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Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.



Yoomp

Entries for February, 2008

February 3rd, 2008

Por uma vida mais glamourosa

Uns tempos atrás eu era conhecida pelos meus sapatos e bolsas. Minhas amigas e colegas de trabalho usavam meus acessórios como referência e se esbaldavam tentando adivinhar com que bolsa linda eu ia combinar o sapato bacana que eu comprava em pontas de estoque descoladas. Eu sabia o endereço da ponta de estoque da TNG, da Corello e da Prego antes de todo mundo.

Eu tinha classe, gente.

Aí de uns tempos pra cá eu fiquei chata e só saía na rua com duas bolsas básicas, uma preta de lona redonda e uma marrom quadradinha (cópia pirata da Armani que eu comprei sem querer numa biboca na Galeria Pagé, junto com Monicake e Rapha, mas isso é outra história.)

Sei lá, eu tava tão booooring.

Aí ontem eu arrumei meu armário com a ajuda do meu querido namorado (que me implorou esse link, não precisa clicar se não quiserem). E eu desenterrei roupas, sapatos e bolsas que não usava há eras.

Então hoje eu vou pra Liberdade comer camarão, usando uma regata da Zara, uma bolsa linda e uma sandália verde-musgo. E vou com perfume de Cacharel.

Porque eu mereço.

Morram de inveja, gente sem glamour.



as 01:18 PM 2 YA REALLY!
February 6th, 2008

Sobre samba e censura

Tô atrasada pra falar de carnaval, mas vi tanta gente comentando que achei melhor dar meu pitaco logo.

A Viradouro teve um carro alegórico censurado.  O carro representaria o Holocausto na Seguda Guerra Mundial. O carro era composto por imagens de torsos emagrecidos, escurecidos e retorcidos. Sobre ele, haveria um destaque vestido de Hitler.

O tema do samba-enredo era "O Arrepio".  Na letra do samba-enredo, como sempre, se misturam fatos históricos, citações literárias e versos pobres. Além do arrepio de frio, o samba fala do arrepio de excitação, de monstros e coisas de arrepiar.  Numa estrofe, os versos:

"Vem cá me abraçar
Sentir o meu arrepio
Mexa, remexa, sacode a cabeça, me faz delirar
Vou no fricote, dou-lhe um beijo no cangote"

O verso dá a tônica do carnaval, do cheiro no cangote, da alegria de pular o carnaval a dois, a três, delirando, remexendo e saracoteando. Pura felicidade carnavalesca brasileira. Dá pra imaginar belas passistas vestidas de vampiras sensuais prestes a beijar nossos pesocços, foliões com criativas fantasias de cubos de gelo, a bateria vestida de quadro-negro e a madrinha de bateria vestida de unhas prestes a arranhar, quiçá uma ala de baianas vestidas de pinguins para representar o frio.

Imaginar seis milhões de pessoas mortas não me dá arrepios. Me dá ânsia, nojo, medo de que aconteça de novo, terror de imaginar que coisas semelhantes já estão acontecendo ou aconteceram em Kinshasa, Kosovo, em Sarajevo. Me dá raiva quando no século XXI gente ainda é tratada pior que lixo e exterminada por conta da cor da sua pele, da sua língua ou de uma religião diferente. 

O que me dá arrepios é um carnavalesco não enxergar o terror que foi o Holocausto. Imaginar que pessoas estariam sambando e dançando ao som de uma bateria contagiante enquanto a representação de cadáveres humanos passaria sob os holofotes da Sapucaí é assustador. Talvez o desejo fosse apenas chamar a atenção. Conseguiram, e no fim o desfile teve protesto em nome da liberdade, uma vez que o carro foi proibido de desfilar.

A Congregação Israelita pediu a proibição. Se fosse um carro retratando negros sendo enforcados por supremacistas brancos,  um grupo de Consciência Negra também protestaria. Se o carro mostrasse gays sendo espancados por skinheads, duvido que a União GLBT deixaria as coisas passarem em brancas nuvens.

Não é questão de ser de um grupo étnico ou religioso. É questão de respeito. Avenida é lugar de alegria, de peito e bunda, de samba, suor, beijo e arrepio. Não é lugar de mostrar gente morta, torturada, destruída. Hitler pertence ao panteão das figuras terríveis da história da humanidade, e é melhor deixá-lo por lá ao invés de colocá-lo sobre um carro alegórico. 

Censura? Talvez. Não me importo. E tenho idade suficiente para lembrar da censura do regime militar no Brasil. São coisas muito diferentes. Proibir uma letra de música que critique o governo é estúpido. Proibir que sambem sobre gente morta é bom senso.

*Update*
O Inagaki deixou um mega comentário aí na caixinha. Dêem uma lida lá que eu respondo aqui: Ina, a diferença é que a imensa maioria dos filmes e peças de teatro feitas sobre o nazismo trata o tema com respeito e sensibilidade. E quando há comédias, como Primavera para Hitler, o Furhrer e seus seguidores são humilhados de tal forma que fica impossível não rir. Aliás, usar o humor pra fugir dessas coisas medonhas é extremamente válido - A Vida é Bela já é um clássico e comove justamente porque o pai faz de tudo para que seu filho escape do campo, nem que seja fantasiosamente.

O lance todo da escola de samba é que por mais que o carnavalesco ache que está fazendo arte e combinando história, dança, música e o escambau, a imensa maioria das pessoas que assiste o desfile tá ali mesmo pra ver mulé pelada e se acabar de dançar ao som de um samba bom. Protesto político funciona na avenida porque já faz parte da história do nosso país a irreverência: lembra dos cartunistas durante a ditadura? Então. Aí a coisa vai. Músicas incríveis como Apesar de Você, Meu Caro Amigo e Cálice (Pra ficar só no terreno do Chico) e tantas outras criticavam o regime militar maravilhosamente, passando pelo crivo da censura bem debaixo das barbas dos generais justamente por serem criativas e conseguirem "enganar" os censores.

No caso da Sapucaí, vale botar um bonecão tirando sarro do Lula, do FHC ou de quem quer que seja o presidente da vez. Usar o humor pra acabar com os políticos é uma delícia e todos adoramos. Misturar samba-enredo com massacre não me desperta nada além de vontade de levar o carnavalesco até Auschwitz pra ele dar uma olhadinha de perto no assunto.

Achei de mau gosto mesmo, muito mau gosto. O carro em si, principalmente, as imagens de corpos caídos... pensemos o seguinte: Imagine um enredo anti-aborto. Troque os judeus mortos do carro por fetos abortados e ponha lá em cima um cara vestido de cirurgião, com fórceps e curetas. Imagine os fetos ensanguentados e retorcidos. Isso seria agradável? No entanto, se o carro mostrar mães felizes sambando com bonecos nos braços, ou um bonecão de um bebê mexendo as perninhas, talvez fosse possível falar do mesmo tema de uma maneira mais adequada. Sei lá.



as 02:54 PM 8 YA REALLY!
February 9th, 2008

Sereia ou Baleia?

Recebi um e-mail de um rapaz no Rio de Janeiro que quer fazer um esquete com meu texto "Sereia ou Baleia" (não reparem no template tosco, tá lá o texto original no dia 19/11/2004). Resolvi então dar uma fuçada na rede e ver onde eu achava o texto. Ele virou um audiocast em Portugal, um vídeo bem feitinho com sotaque engraçado no YouTube, apresentação tosca de slides e claro, foi citado em 9 entre 10 foruns sobre/para gordinhas.

Foi engraçado receber meu texto diversas vezes por e-mail, creditado à gente como Fernanda Young, Patrícia Travassos, Clara Averbuck, além de vários "autora desconhecida". Divertido ver que mudaram algumas coisas e acrescentaram outras. Por exemplo, eu nunca mandei esse texto pra Runner.

E tem mais umas implicânciazinhas. Num trecho, trocaram a expressão "singrando os mares" (que eu adoro porque me faz lembrar de piratas, corsário e sete mares), por uma mais palatável:
"...Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia..."

E no finzinho, enfiaram uma parada sobre ser bem resolvida, ter filhos, matar homens e ser solitárias. Tipo uma moral da história:
"...Baleias são enormes e quase não tem predadores naturais. Baleias são bem resolvidas, lindas e amadas. Sereias não existem. Se existissem viveriam em crise existencial: Sou um peixe ou um ser humano? Não tem filhos, pois matam os homens que se encantam com sua beleza. São lindas mas tristes e sempre solitárias... Runner, querida, prefiro ser baleia!"

Acho que pra usar nas apresentações de powerpoint com musiquinha ruim eramelhor colocar uma moralzinha no fim, né?

Enfim, o que eu achei mais interessante nisso tudo foi encontrar no site do Conar a decisão judicial referente ao caso. Pra quem achava que eu inventei esse outdoor que era o cúmulo do mau gosto, tá aí:

“Neste verão o que você quer ser: sereia ou baleia”

Representação nº 279/04
Autor: Conar, a partir de queixa de consumidor
Anunciante: Parque Colina São Francisco (Runner)
Relatora: Claudia Wagner
Decisão: Sustação
Fundamento: Artigos 1º, 3º, 6º, 19, 20 e 50, letra c do Código

Por unanimidade, atendendo a sugestão da relatora, as 5ª e 6ª Câmaras, reunidas em sessão conjunta, recomendaram a sustação de outdoor da Runner que mostrava jovem de biquíni e a frase: “Neste verão o que você quer ser: sereia ou baleia?”

O outdoor foi considerado discriminatório e grosseiro por consumidor de São Paulo. Não houve defesa por parte da Runner.

Em seu voto, a relatora escreveu: “Seria cômico se não fosse discriminatório, agressivo e provocante”. Para ela, o outdoor é exemplo “medíocre de uma atualidade materialista e insistente em limitar-se a valores que se guardam em frascos de vidro, como os botox e outros elixires de eternos e idênticos padrões de beleza”.

A-DO-REI. A relatora teve a mesma impressão que eu. E a Runner, cretina, nem tentou se defender. Talvez tenham caído em si e reparado na deselegância do anúncio.

Pena que com a Lei Cidade Limpa não tem mais outdoor em São Paulo. Mas sempre poderemos contar com publicitários ruins para fazerem peças como a do Glaid e o infeliz que quer fazer cocô na casa do Pedrinho. Esse é o tipo de coisa que me faz sentir toneladas de vergonha alheia e pena da empresa que pagou caro pra uma equipe de profissionais fazer esta merda.



as 11:37 AM 9 YA REALLY!
February 12th, 2008

O espelho no lixo e a coroa de porcelana

Daí que eu tava indo pro dentista e fui levar o lixo pra fora. No hall do lixo - não sei como se chama essa parte entre uma escada e outra, na qual ficam as lixeiras de reciclável e normal - havia um grande espelho encostado na parede.

Achei que estivesse quebrado; verifiquei: não estava.  Um espelho de bom tamanho, de corpo inteiro, em bom estado, jogado no lixo. Oras, eu não tenho um espelho grande em casa. Pra ver a roupa inteira, faço um número de equilibrismo envolvendo o espelho do banheiro e uma cadeira da sala colocada estrategicamente no mini-corredor. E um espelho desse tamanho custa umas 150 pilas, o que paga mais ou menos a ração de três meses dos meus filhos.

Catei o espelho e levei pra dentro de casa e fui pro dentista. Chegando lá, descobri que o quebradinho do meu dente na verdade vai até a raiz. Doutor Osmar, dentista octogenário que me atende a preços módicos desde que eu tinha 10 anos de idade, suspirou e me explicou que terei que cortar o que sobrou do dente, depois colocar um pino e fazer uma coroa de porcelana. Vai ficar caro pra burro e segundo ele só não estou urrando de dor porque o dente já tinha o canal tratado.

Voltei pra casa e lá estava o espelho colocado na sala. Meus gatos todos à distância dele. Estranhei, porque ele estava num canto onde eles costumam cochilar a essa hora. Até que subitamente a revelação me atingiu: O que faz com que alguém jogue no lixo um espelho de bom tamanho, de corpo inteiro, em bom estado? O que leva alguém a cometer tal desatino?

Uma maldição, é claro.

Certeza que o espelho é amaldiçoado. Deve haver um fantasma dentro dele. Ou o espelho mostra a hora da sua morte. Ou o seu reflexo envelhece e você fica jovem pra sempre. Ou ele faz com que seus dentes quebrem e você gaste uma grana pra colocar postiços. E ainda fique banguela durante uma semana no processo. Ou alguma outra coisa tétrica e trágica.

Na dúvida, levei o espelho de volta. Deixe que outro vizinho assuma os riscos. 2008 vem sendo um bom ano e eu não quero arriscar nada.

Se bem que vendo uma ruga nova na testa essa história do reflexo envelhecer no meu lugar não me parece de todo mau.  



as 10:34 AM 9 YA REALLY!
February 19th, 2008

Boas novas

Notaram que dei uma sumida? Isto quase sempre significa que estou trabalhando.

Pois dessa vez... estou trabalhando.

Não falei nada aqui porque a proposta era tão legal que fiquei com medo de aparecer pra trabalhar e de repente o Serginho Malandro pular de trás de uma mesa gritando "Rá! Pegadinha do Mallandro!!" e eu ter que desmentir depois.

Vejam quantas coisas boas:
- Mesmo salário do trabalho anterior, mas trabalhando apenas de segunda à sexta.
- Perto de casa. Coisa de 15 minutos de carro ou meia hora de ônibus.
- O trabalho não é operacional. Não preciso lidar diretamente com clientes nem fazer cara de feliz enquanto sou xingada.
- Respondo diretamente aos donos. Não tem muita burocracia.
- Os caras são pequenos mas têm cabeça de gente grande. A idéia é estruturar a equipe, fortalecer agora para daqui a dez anos ter dez vezes mais lojas.
- Tenho uma mesa só minha, com computador, e-mail, telefone, gavetas. Pode parecer coisa besta, mas pra quem dividiu mesa/não teve mesa durante alguns anos, isso é um grande avanço.
- O figurino do trabalho não é social. O uniforme não-oficial aqui é jeans, blusinha, sapato bonitinho. E sapatos bonitinhos eu tenho aos montes. Hoje vim com um verde e fiz sucesso.
- O foco dos produtos do lugar são coisas que amo: Frutas, verduras, orgânicos e produtos gourmet.
- Em dois dias de trabalho, ninguém ainda falou as seguintes palavras: Menas, poblema e pobrema.

Precisa mais?

Tem.

Recebo almoço, ajuda de gasolina, cesta básica, convênio médico e odontológico.

Estou muito feliz com essa nova oportunidade. Espero que dure bastante e que eu possa finalmente ter um trabalho que me realiza tanto profissional quanto pessoalmente. Ainda tô com um medinho de acordar e descobrir que era sonho.

Então eu vou entrar numa vibe Oscar Awards e fazer agradecimentos: Minha tia, que me apresentou a esse lugar aqui. À minha mãe, que sempre achou que um dia eu ia pra frente. Ao Eric, que aguentou meus resmungos durante todo o ano passado. Aos meus amigos queridos, que me pagaram cerveja e petiscos em tempos de desemprego. Dentre eles, cabe uma menção ao carioca mais paulista que já conheci: Zander mandou meu currículo pra meio mundo, me arranjou uma entrevista numa empresa de pornografia para o emprego mais surreal que eu jamais almejei.

Por fim, agradeço ao meu ex-chefe, que fez com que eu percebesse que era completamente infeliz no emprego anterior, que me demitiu e pagou meu FGTS com multa e tudo, e que me proporcionou dois meses de férias, livrando-me de trabalhar no Natal e no Ano Novo.

PS: Agradeço ao Papai Noel, e peço desculpas; na verdade ele havia entendido minha cartinha, mas demorou um pouco pra responder.



as 04:50 PM 11 YA REALLY!
February 22nd, 2008

A barrinha de cereal

Trabalhar na minha área alterna dor e delícia do ponto de vista alimentar.

Hoje de manhã, por exemplo, provei um café delicioso, de uma marca gourmet, caríssima. Na sequência experimentei um biscoito amanteigado com gosto de ranço, um presunto cru salgadíssimo, uma barra de cereal com gosto de ração de cachorro e palitinhos de peixe com gosto de... nada.

Aprovei o primeiro, com louvor. Os outros joguei no lixo, sem muita cerimônia. E ainda tomei mais um café pra dar aquela rebatida.

À despeito das desventuras gastronômicas, é sempre divertido ver a cara das pessoas quando comem as coisas. Narizes torcidos e cara de nojo são comuns. Mas hoje uma das meninas aqui se superou. Ao lhe dar um pedaço da tal barrinha de cereal, ela solta:

- Nossa senhora, isso tem gosto de vômito amanhecido!!!!

Detalhe que a única coisa entre ela e a vendedora desse glorioso produto era uma baia de escritório, daquelas não muito altas.

Sorri amarelo para a vendedora. Não foi muito educado da parte da minha funcionária, mas fiquei feliz por pelo menos não precisar perder tempo explicando pra vendedora chata porque não iria comprar o produto.



as 04:11 PM 1 YA REALLY!
February 25th, 2008

A tempestade, o modem e o atendimento da Telefônica

Finalmente, o modem de casa não resistiu às adversidades da tempestade de ontem e queimou.

Por bobo que possa parecer, a internet faz falta em casa. Descobrir coisas simples, como programação de cinema, telefone da TVA ou endereço de um local se torna uma epopéia. Toca comprar o jornal, desencavar contas antigas ou me afundar num guia de ruas de 1999 que está aos pedaços no piso do carro. Pagar contas, só na hora do almoço no trabalho.

As minhas obsessões, como saber o que está acontecendo no BBB, ver a previsão do tempo do dia seguinte, ler todas as atualizações do google reader, baixar músicas ilegalmente ou responder e-mails de listas de discussão estão temporariamente suspensas.

Já prevendo essas dificuldades, assim que o namorado me avisou do problema, liguei para aqueles que acreditei que iriam me ajudar: o provedor de banda larga.

Um atendente me informou que não poderia transferir a ligação porque havia uma fila de espera. Eu achava que filas de espera foram exatamente criadas para que você aguarde a transferência, mas a Telefonica não pensa assim. Quando há fila de espera, você deve retornar a ligação ou deixar seu telefone e "um técnico entrará em contato em até duas horas". Da última vez que caí nessa, levou dois dias até o retorno. Então acabei desligando e ligando novamente até conseguir falar com alguém da técnica.

Para minha surpresa, descobri que a Telefônica, da qual assino o Speedy, não pode me vender um novo modem. Eu deveria ligar no meu provedor. Liguei. O UOL, meu provedor de internet, não pode me vender um modem. Deveria ligar para a empresa que consta na nota de entrega do modem. A Americanas.com, empresa que consta na nota fiscal do modem antigo, não pode me vender um modem. Voltei a ligar para o Speedy. O atendente de lá, sem fazer idéia de como resolver, chegou ao cúmulo de me orientar a comprar um modem na Santa Ifigênia para substituir.

Depois de uma hora de ligações irritantes, descobri que tanto o Speedy quanto o UOL somente fornecem modems aos novos assinantes. Aparentemente, mais vale aumentar a base de assinantes do que manter em casa assinantes antigos. Vale reforçar que não estou pedindo um modem novo de graça: quero comprar um. Pagando. Dando dinheiro a eles. Sabem, aquela mecânica moderna onde você dá dinheiro e a empresa te entrega um produto em troca do dinheiro. Manjam, Comércio? Então.

O descaso da Telefônica é impressionante. Não admira que seja empresa líder de reclamações no Procon e na Anatel. Parece que eles não estão nem aí.

E já que é assim, vou cancelar minha assinatura do Speedy e assinar outro provedor de banda larga. Tenho certeza que o Virtua, o AJato ou o Velox irão me dar um modem com o maior prazer. Afinal, serei uma nova cliente. Mas meu sexto sentido me diz que assim que ligar e quiser cancelar a assinatura, dezenas de modems aparecerão à minha disposição, magicamente. É (não) pagar pra ver.



as 11:42 AM 2 YA REALLY!
February 28th, 2008

Vida de bosta

Vivi uma experiência nova e medonha essa semana.

Ao contrário da imensa maioria das mulheres, nunca tive problemas de... intestino. Minhas funções digestivas e excretoras sempre funcionaram como um reloginho bem acertado. Todos os dias pela manhã, vivia a experiência libertadora de... bem, vocês sabem. Eu era uma mulher feliz e realizada, mas não percebia o quanto.

Esta semana, tudo mudou.

Ainda não entendi os motivos. Não mudei a alimentação, nem tomei nenhum remédio, nem tomei menos água. Mas simplesmente parei de ir ao banheiro. Meu reloginho suíco ficou sem bateria. 

Antes de entrar em desespero, imaginei que fosse algum problema pontual.  Alguma oscilação no meu organismo ou quem sabe um excesso de maçãs, batatas ou carne vermelha. E tentei resolver de forma suave: comi mamão. Comi saladas. Comi cenoura. Comi cereais ricos em fibras. Comi laranja.

E nada.

Comecei a me preocupar. Passei a tomar muita água, na esperança de auxiliar a digestão. Comi mais mamão. Comi abacate. Parei de comer carne. Comi arroz integral. Comi uma tigela de iogurte batido com mamão, laranja e cereais.

Nada.

Me sentia como uma represa com o nível aumentando. Inchada, cheia, entupida. Aí cedi: fui a uma farmácia e pedi cápsulas de laxante. O atendente foi muito solícito:

- A senhora costuma usar qual?
- Nenhum, eu costumo ir ao banheiro com regularidade.
- Nossa, isso é raro. Mulheres normalmente tem problemas de constipação...
- Bem, eu nunca soube o que é isso.
- A senhora me desculpe, mas quantos anos a senhora tem?
- Er... acabei de fazer 30.
- Olha, pode ser isso: algumas mulheres passam por mudanças hormonais aos 30 e acabam ficando com constipação intestinal, o que acaba se agravando depois, na menopa...
- Ok, me dá o laxante mais forte que tiver aí. Rápido.

Fui embora traumatizada. Pensava que não basta a pecha de balzaquiana, a flacidez, as rugas e os cabelos brancos: eu ainda ficaria com a barriga cheia de merda represada.

Felizmente, já ontem à noite o remédio fez efeito, e hoje ao longo do dia me livrei de todas as coisas ruins que havia dentro de mim. Sinto-me mais leve e pronta para aventuras, como as moças de propaganda de iogurte com fibras. Estou esperançosa de que tudo isso tenha sido apenas um distúrbio passageiro e que meus hormômios estejam perfeitamente funcionais.

Não obstante, devo tomar mais algumas cápsulas. Só pra garantir.



as 05:05 PM 6 YA REALLY!
February 29th, 2008

Roda Viva

Hoje é dia 29 de Fevereiro, e inspirada pelo post do Inagaki resolvi relembrar o que eu estava fazendo há exatos quatro anos atrás. Como minha memória não é mais a mesma devido às farras devido à idade, resolvi reler uns arquivos do blog velho.

Em fim de fevereiro de 2004, eu trabalhava no emprego velho. Ganhava mal pacas. Aguentava a Elisa me enchendo o saco. Namorava o Beto. Tinha acabado de descobrir a existência de The Simple Life. Tinha trauma de bacalhau, que fazia com que eu trabalhasse até as 22hs em época de Páscoa. Naquele ano, assisti um pedaço do Oscar e fiquei contente com os prêmios levados pelo Peter Jackson.

Imaginava que tinha minha vida toda bem planejadinha à frente. Aliás, eu tinha planos nada ambiciosos: eram aqueles bem básicos, de casar, ter filhos, um cachorro, cunhados, sogra, amigos casais, viajar pro Nordeste no fim do ano e fazer churrasco aos domingos. Uma vida bem tranquila na doce classe média paulistana.

Fazia terapia e acupuntura, fazia regime, e achava que não ia conseguir viver sem o namorado, sem a terapeuta e sem o acupunturista. Sem chocolate eu tinha certeza que não ia conseguir mesmo. Achava que fazer 30 anos era o fim do mundo. E que eu tinha todo o controle do meu destino em mãos.

Mas eis que chega a roda viva, e leva o destino pra lá....

Mudou tudo. Mudei de casa duas vezes. Pedi demissão do emprego velho, porque tinha arrumado um novo, que não deu certo, e acabei voltando pro velho. Fui demitida, mas apareceu uma outra coisa rápido - e melhor. Ajuntei os trapos. Acabou tudo. Fiquei solteira. Morei sozinha. Com gatos. Com plantas. Com mais gatos. Com mais plantas. Com o namorado. Fiquei mais morena, depois loira. Fiquei ruiva. Fiquei sem um tostão. Tive grana sobrando no banco. Fui pro SPC. Fiz planos pra sair de lá. Deu tudo errado, e eu fiz novos planos. Depois mandei os planos às favas e resolvi fazer piadas com a mocinha da empresa de cobrança. Parei de brigar com a minha mãe. Arrumei uma faxineira, um dermatologista, um endocrinologista e parei com a terapia. Arrumei uns amigos novos aí. Mantive alguns dos velhos.

O que importa é que eu nunca imaginaria nada disso. Exceto pela parte de estar cercada de gatos, o resto todo é tão novo e maluco que acaba sendo divertido. Então eu nem vou tentar imaginar o que estarei fazendo daqui a quatro anos. Pelo andar da carruagem, é provável que esteja num retiro espiritual na Índia, comendo mangas frescas.

Delícia, né?



as 04:54 PM 3 YA REALLY!


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