O culpado pelo caos no transporte público
Deslocar-se em São Paulo é um eterno desafio. De carro, gasta-se com gasolina, impostos e ainda há o risco de ser assaltado no farol, além do rodízio que impede o uso do carro uma vez por semana. De metrô, não se chega a todos os lugares desejados, uma vez que as linhas são curtas e insuficientes. Resta o ônibus. Há uns dois anos a SPTrans reformulou seu site permitindo finalmente que os paulistanos consigam saber como chegar a qualquer ponto da cidade de ônibus. Antes desse site, que é super simples de consultar, tínhamos que nos virar com conselhos de conhecidos ou do moço da banca de jornal, que geralmente não fazia idéia de que ônibus indicar e acabava indicando logo o Lapa 856-R, que atravessa a cidade de Oeste a Sul e passa por quase todo lugar. Mas estou divagando. O fato é que ninguém achava droga nenhuma e não tínhamos GPS disponível, então a gente acabava andando pela cidade assim:

Com esse site facinho, achei que andar de ônibus seria uma coisa razoavelmente simples, ainda mais quando soube que a prefeitura tinha colocado em circulação veículos modernos e com ar condicionado. Aí ia ser tudo muito gostosinho e tranquilo, além de fresquinho e menos fedido. Na minha mente plena de pensamento positivo, eu iria pegar o Perus-Lapa 8171 sem muito stress e ia ser assim:

Os passageiros entram pela porta A, passam pela catraca B e saem pela porta traseira C. Tudo bem organizadinho e fluindo bem. Claro que nem todos vão sentados, e que há alguma aglomeração. Estamos falando do Perus, um ônibus que sai de Pinheiros e vai até a extrema Zona Norte da cidade. Mas ainda assim, o fluxo de passageiros faria algum sentido. Mas não.
Em algum ponto da evolução do transporte, um imbecil cuja mãe é uma égua manca e o pai um burro cego resolveu mudar o desenho do veículo e enfiou a porta de desembarque NO MEIO do busão. Aí o que acontece é assim:

Os passageiros entram pela porta A, passam pela catraca B e se amontoam na frente da porta C. Fica impossível passar por ali, uma vez que há umas 25 pessoas no espaço onde cabem no máximo 4. O fundo do ônibus fica vazio, mas isso não importa, porque é impossível chegar até esse oásis. Passar na catraca já é um esforço hercúleo.
Eu entendo que há uma parcela de culpa dos passageiros. Mas a gente que trabalha duro e anda de ônibus tem que ter um desconto. No fim do dia, cansadas, as mentes humanas tendem a dar aquela paralisada. Então fica claro que a culpa é toda do engenheiro que desenhou essa porcaria. Ele, em seu escritório com ar condicionado e café fresquinho, tinha obrigação de saber que colocar a porta no meio do ônibus era a idéia mais imbecil desde a invenção do ônibus com piso central rebaixado. Quer dizer, isso já dá assunto pra outro post, essa insanidade em vários níveis. Quem coloca degraus num ônibus, sério? É um convite a quedas infelizes.
De qualquer maneira, taí o culpado pelo caos no transporte público. Não é a falta de veículos, nem a má distribuição das linhas, nem os ônibus clandestinos, nem a cobrança de R$0,60 pra usar o banheiro no Terminal Capelinha. A culpa é toda do puto que desenhou essa merda de ônibus que nem o nariz de la puta madre.
E isso porque eu ainda não peguei o tal ônibus que passa clipe de show de axé...
as 10:06 PM 8 YA REALLY!
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catia (guest)

camilacantoni
Raphaela Dal'Col (guest)

Anonymous (guest)
Lilhá (guest)

Marcio (guest)

Não sou engenheiro mas os passageiros têm lá a sua culpa.
Tanto que no metrô os energúmenos ficam todos amontoados EM FRENTE à porta, mesmo e principalmente aqueles que vão descer na última estação.
Adriano Lima (guest)

Bruno (guest)

Vai ver as pessoas estão fazendo a mesma disputa que normalmente era feita nos blogs. Sempre tem alguém que quer descer do ônibus e gritar: "PRIMEIRÃÃÃÃOOOO!! LOL!!!11one"