|Home|  

Eu por mim mesma
30 anos, paulistana, corinthiana, blogueira, dona de 4 gatos, viciada em chocolates, séries, cinema e livros, entre outras nerdices.



Yoomp

Entries for April, 2008

April 1st, 2008

Eu amo meu emprego

Meu chefe é ótimo. Apesar de ser meio chato, como todo chefe, hoje ele me fez entender porque estou adorando trabalhar aqui. O chefe - vamos chamá-lo de Chefe, para efeito de identificação - chegou rindo do almoço.

Rindo muito. Tipo, chorando de rir. Claro que perguntei o que era.  

- Bom, eu liguei pro meu amigo umas 11 da manhã e disse pra ele que estava no site de São Sebastião, e que estavam rolando altas ondas. No trabalho ele não consegue acessar o site, então eu pus aquela pilha nele. Disse que era as maiores ondas do ano, que a entrada de uma frente fria no outono estava fazendo Maresias bombar. E que eu ia fazer um bate e volta na parte da tarde. Fiz a cabeça dele até ele dizer que ia também. Marquei de passar na casa dele em meia hora pra pegar a estrada. O cara  inventou pro chefe que estava com um piriri e se sentindo muito mal. Correu pra casa, catou a prancha - a minha inclusive, que estava lá desde o último feriado - e desceu pra portaria com as duas pranchas, roupa de surfe, parafina e o escambau. Aí eu passei na frente do prédio dele com a máquina fotográfica, tirei uma foto e mandei pro celular dele com uma mensagem dizendo "Primeiro de Abril!". Ele me mandou tomar no cu, claro.

- Será que um dia ele vai te perdoar, Chefe?

- Ano passado ele me fez usar um vestido. Ficam elas por elas.

Não perguntei detalhes sobre o cross-dressing do Chefe, mas
ficou claro pra mim que preciso manter esse emprego. O ambiente de trabalho é muito bom mesmo.

 



as 02:42 PM 4 YA REALLY!
April 3rd, 2008

O sapato roxo

Eu saía das Casas Bahia após pagar mais uma prestação de carnê quando meu lindo escarpin rosa ficou preso numa fenda na calçada. O salto foi pras cucuias e eu quase me estabaquei no chão. Por um desses acasos do destino, me apoiei justamente na vitrine de uma loja chamada... Louca por Sapatos.

Ao levantar o olhar, me deparei com um par de sapatos roxos. Salto reto, meio retrô, peep toe com um recorte do lado. Na parte de cima, uma flor amarela, com uma folha verde. Uma explosão de cores, um ar meio anos 40 e um preço baixinho me fizeram adentrar a loja.

Lá dentro, uma vendedora loura platinada, mais baixa que eu, usando uma plataforma poderosa. Ao me ver pulando num pé só, ela ofereceu uma cadeira, um café e 42 pares de sapatos. Os dois primeiros por conta da casa, por óbvio. Já os sapatos... Modelos lindos: sapatilhas, peep toes, sapatos boneca, rasteiras... uma grande variedade, a preços bastante justos.

No fim, a loira trouxe o sapato roxo. Coloquei no pé e me senti descalça: confortabilíssimo. E roxo, roxo, muito roxo. Por algum tempo me olhei no espelho, tentando considerar aonde iria com um sapato roxo com uma flor amarela. Depois de 5 segundos profunda consideração, conclui que iria a qualquer lugar com aqueles sapatos. E comprei os dito-cujos. Como minha roupa não combinava com roxo, acabei indo na Pernambucanas numa butique fina e exclusiva e comprei uma blusa e uma bolsinha roxas pra ornar melhor.

Fui para o trabalho usando muitas peças roxas. Me sentia praticamente uma uva. Mas os tais sapatos me deixavam poderosa. Todas as colegas repararam, e até mesmo um homem aparentemente heterossexual olhou e disse que nunca havia visto um sapato daquela cor.

Não sei explicar a relação de uma mulher com seus sapatos. É uma ligação emocional, sensorial, espiritual. Belos sapatos fazem com que nos sintamos capazes de fazer coisas que jamais faríamos descalças. São sapatos que nos escolhem, ao invés de sermos escolhidos. São coincidências cósmicas como tropeçar na rua depois de pagar um carnê das Casas Bahia e quase cair justamente em cima de um sapato roxo que fazem com que possamos ter essas belezuras. Do alto desses sapatos, milhares de mulheres vos contemplam: de Cleópatra à Vivenne Westood, passando por Coco Chanel, Mary Quant e Jackie Kennedy, todas nós nos sentimos mais... mulheres quando estamos com um de nossos sapatos mágicos.

E agora, ao rol de sapatos mágicos composto pelo meu escarpin zebrado, meu stiletto dourado e minha bota de cano alto, se junta o sapato roxo. Só posso desejar as boas-vindas e abrir um espacinho no meu atulhado armário.



as 05:00 PM 12 YA REALLY!
April 14th, 2008

Gripe

Minha saga da semana passada começou com uma pergunta inocente:

- Chefe, porque a gente gastou tanto com o sistema se geral ainda faz o pedido por telefone ou por email mesmo?

A resposta dele se traduziu em 3 dias de treinamento puxado com o cara que desenvolveu o sistema, 8 horas por dia aprendendo cada pedacinho dele. Pedido, faturamento, cadastro, entrada de notas, etc. Serei a responsável por multiplicar o conhecimento, montar as apostilas, treinar os funcionários e finalmente fazer valer os milhares de reais gastos na criação do treco.

Na quarta feira passei o dia no departamento comercial, com o ar condicionado à toda e um comprador espirrando a poucos centímetros de mim. Foi aí que a gripe começou. Quarta à noite eu já espirrava e tossia. Quinta acordei torta, com dores pelo corpo, nariz entupido, garganta raspando. Não obstante, fui trabalhar. Ao chegar à mesa, descobri coisas importantes:

1: Meu computador deixara de aceitar meu login
2: Meu email estava travado com mais de mil mensagens
3: Minha febre começou a subir.

Na quinta à noite, obrigações da minha vida dupla de blogueira me levaram a um casamento gay de candomblé (não façam perguntas), onde entrevistei Lilian Gonçalves, peguei o telefone de Irislene, conheci um cara do Bonde do Rolê e expliquei que bife na bunda havia sido a coisa mais nojenta jamais vista por mim, não enchi a cara devido aos remédios de gripe e não dancei devido à dor em todos os meus membros.

Na sexta fui novamente trabalhar, guerreira que sou. Resolvi os problemas da minha CNH, briguei com o cara de TI que ainda não havia resolvido meus problemas, tive febre, mais febre, muita febre, e acabei por ir embora de carona com o Junior (abençoado seja!). Em casa, dormi por mais de 12 horas, acordando apenas pra comer a sopinha que o namorado fez com a maior das boas vontades. Tava bem gostosa, viu amor? O fato do meu paladar ser nulo por causa da gripe não tem nada a ver com essa opinião. Você cozinha super bem, tá?

No sábado, ainda podre, consegui me levantar o suficiente pra preparar um chili e uns brigadeiros pro aniversário do Zander, mas desmaiei logo após. Na festinha, todos se embriagando de whisky com guaraná de tequila e eu tomando coca zero. Sem gelo, claro. Não me lembro de muita coisa, só sei que fui pra casa dormir. E como dormi.

Hoje acordei sem gripe - ou pelo menos com muito menos vírus do que semana passada - e vim trabalhar feliz. Entrementes, meu computador ainda estava ruim, bem como meu email. Depois de alguns telefonemas gentis, bonzinhos e educados, consegui convencer o cara de TI que sem o computador eu não ia conseguir trabalhar e ele acabou arrumando tudo aqui.

Números da semana: 50 reais em remédios, 48 horas dormidas entre sexta e domingo, 3746 emails na caixa de entrada e 1 saco cheio.

Falta muito pro feriado?

 

 



as 10:29 AM 6 YA REALLY!
April 16th, 2008

Blogueiros têm ética?

Normalmente não falo aqui sobre a blogosfera. Não acho bonito falar mal dos meus colegas, nem tampouco gosto de puxar o saco alheio. Afinal de contas, isso aqui é um diarinho, um espaço pra falar de sapato, viagens, chefe, trabalho, namorado, gatos, amigos e assim por diante. Não ganho dinheiro com isso e esse nunca foi meu objetivo.

Quando comecei a escrever ainda no antigo domínio do Weblogger, nos idos de 2002, achava que ninguém nunca iria ler nada do que escrevia. Passei a fazer um diário virtual no lugar do diário de papel que tinha por hábito escrever desde menina apenas por uma questão de praticidade - e porque sou uma pessoa moderninha. Naquela época, não se falavam em probloggers, e ganhar dinheiro com internet era uma coisa restrita ao Bill Gates, Steve Jobs e quetais.

Aí, sabe-se lá como, começou a revolução da blogosfera brasileira. Os pioneiros da monetização surgiram. Kibe Louco virou funcionário da Globo. Edney, Inagaki e outros começaram a ganhar uma grana boa com seus blogs. Em algum momento, surgiram os famigerados "posts patrocinados". Em suma: uma empresa paga para que determinado blogueiro fale bem de seu produto.

A princípio, não há problema: é como um anúncio em revista, jornal, TV. No entanto, nestes espaços o anúncio é facilmente identificado: ou aparece nos intervalos comerciais da televisão ou vem com o impresso "informe publicitário" colocado na página da revista. O que sempre me incomodou é ler um post que não me avisa que é pago. Acabo duvidando da veracidade da coisa. Como vou saber se o produto é bom mesmo se o blogueiro recebeu pra escrever aquelas linhas?

Essa febre de monetização cria outro problema: Blogs são criados diariamente sem a menor preocupação com conteúdo ou formato. Os layouts privilegiam os anúncios do Adsense. Posts são plagiados de outros blogs sem o menor pudor. São feitos por gente que quer ganhar dinheiro, ganhar dinheiro, ganhar dinheiro. E gente muito burra, normalmente, porque não é com AdSense em cima de post copiado que se fica rico nesse mundo.

Mas o problema mais sério a meu ver é  outro ainda: Aos poucos, a blogosfera deixa de ser um território neutro, onde podemos ler opiniões de gente de verdade. Não se fazem mais amigos aqui. Os links ali do lado passam a ser negócio, e não amizade. Ao invés de linkar gente que eu gosto de ler, passo a linkar gente que me traz visitas. Ao invés de falar de um filme bacana que eu vi, passo a falar dos filmes que a distribuidora manda. Isso é chato, feio, bobo.

Um exemplo ocorreu recentemente: o Theo resolveu divulgar no Ato ou Efeito um filme nacional, de produção quase amadora, apenas porque achou a idéia boa. (Claro, são zumbis, minha gente) Pediu a colegas blogueiros que fizessem o mesmo, em uma promoção onde a premiação, simbólica, consiste em um pote de sangue cinematográfico(e uma camiseta que ainda nem existe).  E conseguiu a participação espontânea de uma galera legal, incluindo o Judão blogs, o Treta, o Cardoso, o Marcus, o Noronha, o Bender, e claro, o meu namorado. Excetuando-se o Eric, essa turma toda ganha um bom dinheirinho com seus sites. E nenhum deles, repito, ganhou um real pra divulgar o filme. 

Mas teve um blog que pediu 100 reais pra divulgar o filme.  100 reais, o equivalente a 40 litros de gasolina, 2 pares de sapato em liquidação boa, ou a 6,5 promoções do McDonalds ou ainda a cerca de 60 empadinhas nas boas casas do ramo. Um cara achou que divulgar um filme nacional, com produção feita quase por amor, valia 100 pilas. Cardoso soube do ocorrido e achou a idéia tão estúpida que fez um post humilhando o infeliz anônimo.  E o Theo  hoje publicou um comentário sobre toda a repercussão.

Faço votos para que o tal blog fracasse pra sempre. Faço votos para que os links dele quebrem, o Google o expulse do AdSense e seus anunciantes entrem em falência global. Um imbecil desses não merece sucesso, dinheiro, fama. Um idiota que não consegue ver a diferença entre uma marca famosa de celular e um bando de cineastas sem um puto no bolso não merece o direito de escrever sobre nada. Este pobre coitado deve ser tão imbecil, aliás, que talvez cobre os mesmos 100 reais pra falar da marca famosa de celular.

No post de hoje do Theo tem uma referência sutil ao blog que fez o pedido indecente.  Quem adivinhar o nome do blog infeliz, cujo dono tem tanta noção de ética blogueira quanto uma criatura que vive sob uma pedra num pântano no fim do mundo ganha.... bem, não ganha nada. Mas podemos negociar 100 reais ou uma mariola, que tal?

Update: Tenho um estoque enorme de mariolas aqui e as distribuirei com alegria a todos que detonarem o pobre infeliz dos 100 reais. Não temam, mariola é mato aqui em casa!

 



as 06:18 PM 21 YA REALLY!
April 23rd, 2008

Como fazer seu namorado abraçar árvores em 3 posts

E aí que eu decidi que estava a fim de viajar no último feriado. Fazendo algumas contas, percebi que dava pra dar umas bandas por aí sem me afundar em dívidas. Comuniquei ao namorado, inspirada pelo filme e livro Into the Wild:

- Vamos viajar pro meio do mato do feriado. É um lugar sem celular, sem internet, sem nada. Ficaremos isolados e tudo que há pra fazer por lá é caminhar, ver cachoeiras e abraçar árvores.
- ...er...que...bom?
- É ótimo!

Eric não é exatamente um entusiasta da natureza. Aliás, ele acha que se a praia fosse azulejada e com menos sol, e se as montanhas tivessem escadas rolantes, o mundo seria bem melhor. Ele não gosta de comida natural, não liga pra belas paisagens, e se pudesse andar conectado à internet pela rua, ele o faria. Ou seja: a viagem seria uma belezinha pra mim e uma coisa horrenda pra ele. Como quem manda nessa porra aqui sou eu ele é muito compreensivo, aceitou essa loucura.

Saímos na sexta feira. Deveríamos sair às 14 horas, mas por conta de motoboys atrasados e malas mal arrumadas, acabamos partindo por volta das 17 horas. Sim, pegamos todo o congestionamento da Marginal e da saída da Ayrton Senna. Levamos mais de uma hora pra conseguir andar cerca de 25 quilômetros até o Aeroporto. Um inferno, claro. Mas logo pegamos a estrada, a noite caiu, os quilômetros se sucederam sob os pneus do glorioso Celta. No caminho, sentimos fome, paramos num Frango Assado, eu tomei um suco de milho light, comemos... bem, comemos frango frito. Mas o que importa é que eventualmente chegamos em Penedo.

Penedo é tipo a última fronteira urbana. Penedo é asfaltada, tem muitas lojas, hotéis, pousadas, até ônibus. Lá tem orelhões, o celular pega, existe conexão com a internet, enfim: trata-se de uma cidade digna desse nome. Entretanto, dali parte a estrada que começa enganosamente asfaltada e depois transforma-se numa sinuosa estrada de terra que margeia despenhadeiros. Eu mencionei que já era de noite? Pois é, era. E claro que a estrada não tem luz. Por sorte, ninguém é louco o suficiente pra tentar descer aquela serra à noite, então só tinha gente subindo. E ninguém caiu no precipício. Eu acho. Pelo menos ninguém que eu tenha ouvido.

Conseguimos chegar à Visconde de Mauá, uma adorável cidadezinha encravada nas montanhas da Mantiqueira. Tal cidade se desmembra em três vilas: a primeira é Mauá, repleta de pousadas e restaurantes charmosos, na qual costumam se hospedar famílias e casais endinheirados. A segunda é Maringá, onde costumam ficar as pessoas descoladas, pois é lá que está a baladinha local. A terceira, mais alta e mais bizarra vila é Maromba. Maromba consiste em uma praça, na qual há uma igreja. Atrás da igreja tem uma rua. Do lado da praça tem outra. E acabou. Digo, subindo a rua do lado da praça você começa a ir pras cachoeiras. E pra nossa pousada.

Nossa pousada ficava lá em cima. Literalmente. Pra dizer a verdade, meu carro jamais subiria até a pousada. Então paramos o veículo num estacionamento de uma outra pousada, e o dono da Portal dos Ventos foi nos buscar com um jipe com tração nas 4 rodas. A estrada pra chegar até a pousada era quase vertical. Um amontoado de pedras, buracos e plantas em volta, um terrível morro medonho que servia para isolar a pousada e ao mesmo tempo manter afastadas as hordas de hippies que há em Maromba. Sim: todos os hippies de Visconde de Mauá (exceto uma, como veremos mais à frente) se acumulam em Maromba. E o Eric adora hippies. (NOT)

O dono da pousada se chamava Márcio, e para nosso alívio era paulista, de Itatiba. Isso significa que ele é extremamente simpático, hospitaleiro e competente. Porque Visconde de Mauá fica no Rio, e só não está infestada de cariocas porque fica bem perto da divisa de São Paulo e Minas Gerais. Isso faz com que os serviços por lá sejam ligeiramente melhores do que no resto do glorioso estado do Rio de Janeiro. Mas estou divagando: Márcio nos levou estrada acima e ao chegar à pousada tivemos uma agradável surpresa: ela era tão bonita quanto o site nos levava a crer.

No quarto tinha DVD, então escolhemos uns filminhos pra ver. Um deles foi Temos Vagas. Essa película trata da história de um casal que passa a noite num hotel num local desconhecido, assiste a um vídeo e descobre que ele mostra um casal sendo atacado por psicopatas no mesmo quarto onde eles estão e que, claro, é atacado por psicopatas de verdade depois. Por um baita cagaço motivos que não vale a pena citar, assistimos a outro filme e eu capotei de sono em 15 minutos.

No dia seguinte, sábado, um desafio nos aguardava. Nossos planos eram ousados, mas acreditávamos que iríamos sobreviver. Como descobrimos depois, não seria tão simples...

PS: seguindo o exemplo do Eric, farei um post em capítulos para dar aquele suspense

PPS: Tem 4 caixas de mariola aqui em casa. Mandem seus endereços e eu mando as mariolas. O Bruno vai ganhar uma caixa só pra ele.



as 09:35 PM 25 YA REALLY!
April 25th, 2008

Como fazer seu namorado abraçar árvores em 3 posts - Parte 2

No sábado acordei estupidamente cedo, devido à luz que penetrava pelas cortinas. No topo das montanhas, o sol parece mais próximo e mais brilhante. Dei uns chutes no Eric para acordá-lo e fomos tomar café da manhã. E que beleza de café da manhã, minha gente: Frutas, suco de laranja fresquinho, pão de queijo, pão de forma, pão integral, pão francês, queijo, peito de peru, bolo, geléia, manteiga, mel, cereais, leite. Um café da manhã daqueles que nunca se faz em casa, uma vez que em casa acordo sempre vinte minutos atrasada e a refeição matinal resume-se a um café preto quando chego ao trabalho com cara de sono.

Talvez levados pela quantidade de comida ingerida ou pela bela paisagem local, ou ainda com a mente afetada pela altitude, decidimos fazer um passeio naturalista. Dentre as diversas opções, escolhemos subir as 9 Cachoeiras do Alcantilado. Sim, você leu certo: Nove.  Porque claro que dois nerds paulistanos estavam aptos a fazer uma bela caminhada de alguns quilômetros, certo?

Descemos à pé até a vila; afinal éramos aventureiros. Na caminhada, fiz amizade com um simpático cãozinho vira-latas que tentou.. er... namorar a perna do Eric sem parar. Há fotos para provar, peçam o link depois. Depois de conseguirmos afastar o animal, chacoalhamos mais um pouco pela estrada de terra. O acesso ao Alcantilado é bem sinalizado, mas quando se está a bordo de um Celta 1.0, tudo fica um pouco mais difícil. Desviar dos buracos se torna um esforço inútil: depois de um, há sempre outro. Após alguns quilômetros, o corpo quase se acostuma com toda a movimentação, como um marinheiro experiente se acostuma com o mar.

Mas o café da manhã se agita no estômago dos incautos: lá pelo terceiro morro, os dois estavam meio verdes devido à todo o conflito entre o suco de laranja e o bolo de cenoura no trato digestivo.  Paramos num boteco estranho pra tomar uma Coca e matar tudo lá dentro acalmar os sucos gástricos, onde tivemos o prazer de conhecer um sertanista. Na verdade era um homem gordinho tomando uma Itaipava, mas o cara se autoproclamava o maior conhecedor de cachoeiras e trilhas da região Sudeste. Ensinou 48 caminhos diferentes pra chegar ao Alcantilado - e isso porque estávamos a 800 metros do local. Achamos mais seguro ignorar e seguir o mapa.

Paramos o carro num estacionamento ajeitado, entre diversos jipes e picapes. O celta é guerreiro, e nessa viagem pudemos comprovar isso diversas vezes. Ao lado do estacionamento, uma guaritinha, onde cobraram R$5,00 de cada um pra entrar. Antes que alguém brade "Exploração!", que conste dos autos que o dinheiro é bem aproveitado. Há placas, trilhas, cordas, cestos de lixo e coisas assim pelo caminho todo. Um controle de pessoas que entram e saem do local também é feito. Um ótimo exemplo de exploração do turismo, e não do turista, como deve ser. Aliás, o tal controle era importantíssimo: depois da quarta cachoeira, achei que ia precisar ser resgatada.

Subida do capeta. Começa tranquilo, um passeio no parque. As primeiras cachoeiras podem ser visitadas até pela vovó com artrite. A trilha é larguinha, plana e tranquila. Ao chegar na quarta cachoeira, a coisa fica bem mais feia.  Apesar das cachoeiras irem ficando cada vez mais bonitas, as belas vistas não ofereciam descanso. A trilha se torna Íngreme, há trechos onde é necessário usar as mãos e eu abençoei mentalmente até a quarta geração do cara que colocou as cordas e cavou os degraus no morro. Não fosse por ele, eu teria quebrado alguns membros ao escorregar numas pedras cheias de limo. Mas não iríamos desistir: tudo que eu queria era chegar logo ao topo e à porcarian da cachoeira do Alcantilado onde eu supunha que um helicóptero poderia se aproximar com mais facilidade do que na mata fechada,  a fim de me resgatar e me levar ao McDonalds mais próximo e a um cineminha com ar condicionado.

Finalmente chegamos lá em cima, depois de um tombo, uma unha sangrando, dois xixis e muitas fotos, divididos igualmente entre eu e namorado. A cachoeira tem 50 metros de queda, a vista é realmente linda e ao chegar lá a gente quase esquece a fome e o cansaço. Mas não esquece de verdade, principalmente porque constata que não há nenhum helicóptero e que eu teria que descer aquela merda toda a pé de volta. Toda vez que faço uma trilha assim fico me perguntando que caraleos tenho na cabeça ao repetir a dose de tempos em tempos. Mas aí penso no quanto o lugar é bonito, no quanto a água é geladinha, no quanto as árvores cheiram bem e no quão pouco de tudo isso a gente vê no dia-a-dia, e me lembro do porque eu insisto em sofrer.

Chorei um pouco ao pensar na descida enorme e em quanto minhas pernas doíam ao ver a beleza do local, mas depois de algumas fotos resolvemos descer de vez. No caminho pra baixo, topamos com uma simpática pastelaria, onde comi uma porção de pinhão temperado, que o Eric achou que pareciam baratas cozidas. Nojo à parte, estava uma delícia. Na volta, já comprei dois sacos grandes de pinhão pra fazer em casa e me fartar de comer. Eu adoro pinhão. Nham. Enfim, voltamos, chacoalhamos, comemos na vila, chacoalhamos de volta à pousada. Tomei um banho e morri dormi durante algumas horas. Ao despertar, fomos desfrutar do romântico jantar à luz de velas prometido pelo site da pousada.

No restaurante, pequeno mas simpático, as mesinhas estavam iluminadas por velas. A sopa quentinha, a comida saborosa, o garçom educadíssimo, tudo muito gostoso, exceto a música. Num volume razoavelmente alto, se sucediam horrendas canções de Adriana Calcanhoto. Isso apressou nosso jantar, infelizmente. Aliás, uma leve indigestão se instalou ao ouvir os primeiros acordes de "Mentiras". Durante os dias seguintes, teríamos uma overdose de comida boa e música ruim na Pousada Portal dos Ventos. Márcio nos ajudou a acender a lareira sem causar incêndio muito grande e nos convidou a uma caminhada no dia seguinte, com os outros casais.

E no dia seguinte, encontraríamos nossas respectivas nêmesis: as trutas exóticas, a lan house e um paradoxo espaço-temporal envolvendo a minha pessoa, um armazém fedorento e um tiramissú.



as 04:32 PM 3 YA REALLY!
April 29th, 2008

No passo do Coringa, tinga-la-ga-tinga!

Vamos interromper a transmissão da nossa saga em Visconde de Mauá para contar rapidamente o que aconteceu ontem à noite em São Paulo. Centenas de nerds se reuniram na Av Paulista pra acompanhar... O VIRAL DO BÁTIMA!!

Tudo começou discretamente. Dia primeiro de abril houve um viral em São Paulo e a coisa foi meio sonsa. Ninguém se mobilizou, ninguém sabia, ninguém foi buscar os brindes, e nossa pujante cidade ficou conhecida internacionalmente como "The Lazy Viral City". No domingo, o site Why So Serious? começou a mostrar fotos de presidentes americanos"jokerizadas", cada uma com o nome de uma cidade, uma contagem regressiva e algumas coordenadas. Na de São Paulo, as coordenadas apontavam pro Trianon (Depois foram mudadas pra apontar pro vão livre do Masp, porque acho que nem o Coringa tem coragem de entrar no Trianon depois das 18 horas).

Fato é que o Judão e o Omelete começaram a agitar a nerdaiada paulista pra ir ao local. A Blogagi fez sua parte, twittando, telefonando e enchendo o saco. Conseguimos reunir os mesmos idiotas de sempre: eu, Eric e Julio. No fim arregimentei também meu ex (que engordou mais que eu, yey!) e mais um amigo conhecido como Jesus Cristo. Na verdade, é o Tiago, mas Jesus soa bem melhor. Nos reunimos sob o Masp, e aguardamos o início do evento. Sob as pilastras vermelhas se avolumavam nerds de todos os formatos e feitios. Nerds clássicos, do gordinho de óculos ao magrelo com espinhas. Nerds vestidos de Coringa, de Bátima, de Flash e Lanterna Verde. Nerds de terno ou vestido, saídos do trabalho. Me senti em casa, cercada de gente como eu: pessoas com problemas emocionais e quase sem vida social. Encontramos o povo do Judão, depois os twitters. Depois foi chegando mais gente, mais gente... Usando minhas técnicas aprendidas no Mossad na internet, consegui chegar num número aproximado: mais de 250 pessoas, com certeza.

Comemos um lanche no imundo Charme da Paulista, e aí já era a hora H: com a ajuda de minha fiel mãe, que entrou no site e tentou ler as dicas, começamos a caçada.  A primeira dica:

Step 1: Find the Esplanada Lina Bo Bardi. Once there, turn around, find the building on stilts (a tall order, indeed) and count the windows alog the bottom row. Just the ones you can´t see form the street. Remember this number for later.

Pois é. As dicas tavam em inglês, cheias de trocadilhos e todas envolviam contar coisas, entender as piadinhas, buscar soluções. Como ninguém entendia droga nenhuma, o que se viu foram nerds correndo (!) pra todos os lados. As pessoas se desencontravam. Grupos se juntavam e separavam. Informações desencontradas seguiam-se: "Lina Bo Bardi é a arquiteta que fez o Masp! Alguém trouxe um laptop? A parada do Be Cool deve ser uma sorveteria! Vamos contar as colunas! Cadê as palmeiras em L? Onde tem um banheiro? Vamos comprar uma casquinha no Bob´s?"

Demos a volta no Trianon em busca de michês vestidos de Robin tentando encontrar alguma coisa. Achamos uma lata de panetone amassada: Seria o tal coração que mencionava a dica 3? E afinal de contas, pra quê estamos vendo as dicas mesmo? Exausta (Afinal, no domingo, tinha ido pular corda), ousei sugerir:

- Bora ficar ali no Masp. Daqui a pouco alguém descobre a solução dessa merda e a gente copia.

Ainda que com o orgulho ferido, meus companheiros concordaram. Porque mais do que doer o orgulho, as pernas nerds estavam cansadas. Afinal, não passamos os últimos 30 anos fazendo exercícios, e sim assistindo filmes, lendo HQs, jogando videogame e navegando na internet. Nada disso desenvolve músculos. Vagamos lentamente em direção à Paulista, quando de repente ouvimos um palhaço gritando:

- É NO BRISTOOOOLLLLL!!!!!

Alguns correram pra lá. Eu, elegantemente, andei. Ao chegar lá, ganhamos uma cartinha e um ingresso, distribuídos por pessoas usando máscaras. Ao meu lado, surge um mendigão, daqueles bem sujos, carregando saco de lixo. Ele pergunta pro careca que entregava os ingressos:

- Quando estréia mesmo esse filme?
- Sorry, no portugues...
- Ahhh tá...

É a bat-febre contagiando a cidade, minha gente. Até os mendigos querem ver o Bátima.

Na fila começou a baixaria. Tentamos puxar uma olla, mas ninguém topou. Então cantamos, gritamos e fizemos vídeos. O segurança do shopping se apavorou com a moçada tocando o terror e o careca da organização veio acalmar em inglês:

- Calm down, everybody! All of you are entering the theatre, calm down.

A fila era enorme e a nerdaiada estava empolgadíssima. Lazy Viral City my ass. Duvido que em Londres teve olla na fila. Ou gente gritando a solução do enigma pelas ruas.

Depois do que pareceram horas, entramos no cinema, sentamos, batemos palmas, gritamos, cantamos.... e enfim começou o trailer. No vídeo abaixo dá pra ter uma noção. A sala tem 444 lugares, segundo o site do Bristol, e estava bem cheia. (Lazy Viral City my ass)².

Ignorem meus gritos histéricos, meus comentários imbecis e minhas habilidades nulas com uma câmera e atentem para o Bátima voando, quebrando tudo, dirigindo um Lamborghini e tudo o mais. Atentem também para o grito da galera no final, quando o careca entra lá pra sortear um premiozinho...

 

Sei que a qualidade tá uma merda, mas só sai em alta resolução domingo (acho). Então dêem-se por contentes.

Depois de tudo isso, ainda tivemos ânimo de ir tomar uma cerveja no Opção. Cheguei em casa muito tarde, porém contente - e pronta pro próximo viral, desde que ele envolva apenas o uso da mente. Se tiver que correr, foda-se o Coringa. Sugiro que a Warner dê um toque tropical ao evento usando músicas locais, pra facilitar. Não entendi picas das pistas até agora.

Ah, o segredo do cofre? Era 60-47-41. Mas não serviu pra muita coisa. Era mais fácil seguir o palhaço gordo gritando, mesmo.

E amanhã eu concluo a saga hippie, prometo.



as 12:22 PM 8 YA REALLY!


Assine o Feed

 

Também escrevo aqui
Visite minha cozinha
Blood Sugar Sex Magik é música para seus ouvidos
Blogagi de várzea é diversão garantida
Livin Rooom é relax total
Meu blog véio é vergonha alheia

Auto Promoção

Fotos suspeitas
Pílulas de conhecimento

Blogs Sensíveis
Amarula com Sucrilhos
Beijo me liga
Bruno
Cala a boca que eu tô falando!
Cegos, Surdos e Loucos!
Chuteira de Salto e Minissaia
Um Café, Dois Diazepam
Uma Dama não Comenta
Desencontros
Ene-a-o-til
Enzimas Virtuais
Fale com Deus
O Fim da Várzea
Franz
Fronga
Garçom
Gatoca
A Grande Abóbora
Groselha
Habemus Caesar
Hedonismos
Isobel
Licaland
Lilhá
Lívia
Luxo e Glamour
A Mandrágora
Mas que Loucura!
Monicake
Odeio e Justifico
Olhômetro
Pensar Enlouquece
PsicoGogo
Raphaela
Woman of Affairs
Without a Trace
Uatafóc?
Utopia Dilucular
Zander


E-mail Simpático

Links Bonitos
Adote um Gatinho!
Ato ou Efeito
Fofocas Boas
Panda Cam
Os Malvados
Zoei Grandão






.
elburgente - casa da gabi | 2002 - 2006
Glamour, felicidade e chocolate
.