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Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.



Yoomp

Entries for November, 2007

November 5th, 2007

Correria

A semana está meio - muito - corrida, mas em breve eu volto com a segunda parte da Saga de Van Damme.

Enquanto isso, fica a dica: podem continuar tomando leitinho de caixinha. Por dois motivos básicos; os lotes com problema já foram retirados e se ninguém morreu até agora, duvido que irão morrer a partir de hoje.

Claro, eu sou aquela pessoa que ia em restaurante japonês na época que  o salmão estava com suspeita de contaminação por salmonella, tá, eu sei que não é isso mas seria perfeito pra piadas, vai com o parasita causador da difilobotríase, em 2005 e eu adorava pagar mais barato aquele belo rodízio:

- Alguma preferência de peixe, senhora?
- Manda uma barca cheia de salmão, rapaz. Eu gosto de viver perigosamente. 
- ...er... claro, senhora. Aceita também uma maionese que está fora da geladeira por horas?
- YEAH!!!!11!

Eu tenho estômago de adamantium.  



as 11:56 AM 6 YA REALLY!
November 12th, 2007

Eu só corro da polícia.

Na semana passada eu trabalhei muito. Mas muito mesmo. Tipo uma média de 14 horas por dia, sendo 24 horas seguidas no começo da semana. Aí quando chegou o domingo, meu dia de folga, eu supus que poderia dormir o dia todo.

Mas eu estava enganada.

Na véspera, meu querido namorado me lembrou que ele correria o Nike 10k. E que seria no domingo. E que ele tinha que chegar lá as sete e meia da manhã. E que era na USP. E eu disse:

- Puta que pariu.

Mas eu sou uma namorada dedicada. Se meu namorado estava disposto a jogar fora vinte anos de sedentarismo e cultivo da pança por umas horas de corrida, eu ia estar lá para ver. E eventualmente levá-lo ao hospital depois.

Na noite anterior, a preparação: ele deveria comer carboidratos e evitar gorduras. Fiz um macarrãozinho light, um filé de frango e tal. Tava supersaboroso e leve, e rico em carboidratos. Aí ele comeu três potes de sorvete de Galak e pareceu satisfeito. Durante o jantar, ele me explicava a mecânica da prova:

- Então amor, a largada é de acordo com o tempo que você pretende levar pra completar os dez quilômetros.
- Opa. E você pediu quanto? Quatro dias?
- Hahaha, boa, 2,5km por dia, né?
- Não, três dias pra descobrir como usar a ponte ORCA pra chegar na USP e um dia pra descansar depois de ir até lá de táxi.
- Pô.

Enquanto eu tentava dormir, ouvia a chuva caindo torrencialmente lá fora. E meu último pensamento consciente antes de entrar em um sono sem sonhos foi que estava chovendo tanto que ele jamais acordaria cedo no dia seguinte. Ledo engano.

Logo ele, que não consegue levantar antes das dez da manhã sem matar alguém, acordou antes de mim. Antes do despertador. Antes que clareasse, pra dizer a verdade. E ele estava sorrindo.

Juro que o filho da puta tava sorrindo.

Enfim, consegui me erguer da cama e de alguma maneira abri os olhos. Peguei uns Red Bulls na geladeira, pra garantir que não ia bater o carro num poste sonolento. E porque no caso do Eric, Red Bull não é doping. É questão de sobrevivência. No caminho pra lá, discutíamos detalhes:

- Então amor, precisamos combinar um lugar pra nos encontrarmos no fim da prova...
- Fique tranquilo. Tenho certeza que o ambulatório é fácil de achar.
- Pô.
- E eles devem ligar pra mim caso você esteja impossibilitado de falar.
- Sem fôlego?
- Nâo, com o maior balão de oxigênio do mundo em cima do nariz.
- Pô.

Larguei o cara na USP e amaldiçoei os corredores de todo o mundo sem fazer distinção de cor, sexo ou religião. Depois, amaldiçoei o pessoal da organização, porque o assim chamado Bolsão de Estacionamento ficava a cerca de 5 quilômetros do local da prova. Não é exagero, era no D&D Shopping, ao lado do Shopping Morumbi, sabem? Longe.

Mas era um lugar seguro onde eu poderia dormir no carro durante uma horinha. Ou eu assim pensava, até o simpaticíssimo segurança dizer que eu não poderia permanecer no veículo estacionado.

E o filho da puta tava sorrindo também.

Odeio gente que sorri.

Tá, eu não odeio, mas eu entendo quem odeia. Enfim, saí do estacionamento e fui me refugiar num local seguro. Lá eu abracei animais, comprei ração e plantas lindas. Usei o banheiro, tomei café. É o melhor lugar do mundo num domingo de manhã.

Depois de um tempo, lembrei do Eric. E por mais que meu lado sádico ansiasse por abandoná-lo, uma boa namorada não deixa seu querido mofando numa tenda do ambulatório do Nike 10K.

Voltei pra USP, calculando que os bons corredores já teriam acabado a prova e haveria lugar para estacionar. Bingo, um lugar do lado da entrada. Uma multidão de gente de azul saía da USP, suada e feliz. Eu ostentava minha barriga pride com galhardia. Nunca vi tanta gente saudável junta antes. Fiquei com coceira no pneuzinho da direita.

Fui na direção do pronto socorro, com a certeza que encontraria por ali. Para minha surpresa, ele não só havia completado a prova, como havia sobrevivido, ganhado uma medalha, não chegado em último e estava aparentemente bem, encostado em um coqueiro e comendo uma banana.

Eu o entrevistei enquanto ele comia a banana, inclusive.

Na caminhada de volta ao carro, sentia um cheiro estranho. Respirei fundo, tentando entender o que era. Depois de uma, duas, três respirações, eu entendi. Era o fedor generalizado de vinte e cinco mil idiotas que haviam acabado de correr dez quilômetros. Juro: tem cheiro de cavalo. De um monte de cavalos.

Mencionei que havia um show do Marcelo D2 e do Toni Garrido no final? Pois é, havia. Achei melhor fugirmos dali rapidamente enquanto Marcelão fazia um cover de Seven Nation Army.

Na volta pra casa, enquanto meu namorado fedia, reclamava de dor nos pés e clamava por comida, eu refletia sobre uma questão crucial: se em sua onisciência Deus desejasse que a gente corresse dez quilômetros num domingo de manhã, teria fulminado com um raio o inventor do motor de combustão interna.

E o da carroça também.



as 08:57 PM 6 YA REALLY!
November 18th, 2007

Subindo o nível

No último posto Inagaki comentou aqui. Agora minha responsabilidade aumentou.

Doravante me preocuparei com a qualidade e frequência dos meus posts. Vou atualizar com maior constância, pro Inagaki ter sempre coisas boas pra ler. 

Não mais falarei palavrão: o Inagaki está vendo e pode se ofender. Vai saber se a sua ascendência japonesa não faz dele uma pessoa discreta.

Vou ter que colocar um adSense: quem é lido pelo Inagaki tem chances de se tornar uma blogueira de sucesso e receber muitas visitas. Quem sabe eu não consigo gerar grana suficiente para trocar o sofá da sala que os gatos arranharam até mostrar a estrutura?

Aliás, será que esse assunto é bom? Terei que me preocupar com isso também. De repente minha vida besta não interessa ao Ina. Íntima, aliás. Agora posso chamar de Ina, um apelido carinhoso.

Na verdade eu havia conhecido o Inagaki numa dessas tardes em botecos na Paulista. Ele não falou muito, não bebeu nada e foi embora rápido. Achei que a culpa era minha, por ser chata e falar demais.

Agora vejo que ele me perdoou: até lê essa porcaria e deixa comentários. Sinto-me redimida.

Vou tentar manter um bom nível aqui, em homenagem a ele. Se eu não conseguir, tudo bem. Tenho certeza que meus 4 leitores continuarão a achar a mesma merda de sempre.



as 07:36 PM 7 YA REALLY!
November 23rd, 2007

Resenha para o Fim de Semana

Bom, essa resenha era pra sair no Overdose Faroeste do Ato ou Efeito, mas não deu. Aí eu resolvi pôr aqui porque ficou bem bacaninha. Divrtam-se e assistam no fim de semana, porque o Clint é fodão.  

O ano é 1992 e a última notícia que se tinha de faroestes era que eles acompanhavam queijo ralado, e geralmente eram servidos à noite, na tela da Band ou da extinta TV Manchete.

Pois é. O spaghetti corria solto. Protagonizados por Giuliano Gema e Claudia Cardinale, os western-spaghetti mandavam às favas os clássicos de Sergio Leone na década de 60, como a trilogia que começou com "Por um Punhado de Dólares", teve sua continuação em "Por uns dólares a mais" e foi encerrada lindamente em "Três Homens em Conflito". Trilogia essa que encerrou o período áureo do faroeste, iniciado por John Ford na década de 50 ou por Tom Mix nos anos 30. Há controvérsias. Sei lá. Mas o fato é que naquela época o western de verdade, feito de cowboys machos e prostitutas de coração de ouro estava morto e enterrado. E ninguém queria ver o treco ressucitar, porque Kevin Costner já tinha tentado isso de leve, com "Dança com Lobos" e vocês sabem a merda que deu.

Até que um dia apareceu um cartaz de um cara de costas segurando uma arma.

Vale fazer um parenteses pra falar de homens durões. Charles Bronson era durão. Steven Seagall era durão. Sylvester Stallone era durão. Chuck Norris era muito durão. Droga, até o Dolph Lungren foi considerado durão durante os anos 80. Mas todos esses caras juntos iam tremer diante de uma erguida de sobrancelha do homem que ensinou o Oeste a ser macho: Clint Eastwood. Nos filmes de Sergio Leone ele era o cara misterioso. Num deles, nem tinha nome. Com um rosto que parecia talhado em pedra, o velho Clint matava homens, mulheres e crianças sem mover um músculo do rosto.

Ele nem piscava, sério.

E aí veio o tal pôster. Não dava pra ter certeza de quem era, mas pelo tamanho da arma já dava pra apostar que era um cara bacana. E pela coragem em desenterrar um gênero esquecido, devia ser um cara macho. Oras, macho e bacana, só tinha um nome possível. Ele.

E era mesmo: Clint protagonizava um western daqueles, cheio de referências clássicas e nomes de peso no elenco. A história começa num bordel na cidadezinha de Big Whiskey, onde um rancheiro fica com raiva de uma prostituta por ela rir do tamanho do seu amiguinho e corta a cara dela. O xerife da Cidade é Little Bill Dagget (Gene Hackman) julga o ocorrido e faz com que o rancheiro pague alguns cavalos ao dono do bordel como ressarcimento pelo ocorrido. O rapaz até tenta entregar um cavalo à prostituta cortada, mas Strawberry Alice (Francis Fisher), uma espécie de líder das moçoilas, manda ele enfiar o tal cavalo... no rancho. As meninas estão muito bravas com todo o ocorrido e decidem oferecer uma recompensa a quem matar o tal rancheiro e o amigo dele.

Enquanto isso, Clint é William Munny, um velho pistoleiro que se aposentou, casou e teve dois filhinhos lindos. Will vive num rancho com as crianças e sente saudade da sua falecida esposa, a mulher que o fez parar de beber e de matar gente por dinheiro. Seu vizinho (ou seja, o cara que mora a 3 horas de distância) é Ned Logan (Morgan Freeman), que também sossegou o facho e casou com uma índia chamada Sally Two-Trees. Eles todos vivem em paz e tranquilidade. Mas o rancho de Will não vai lá muito bem. Os porcos têm febre, a colheita está mais ou menos... Um belo dia um jovem pistoleiro iniciante aparece por lá pra falar da recompensa. E o dedo do gatilho de William Munny começa a coçar. A recompensa lhe parece o necessário pra sair do buraco com a molecada. E lá vão ele e Ned atrás dos dois rapazes, atraindo a ira do xerife Little Bill, que acha que a justiça já foi feita: o cara deu dois cavalos pro dono do bordel, ora bolas!

Os Imperdoáveis foi talvez o primeiro western "realista". As prostitutas não são bonitas nem boazinhas, o xerife está de saco cheio e tudo que ele quer é terminar de construir sua casa, os pistoleiros estão velhos e cansados. A cena de Munny tentando montar a cavalo pela primeira vez depois de anos é antológica, assim como o momento em que ele não dá uns catos na prostituta cortada e explica que não é pelas cicatrizes, mas sim pela sua esposa que o espera em casa.

As cenas são uma amostra do talento que Eastwood demonstraria como diretor. Enquadramentos que mostram ação em dois e três planos, figurinos e cenários realistas, uma poeira louca cobrindo as roupas e objetos dos personagens, interpretações dignas de Oscar - que eles ganharam, tá? - e tiroteios cheios de balas voando e pessoas morrendo, que nem a gente gosta de ver. E claro, ver o Clint matando geral sempre faz bem à alma.

Depois de Os Imperdoáveis, o faroeste voltou à vida, as botas que o Clint uso foram expostas na Tate Museum de Londres e a gente pôde voltar a torcer pelo mocinho, mesmo sem saber direito quem era ele. Uma belezinha.



as 07:58 AM 2 YA REALLY!
November 30th, 2007

Meu negócio agora é resenhar

O que liga é fazer resenha, uma vez que não dá tempo de faezr mais nada nessa vida.

Resenha de Viagem à Darjeeling

Não liguem para nada que ele escreveu.  A questão é que meu namorado tem a profundiade emocional de um pires, então não entendeu nada sobre esse filme que conta a história de três irmãos que se reencontram em uma viagem de trem após um ano sem se falar. Hipocondríacos, paranóicos, cheios de manias, os três narigudos passeiam pela Índia e o pano de fundo colorido do país serve para contrastar ainda mais com o mau humor dos três. O personagem do Owen Wilson é genial, o primogênito todo machucado de um acidente de moto, maníaco por planejamento e escoltado na viagem por seu assistente alopécico e quase invisível. O do Jason Szwartzman, o caçula, nunca usa sapatos, além de dar uns pegas na Natalie Portman. E o do meio é o Adrien Brody, que pode interpretar praticamente qualquer coisa e ficar bom.

Vale o ingresso, e a trilha sonora é fora de série.

Resenha de Antes Só do que Mal Casado

É um filme do Ben Stiller e eu tenho um fraco por ele, fazer o quê? Sendo um filme dos irmãos Farelly,  tem cenas nojentas das quais não se consegue deixar de rir, e cenas bacaninhas. O fim é fantástico, com uma pontinha de uma celebridade ó-te-ma. Se eu tivesse pago o ingresso cheio, ia ficar uma arara, mas por 3 reais valeu a pena.

Resenha da Revista Gloss 

Uma merda de revistinha, cujas únicas virtudes são ser barata e pequena o suficiente para caber na bolsa. Reportagens rasas e mal escritas, fotos de moda indecentes, tentativas de ser cool e bacana. No fundo, uma versão piorada de algo que fica entre a adolescência retardada da Capricho e  a mulher tarada de Nova.

Comprei, li e joguei no lixo depois de ver as fotos de calças de cintura alta.

Resenha da reunião dessa semana 

Meu chefe é um homem sábio. Estávamos discutindo o que fazer de confraternização nesse fim de ano, e alguém sugeriu paintball. Ele pensou um pouco e respondeu:

- Melhor não, vocês atirariam em mim. De verdade.

É por isso que ele é chefe: o cara é esperto mesmo.  



as 07:58 AM 6 YA REALLY!


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