Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.
July 10th, 2007
Jack Bauer, a filha da Regina Duarte e o café feito de cocô
Acredito piamente que o Universo nos recompensa por certas atitudes. É uma coisa cósmica.
Eu costumo sempre me dar um presente de vez em quando: tomo café no Santo Grão, onde um espresso simples custa cerca de R$4,00, enquanto em qualquer cafeteria você consegue um espresso decente por metade disso. Mas de tempos em tempos acho que mereço um agrado. Um carinho.
Hoje, estressada e com sono, resolvi me mimar um bocadinho. Encostei numa das mesinhas e pedi um espresso no capricho. Os garçons, talvez por terem dó de mim ao ver as notas amassadas de um real que uso pra pagar a conta, costumam caprichar. Me dão a maior bolachinha, colocam a água com gás num copinho maior e bem cheio, essas coisas.
E enquanto eu respirava o aroma de um espresso perfeito, olhei para o outro lado da rua. Foi aí que vi Jack Bauer.
Atravessando a rua, de camisa preta, sem os óculos escuros e aparentemente desarmado, Jack Bauer atravessava a rua tranquilamente, fumando um cigarro e conversando com alguns amigos. Olhei em volta, procurando os terroristas. Ou o pessoal da UCT. Não estavam à vista. Provavelmente porque o perímetro deveria estar cercado.
Ele entrou no Santo Grão, seguido de jornalistas. Sentou-se à uma mesa próxima à minha e eu estiquei ou ouvidos pra acompanhar a conversa. Claro, ali poderia ser decidido o futuro dos Estados Unidos, ou talvez estivessem combinando uma execução sumária, sei lá. No entanto, eles só pediram café. O de Jack Bauer era um Kopi Luwak, ou Café Civet.
Aqui cabe uma pausa.
O Kopi Luwak é feito de maneira assaz estranha. Em algum país asiático, como a Indonésia ou a Malásia, um certo animal silvestre faz dos melhores grãos de café sua dieta especial. O tal bicho cata os melhores grãos e os come, com a finalidade de fazer seu sistema digestivo funcionar. Aí, com os movimentos peristálticos em dia, o fofucho defeca os grãos inteirinhos. A população local cata os tais grãos, separa, lava, estereliza. Estes grãos são então torrados e vendidos como um dos melhores cafés do mundo. Uma xicrinha do tal café custa mais de vinte reais. O quilo fica na casa dos mil reais. Coisa leve. Não acredita? Veja aqui, aqui ou aqui.
Enfim, Jack Bauer pediu o tal café. Demorou um pouco, mas ele nem apontou a arma pro garçom nem nada. Tem gente que em situações de pressão come mais. Outros tendem a beber. Ou ainda ter tiques nervosos. Jack Bauer, por exemplo, tem um tique: em caso de nervoso, ele aponta a arma e grita: now, Now, NOW! E aí coisas acontecem. Mas acho que ele está fazendo terapia. Mesmo demorando um pouquinho, ele nem gritou. O café chegou depois de um tempinho, ele tomou com cara de feliz. E ainda comeu uma tortinha de limão, acho.
Enquanto isso, eu tomava meu café, demorando horas. O café completamente frio e eu fascinada com o café de cocô do Jack Bauer. Eu olhava fixamente e dava risadinhas, imaginando se ele sabia o que estava bebendo. Minha vontade era dizer:
- Jack, you´re drinking coffee made out of shit, do you know that? - What??? These fuckers! Everybody down, now, Now, NOW!!!!!
Aí ele ia sair atirando e tal.
Depois de algum tempo, os garçons arrancaram a xícara vazia de meus dedos dormentes e tentaram me oferecer mais café e eu não tinha dinheiro pra pagar. Então achei melhor voltar a trabalhar. Mas na saída eu sorri pro Jack Bauer e ele deu uma piscadinha pra mim. Achei mais prudente não mencionar a origem do café dele. Voltei ao trabalho.
Mas ainda acho que essa visitinha do Jack Bauer foi a maneira do Universo me recompensar por todo aquele dinheiro gasto com espressos caríssimos.
Ah, a Gabriela Duarte? Apareceu lá na loja. Tem cara de sonsa e mede um metro e meio. Ela é menor que eu. E eu não respeito gente menor que eu. Só achei que ia ficar bem no título.