a intenção de evitar uma superpopulação de gatos aqui em casa. Mas ele ainda não.
Hoje vim mais cedo pra casa, movida por uma enxaqueca monstro que se agravou depois de tentar almoçar. Tomei um monte de gotas de dipirona e caí num sono abençoado em meu edredom fofinho.
Quando acordei já sem dor, por óbvio, estava cercada de gatos. Bill e Bea se amontoavam ao meu lado, Cuca lá nos pés da cama. E o James Brown se esparramava em cima da minha barriga. Eu me mexi um pouco, ele acordou e deu uma bela espreguiçada.
Aí eu lembrei que preciso castrá-lo, ele está mocinho e tudo mais. Mas na hora me veio um sentimento de que se castrá-lo ele irá perder alguma coisa além de sua capacidade de fertilização. Não sei, é um brilho no olhar dele, um jeito de andar, uma espécie de felinidade elegante que lhe é inerente.
Acho que se castrá-lo, ele irá perder seu mojo.
Assim como Austin Powers e Jim Morrison, meu pequeno James Brown tem aquele toque blasé, aquela atitude despreocupada ante a vida. É como se ele levantasse o rabo, mostrasse suas felpudas bolas e dissesse: "Olá, mundo! Aqui estou eu e ninguém vai me parar!"
Tenho a sensação de que ele lembra a mim mesma algum tempo atrás, quando era jovem e achava que o mundo estava na minha frente, servido num prato.
Por enquanto, ele não representa risco. Quanto tenta assediar a Bea ou a Cuca, apanha desbragadamente, especialmente no caso da Cuca. O apartamento é todo telado, de modo que não há risco dele pular pela janela em busca de uma fêmea cheirosa 12 andares abaixo.
Então ele continua com seu glorioso saco à mostra, destruindo o sofá e sendo encantador quando se espreguiça. Seu mojo está à salvo.
Pelo menos até ele começar a marcar o território com xixi.