Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
Entries for July, 2007
July 5th, 2007
Índio quer apito
Acabo de sair de um longo treinamento sobre liderança. Durante os cinco dias em que estive lá, pude concluir diversas coisas sobre gerenciamento, chefia, liderança e proatividade. Tudo muito bonito e importante para meu desenvolvimento profissional.
Gostaria de compartilhar alguns insights que foram surgindo nesses tão importantes dias.
Acho estranho ser chamada de chefe. Sempre me sinto uma índia, alguma espécie de ser de tanga, bronzeada e com um arco na mão. E meu dia de trabalho seria assim:
- Chefe, os clientes chegaram.
- Matar eles!
*levanta o arco*
- Mas eles vieram fazer compras e...
- Chefe dizer matar todos!
*chacoalha o arco*
Isso sim seria um dia bom no trabalho: os clientes correndo pra lá e pra cá e a equipe atirando flechas nas bundas deles.
Quando me chamam de líder, fico meio preocupada. Sempre visualizo um disco voador pousando no meio da Av Paulista. Aí o Alien-chefe vê um funcionário atrasado feliz por ter uma desculpa pra chegar mais tarde colaborador dedicado correndo em pânico. E diz:
- Leve-me ao seu líder!
- Opa. É aquela baixinha loira ali.
- Valeu!
*desintegra a loirinha com arma de íons*
Entendem o medo de assumir um cargo de chefia? Fora a responsabilidade. Imaginem se ao invés de me desintegrar o Alien quer conversar:
- Você é a Líder dessa gente. Nós queremos invadir a Terra e tal e vamos começar aqui na sua loja.
- Pô, não faz isso não. Aqui tem gente boa e trabalhadora... Fora que eu preciso bater minha meta esse mês senão tô na rua.
- Mas a gente vai destruir tudo e acabou.
- Ok, comecem pelo depósito, assim não atrapalha os clientes que já estão pagando.
Comerciário é tudo mercenário mesmo.
Enfim, aprendi muito sobre assertividade, que é a arte de ser grosso sem ser grosso. Ou sem que a outra pessoa perceba sua grosseria. Ou de maneira que a outra pessoa não possa contestar sua posição sem dar mostras de que não sabe o que é assertividade e tenha que admitir sua própria ignorância:
- João, esta sua gravata não combina absolutamente com o resto de sua roupa. Trata-se de um produto barato e que você deveria jogar fora rapidamente. Caso contrário, serei obrigada a demiti-lo.
- Mas que grosseria!
- Nã-na-ni-na. Sou assertiva. Apenas apontei um fato real de maneira direta e aberta, explicando claramente as consequências de insistir em seu erro.
- Tá certo, chefe.
*queima a gravata e veste um cocar*
Também participei de dinâmicas envolvendo conversas difíceis, como sobre homossexualismo. A facilitadora questionava a todos sobre o que fariam se tivessem um filho gay. O bonito era ver diretores velhos de casa dando vazão à todo seu preconceito:
- Eu matava o filho da puta!
- Mas Almeida, aqui o objetivo é tentar entender o lado do outro, enxergar com outros olhos...
- Daqui a pouco você vai querer que eu saia por aí rebolando. Tô fora!
*participantes da dinâmica se entreolham e encolhem os ombros enquanto o Almeida sai batendo a porta*
Houve também uma dinâmica envolvendo uma música da Daniela Mercury, mas essa eu apaguei da mente. Era assustadora demais.
Enfim, foram dias bonitos no mundo corporativo. Agora vou ali treinar minha pontaria no arco e flecha e esperar por dias melhores.
Jack Bauer, a filha da Regina Duarte e o café feito de cocô
Acredito piamente que o Universo nos recompensa por certas atitudes. É uma coisa cósmica.
Eu costumo sempre me dar um presente de vez em quando: tomo café no Santo Grão, onde um espresso simples custa cerca de R$4,00, enquanto em qualquer cafeteria você consegue um espresso decente por metade disso. Mas de tempos em tempos acho que mereço um agrado. Um carinho.
Hoje, estressada e com sono, resolvi me mimar um bocadinho. Encostei numa das mesinhas e pedi um espresso no capricho. Os garçons, talvez por terem dó de mim ao ver as notas amassadas de um real que uso pra pagar a conta, costumam caprichar. Me dão a maior bolachinha, colocam a água com gás num copinho maior e bem cheio, essas coisas.
E enquanto eu respirava o aroma de um espresso perfeito, olhei para o outro lado da rua. Foi aí que vi Jack Bauer.
Atravessando a rua, de camisa preta, sem os óculos escuros e aparentemente desarmado, Jack Bauer atravessava a rua tranquilamente, fumando um cigarro e conversando com alguns amigos. Olhei em volta, procurando os terroristas. Ou o pessoal da UCT. Não estavam à vista. Provavelmente porque o perímetro deveria estar cercado.
Ele entrou no Santo Grão, seguido de jornalistas. Sentou-se à uma mesa próxima à minha e eu estiquei ou ouvidos pra acompanhar a conversa. Claro, ali poderia ser decidido o futuro dos Estados Unidos, ou talvez estivessem combinando uma execução sumária, sei lá. No entanto, eles só pediram café. O de Jack Bauer era um Kopi Luwak, ou Café Civet.
Aqui cabe uma pausa.
O Kopi Luwak é feito de maneira assaz estranha. Em algum país asiático, como a Indonésia ou a Malásia, um certo animal silvestre faz dos melhores grãos de café sua dieta especial. O tal bicho cata os melhores grãos e os come, com a finalidade de fazer seu sistema digestivo funcionar. Aí, com os movimentos peristálticos em dia, o fofucho defeca os grãos inteirinhos. A população local cata os tais grãos, separa, lava, estereliza. Estes grãos são então torrados e vendidos como um dos melhores cafés do mundo. Uma xicrinha do tal café custa mais de vinte reais. O quilo fica na casa dos mil reais. Coisa leve. Não acredita? Veja aqui, aqui ou aqui.
Enfim, Jack Bauer pediu o tal café. Demorou um pouco, mas ele nem apontou a arma pro garçom nem nada. Tem gente que em situações de pressão come mais. Outros tendem a beber. Ou ainda ter tiques nervosos. Jack Bauer, por exemplo, tem um tique: em caso de nervoso, ele aponta a arma e grita: now, Now, NOW! E aí coisas acontecem. Mas acho que ele está fazendo terapia. Mesmo demorando um pouquinho, ele nem gritou. O café chegou depois de um tempinho, ele tomou com cara de feliz. E ainda comeu uma tortinha de limão, acho.
Enquanto isso, eu tomava meu café, demorando horas. O café completamente frio e eu fascinada com o café de cocô do Jack Bauer. Eu olhava fixamente e dava risadinhas, imaginando se ele sabia o que estava bebendo. Minha vontade era dizer:
- Jack, you´re drinking coffee made out of shit, do you know that? - What??? These fuckers! Everybody down, now, Now, NOW!!!!!
Aí ele ia sair atirando e tal.
Depois de algum tempo, os garçons arrancaram a xícara vazia de meus dedos dormentes e tentaram me oferecer mais café e eu não tinha dinheiro pra pagar. Então achei melhor voltar a trabalhar. Mas na saída eu sorri pro Jack Bauer e ele deu uma piscadinha pra mim. Achei mais prudente não mencionar a origem do café dele. Voltei ao trabalho.
Mas ainda acho que essa visitinha do Jack Bauer foi a maneira do Universo me recompensar por todo aquele dinheiro gasto com espressos caríssimos.
Ah, a Gabriela Duarte? Apareceu lá na loja. Tem cara de sonsa e mede um metro e meio. Ela é menor que eu. E eu não respeito gente menor que eu. Só achei que ia ficar bem no título.
Tá muito frio e meus dedos estão duros pra escrver
Sim, estou em casa durante alguns dias, devido à um pequeno porém incômodo problema de saúde que não devo mencionar, devido à intimidade do mesmo. Basta saberem que dói pra burro mas não é nada sério.
Não, não são hemorróidas.
Enfim, enfurnada em casa e com este frio, só me resta assistir ao Pan e pensar sobre Pólo Aquático feminino. Que jogo mais besta.
É, não tenho assunto.
Outra coisa que pensei é em como as mulheres ao fim de um relacionamento buscam mudar seus cabelos. Eu mesma fiquei loira de vez ano passado, depois do fim do namoro e tal. Outras cortam os cabelos e ficam lindonas, ou ruivas, ou sei lá.
O que importa é que me parece que a tal transformação capilar ocorre quando a gente finalmente se recupera, se sente bem... o cabelo bonito é a cerejinha do bolo, porque a verdadeira mudança é interna. É como se disséssemos pro mundo: "Ok, meu namoro terminou e eu chorei porque sou uma besta. Agora eu vou ali com uma roupa linda assistir à um filme de mulherzinha porque meu namorado nunca queria ver essas merdas comigo. Eu nem gosto disso, mas dane-se, eu vou lá e pronto."
Aí a gente estoura o cartão de crédito em roupas, cosméticos e jantares em lugares bacanas, e faz terapia, e sai com as amigas e sei lá, dá mais atenção pra nossas mães.
O mais importante de tudo isso, sem dúvida, é que você fica com um cabelo bom.
Enfim, foi só uma conclusão que tirei entre um jogo de handebol e uma apresentação de ginástica artística masculina - categoria individual.
Todos estão escrevendo sobre o acidente com o Avião da TAM. Uma grande tragédia, sem dúvida. Quase 200 pessoas morrendo em uma explosão, avião passando por cima da Washington Luiz, explosão, terror, vias interditadas, caos na cidade numa terça-feira chuvosa.
Muitos estão indignados, buscando um culpado. Seria culpa das autoridades que forçaram a abertura de uma pista sem condições? Seria culpa do engenheiro que não previu as tais ranhuras na pista? Seria o avião da TAM portador de algum defeito? Seria o piloto que cometeu um erro? Os ânimos se agitam, as mãos acusadoras buscam réus para o crime.
É trágico? Sim, é. Eu fiquei sentada em frente à TV, vendo as imagens das chamas, o trabalho dos bombeiros, o posto de gasolina ao lado do prédio onde eu mesma já abasteci diversas vezes. Lembrei-me dos amigos que iam viajar para outros estados naquele dia, dos que moram naquela região e dos que por ali passam diariamente, nesse mesmo horário. Agradeci por não ser parente de nenhuma vítima, ao ver o desespero dos familiares. Sim, trágico, terrível, doloroso.
Sem menosprezar o drama das famílias nem tampouco afirmar que os culpados não devam ser investigados e punidos, ouso questionar: será que a opinião pública não está passando do ponto? "Nunca mais viajo de avião!", "Nunca mais embarco ou pouso em Congonhas", "Nunca mais vôo TAM". Se assim for, recomendo fortemente que essas pessoas nunca mais saiam de casa.
Em 2006, segundo a prefeitura, morreram 1.487 pessoas em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo, entre pedestres e condutores. Desse total, as vias mais violentas são as Marginais, a M´Boi Mirim e a Raimundo Pereira de Magalhães. Vale lembrar ainda que estes dados referem-se a pessoas que morreram imediatamente, no local do acidente. Os que foram socorridos e morreram em hospitais ou a caminho dos mesmos não entram nesta conta. ONGs estimam que este número dobraria se começassemos a contar também estas vítimas.
Pelo raciocínio de alguns, o correto seria dizer: nunca mais ando de carro, uma vez que o número de mortes é bem maior do que num acidente aéreo. Claro, as mortes no trânsito não têm explosão, nem chamas, nem transmissão ao vivo pela Band com o Datena gritando indignado, ou edição especial do Jornal Nacional com o Bonner com expressão triste. E os culpados normalmente são fáceis de apontar:um motorista imprudente, alcoolizado, ou simplesmente com muita pressa de chegar a algum lugar.
Alguém pretende parar de andar de carro - ou mesmo a pé, uma vez que as vítimas são também pedestres - para evitar uma tragédia? Ano passado, 1.487 famílias perderam um membro. Um pai, uma mãe, uma mulher grávida, uma criança... Alguém viu alguma coisa no jornal? A companhia que produziu o veículo prestou alguma assistência às vítimas? Alguém colocou florzinha no MSN em homenagem aos mortos no trânsito?
Lembrando também que as doenças coronárias matam cerca de 300.000 brasileiros ao ano. Eu repito, 300.000, ou o equivalente a 1500 vezes o número de mortos no acidente. Fiquem longe do bacon e das batatas fritas. Eles matam muito. Aliás, evitem ir ao banheiro. É o local da casa com maior propensão de acidentes fatais, como escorregões, choques elétricos e intoxicação por gás nos banheiros com aquecedor. E de maneira alguma usem celulares: ano passado meia dúzia deles andou explodindo, com pelo menos uma vítima. Não comam mais palmito: pode causar botulismo se a lata estiver com algum resquício de ferrugem. Evitem escadas. Um escorregão e você já sabe o que pdoe acontecer.
Vivam em bolhas, pessoal. É bem mais seguro e quentinho.
Voltava pra casa ontem, de ônibus, quando um cartaz me chamou a atenção:
JORI 2007, dizia em letras garrafais.
Jogos Regionais do Idoso, amiguinhos.
Me aprofundei mais na leitura e vi as modalidades: atletismo, natação, dama, truco, buraco, dominó, bocha, malha, dança de salão, vôlei adaptado, coreografia.
O que mais me assustou foi a última: coreografia. O que será isso? Uma dança em grupo, à la clipe do Fatboy Slim? Deve ser algo assim.
Enfim, por um lado fico feliz pela terceira idade se envolver em atividades espotivas. Isso significa que daqui a alguns poucos anos eu mesma poderei ser uma pessoa esportiva. Já estou quase na idade certa, e já nasci praticamente gagá. Daí pra eu pegar uma bola e sair jogando volêi adaptado é um pulinho.
Sim, pessoas, meu aniversário se aproxima e completarei 30 anos. O que é uma merda. Sei que todo mundo vai dizer "que nada, você está ótima" , mas quero que se foda: 30 anos é uma data horrenda.
Quando eu tinha 15 anos, achava que aos 30 ia estar casada, com filhos, com um trabalho bacana. A realidade é um bocadinho diferente: sem filhos, com gatos e com um trabalho que me faz ficar 12 horas por dia em pé, sorrindo muito e aguentando desaforos de clientes.
Fora isso, meus joelhos doem constantemente, minha flexibilidade vai indo pro espaço, minha resistência física cada vez pior.
E minha paciência cada vez mais curta, gente. Ando com vontade de matar um, gritar com todo mundo, chutar porta de carro. Não sei se é TPM, inferno astral ou senilidade mesmo.
O fato é que eu me recuso a fazer 30 anos, entenderam? Me recuso. Não me dêem parabéns, não me desejem muitos anos de vida, e se quiserem me presentear, façam-no com dinheiro. Assim quem sabe eu pago umas dívidas.
Old news: a Fox resolveu dublar todas as suas séries.
Nojento assistir Jack Bauer gritar em português. Péssimas as vozes escolhidas para os doutores de Nip/Tuck, que aliás passará a ser chamada de "Estética". Assim como Boston Legal será denominada "Justiça sem Limites".
Uma eca assitir Dexter sem os palavrões. Sim, no original os caras soltam milhares de fuck e shit, que são traduzidos por "Droga!" ou "Dane-se!" E a voz de William Shatner dizendo: "I am Danny Crane"? Como será que vai ficar? E a voz irritante que colocaram cobrindo a voz aveludada da Doutora Bones?
A recomendação que os pouco que gostam das versões dubladas têm feito no forum de discussão da Mundo Fox é que apertemos a tecla sap. Eu posso fazer isso: falo inglês. Mas meu namorado, minha mãe e boa parte de meus amigos não fala. Portanto, ou eles assistem dublado ou não entendem picas.
A Fox justificou essa mudança alegando haver uma pesquisa feita pela rede que acusava que a maioria dos telespectadores prefere as séries dubladas. A empresa até agora não mostrou pesquisa alguma, nem os números exatos de tal pesquisa, ou ao menos a metodologia ou o público-alvo.
Existe um boato rolando por aí de que a diretoria da Fox Latina impôs isso à Fox Brasil. E que a diretoria brasileira está consternada e constrangida com essa mudança. Se isso serve de consolo, eu não sei.
Liguei para a Net, e por óbvio, não há possibilidade de retirar este canal da minha grade de programação, pleiteando um desconto. Então, sigo assistindo às séries sozinha, com a tecla sap apertada, tentando evitar a agressão aos meus ouvidos.
Só posso fazer votos para que a audiência caia loucamente. E para que quem se revolta contra esse absurdo faça tanto barulho que os anunciantes do canal deixem de querer ter seus produtos asociados à essa bagunça.
Quem quiser ajudar, assine a petição online. Também não sei se isso vai ajudar ou mudar as coisas de alguma maneira, mas já fui lá e coloquei meu nome.
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Ainda dentro do assunto fazer sua parte, fico feliz em informar que as meninas do Adote um Gatinho agora são uma ONG registrada, com tudo certinho e doações dedutíveis do imposto de renda.
As duas malucas começaram esse trabalho há uns cinco anos, recolhendo gatos de rua, levando pras suas casas, custeando castrações e tratamentos de saúde. Aos poucos foram arregimentando mais gente pra ajudar nessa causa, como veterinários, outras ONGs, protetores independentes, o vereador Aurélio Miguel e esta que vos escreve, entre outros.
Cliquem lá e ajudem. Quem não puder ou não quiser adotar um amiguinho fofo, ajude doando ração, remédios, areia sanitária, cobertores.... Entrem em contato com o site, as meninas são umas fofas e se dispõem a fazer loucuras pra ajudar os coitadinhos de rua.
Ah, e pra quem estiver lendo isso e pensando porque diabos eu não ajudo crianças de rua ao invés de perder meu tempo com gatos, já adianto: cada um escolhe suas batalhas e luta por elas. Quem quiser ajudar crianças carentes, deficientes ou seja lá o que for, clique aqui, aqui, aqui ou aqui.
Façam alguma coisa pra mudar o mundo e parem de reclamar, bando de desocupados.